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Vereador André Kamai expõe Bocalom e acusa ex-prefeito de “pegar carona” em obras do Governo Lula em Rio Branco
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Em um pronunciamento incisivo na Câmara Municipal de Rio Branco, na sessão desta quarta-feira, 12, o vereador André Kamai (PT) denunciou o ex-prefeito Tião Bocalom por tentar se apropriar de projetos e investimentos do governo federal para fazer palanque eleitoral. A tônica da fala do parlamentar enfatizou o contraste entre o fracasso da gestão municipal em entregar moradias e a posterior tentativa de assumir a paternidade de conquistas viabilizadas pelo presidente Lula.
De acordo com Kamai, após o esgotamento de promessas locais como o programa “1001 Dignidades” — que acumulou custos e não entregou habitações —, a antiga gestão passou a buscar respaldo em realizações federais para simular entregas à população acreana.
“Vem se escorar no programa do governo federal, que só voltou a acontecer depois que o presidente Lula voltou à Presidência da República — que trouxe mais de 3 mil unidades para o Acre e mais de 2 mil para Rio Branco. E aí vem com esse negócio de que a ideia dele vira 2 mil? É muita cara de pau e muita falta de respeito com a inteligência do povo”, criticou Kamai durante a sessão.
O vereador destacou que a retomada das políticas habitacionais e a destinação de milhares de unidades à capital decorrem da reestruturação do programa Minha Casa, Minha Vida pelo governo federal, desmistificando a narrativa de que tais iniciativas seriam desdobramentos de ações municipais.
Além de rebater as alegações da antiga gestão, o parlamentar cobrou apuração sobre a destinação das verbas empregadas no projeto municipal frustrado e exigiu transparência com os eleitores sobre a origem real dos recursos públicos investidos na cidade.
“O povo de Rio Branco precisa saber: nós temos habitação popular hoje porque o presidente Lula voltou com o Minha Casa, Minha Vida. Mentira do Bocalom, que saiu e agora está fazendo do Minha Casa, Minha Vida um palanque, dizendo que o Minha Casa, Minha Vida é o 1001 Dignidades. É mentira!”, concluiu o vereador.
Veja o vídeo:
Vereador André Kamai expõe Bocalom e acusa ex-prefeito de pegar carona em obras do Governo Lula em Rio Branco pic.twitter.com/7Gt2P5FcfG
— 3 de Julho Notícias (@3dejulhonoticia) August 12, 2026
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Condenado a 25 anos, Gladson Cameli pede registro ao Senado e candidatura chega ao TRE cercada pelo risco de inelegibilidade

Ex-governador tenta voltar às urnas após deixar o Palácio Rio Branco, mas condenação colegiada no STJ coloca a Lei da Ficha Limpa.
A tentativa de Gladson Cameli (PP) de conquistar uma cadeira no Senado começa longe de qualquer cenário de tranquilidade. O ex-governador teve o pedido de registro de candidatura formalizado no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), mas chega à disputa carregando uma questão que pode ser decisiva: saber se conseguirá superar na Justiça Eleitoral os efeitos da condenação criminal imposta pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O nome de Gladson aparece em edital publicado nesta quarta-feira (12) pelo TRE-AC entre os candidatos apresentados pela coligação Avança Acre. Caso tenha o registro deferido, o ex-governador pretende disputar o Senado com o número 111, tendo Beatriz Cameli como primeira suplente e Débora Nunes como segunda.
O problema para Gladson não está apenas nas urnas. Antes de tentar convencer o eleitor acreano a lhe entregar um mandato de oito anos no Senado, o ex-governador terá de enfrentar o debate jurídico provocado por uma pesada condenação criminal.
Em maio, a Corte Especial do STJ condenou Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por crimes relacionados a um esquema envolvendo contratos públicos. A condenação abrangeu organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
Além da pena de prisão, a decisão estabeleceu multa e determinou o pagamento de R$ 11,78 milhões em indenização ao Estado do Acre. A defesa anunciou que buscaria reverter a condenação por meio dos recursos cabíveis.
Gladson deixou antecipadamente o governo estadual em abril para entrar na disputa eleitoral. A renúncia abriu espaço para Mailza Assis Cameli (PP) assumir definitivamente o comando do Executivo e permitiu que o ex-governador colocasse em prática seu projeto político de chegar ao Senado.
Mas deixar o Palácio Rio Branco não eliminou o problema jurídico. Agora, a condenação colegiada do STJ acompanha o ex-governador diretamente para o processo eleitoral e deverá ocupar espaço central na discussão sobre a validade de sua candidatura.
A Lei da Ficha Limpa prevê hipóteses de inelegibilidade decorrentes de condenações proferidas por órgãos colegiados, sem necessariamente exigir o trânsito em julgado. A aplicação da regra ao caso concreto, porém, dependerá da análise da Justiça Eleitoral e das decisões eventualmente obtidas pela defesa em instâncias superiores.
A inclusão do nome de Gladson no edital do TRE-AC não deve ser confundida com autorização definitiva para disputar o Senado. Trata-se de uma etapa do processo de registro, que ainda poderá receber questionamentos e terá de passar pelo julgamento da Justiça Eleitoral.
Com a publicação, foi aberto prazo de cinco dias para apresentação de impugnações ou notícias de inelegibilidade por quem possua legitimidade para fazê-lo, incluindo partidos, federações, coligações, Ministério Público e cidadãos no exercício dos direitos políticos, conforme as regras eleitorais aplicáveis.
É justamente nessa fase que a condenação no STJ poderá se transformar no principal campo de batalha da candidatura. Enquanto Gladson tenta retornar às urnas como candidato ao Senado, adversários e demais legitimados poderão levar à Justiça Eleitoral argumentos para tentar impedir o registro.
Desde o julgamento, Gladson Cameli sustenta que ainda existem caminhos jurídicos para contestar a decisão. Sua defesa anunciou a intenção de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto o ex-governador afirma confiar na reversão da condenação.
Isso cria um cenário eleitoral incomum: um dos principais nomes da coligação governista entra formalmente na corrida pelo Senado ao mesmo tempo em que precisa travar uma batalha judicial para afastar o risco de ficar fora da disputa.
A palavra final sobre o registro não está dada. Caberá à Justiça Eleitoral examinar as condições de elegibilidade, eventuais impugnações e os efeitos concretos da decisão do STJ.
A controvérsia ultrapassa a candidatura individual de Gladson. O ex-governador permanece como uma das principais lideranças do grupo que sustenta a candidatura de Mailza Assis Cameli ao governo do Acre, fazendo com que qualquer revés judicial tenha potencial para produzir consequências políticas sobre toda a composição.
Na mesma aliança, o senador Marcio Bittar (PL) também aparece registrado como candidato ao Senado. Ele disputará com o número 222, tendo Jeberson Nascimento e Lívio Veras como suplentes.
Assim, enquanto a coligação tenta avançar na campanha, Gladson inicia uma corrida paralela e decisiva nos tribunais. Depois de deixar o governo para buscar o Senado, o ex-governador terá primeiro de superar uma questão fundamental: convencer a Justiça Eleitoral de que, apesar da condenação colegiada a mais de 25 anos de prisão, reúne condições jurídicas para permanecer nas urnas.
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