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“Quem autorizou as mudanças?”: Edvaldo Magalhães cobra respostas e questiona mudanças em projeto da ponte que desabou em Sena Madureira
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Parlamentar questiona redução de estruturas previstas no anteprojeto, possível uso de recursos federais e pede ampliação das investigações sobre a obra.
A queda da Ponte Padre Paolino Baldassari, em Sena Madureira, continua gerando fortes questionamentos e aumentando a pressão por respostas das autoridades responsáveis pela obra. Durante pronunciamento na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), nesta terça-feira (9), o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) levantou uma série de dúvidas sobre a execução do empreendimento e cobrou uma investigação rigorosa para apurar as causas do desabamento ocorrido no último dia 5.
Segundo o parlamentar, uma das principais questões envolve as diferenças entre o anteprojeto elaborado pelo Deracre e o projeto executivo apresentado pela empresa responsável pela construção. Edvaldo destacou que as alterações identificadas precisam ser esclarecidas, principalmente porque teriam reduzido características estruturais importantes previstas inicialmente para a obra.
“O que precisa ser explicado é quem autorizou essas mudanças. As estacas previstas no anteprojeto tinham maior extensão e maior circunferência. Também foram retirados anéis de aço que constavam na proposta original. Quem deu o aval para essas alterações? Elas foram feitas para reduzir custos?”, questionou o deputado durante o discurso.
Outro ponto levantado por Edvaldo Magalhães diz respeito à origem dos recursos utilizados na construção da ponte. Segundo ele, há indícios de que parte do financiamento possa ter sido proveniente de emendas federais conhecidas como “emendas PIX”. Caso a participação de recursos federais seja confirmada, o parlamentar defende que a Polícia Federal seja acionada para atuar nas investigações.
O deputado também cobrou esclarecimentos sobre a execução da obra e questionou se a empresa contratada realizou integralmente os serviços ou se houve participação de terceiros por meio de acordos não formalizados. Para ele, é necessário que todas as etapas da contratação e execução sejam analisadas para identificar eventuais responsabilidades.
Durante o pronunciamento, Edvaldo ainda mencionou a ligação da construtora com outras obras públicas investigadas anteriormente, defendendo que todos os fatos sejam apurados sem qualquer tipo de restrição. Segundo ele, a população de Sena Madureira e do Acre merece respostas claras sobre os motivos que levaram ao colapso de uma obra que recebeu investimentos milionários.
Ao encerrar sua fala, o parlamentar destacou a necessidade de reconstrução da ponte e elogiou a iniciativa do ex-senador Jorge Viana em buscar apoio do Governo Federal para solucionar o problema da mobilidade no município. Para Edvaldo, além de garantir uma nova estrutura para a população, é fundamental que as investigações apontem responsabilidades e assegurem a correta aplicação dos recursos públicos.
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Julgamento de Antônia Lúcia no STF é suspenso após pedido de vista de Cristiano Zanin quando relator já votava pela condenação

Análise da ação penal é interrompida quando relator já havia votado pela condenação da parlamentar por peculato – Foto: Reprodução
O julgamento da ação penal que envolve a deputada federal Antônia Lúcia Câmara foi interrompido no Supremo Tribunal Federal (STF) após o ministro Cristiano Zanin solicitar vista do processo. Com a medida, a análise do caso fica temporariamente suspensa até que o magistrado conclua o exame dos autos e devolva a ação para continuidade da votação.
A discussão ocorre no âmbito da Primeira Turma do STF e trata de supostas irregularidades relacionadas ao uso de recursos públicos durante o exercício do mandato parlamentar. Antes da suspensão, o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, apresentou voto favorável à condenação da deputada pelo crime de peculato.
Segundo o entendimento do relator, ficou demonstrado que um servidor nomeado para atuar no gabinete parlamentar teria desempenhado atividades voltadas exclusivamente aos interesses de uma empresa de comunicação ligada à família da congressista. Para Moraes, o conjunto de provas reunido ao longo da investigação aponta para o uso indevido da estrutura pública em benefício privado.
No voto apresentado, o ministro destacou que documentos, depoimentos e decisões judiciais analisadas durante a instrução processual reforçam a tese de que o servidor não exerceu funções relacionadas às atividades legislativas para as quais foi contratado. A acusação sustenta que o funcionário atuava diretamente na Rádio e TV Boas Novas, vinculada ao núcleo familiar da parlamentar.
Alexandre de Moraes também rejeitou um pedido da defesa para aplicação do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). De acordo com o relator, a negativa do benefício pela Procuradoria-Geral da República foi devidamente fundamentada e não havia mais possibilidade processual para rediscussão da matéria.
Em relação à pena, o voto propõe a condenação de Antônia Lúcia a 6 anos, 2 meses e 20 dias de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa. O relator ainda determinou uma indenização mínima de R$ 115,3 mil aos cofres públicos, valor correspondente ao prejuízo apontado na ação.
Outro ponto destacado no julgamento é que uma eventual condenação confirmada por órgão colegiado poderá produzir reflexos na situação eleitoral da parlamentar, em razão das regras previstas na Lei da Ficha Limpa para crimes contra a administração pública.
A ação tem origem em investigação conduzida pelo Ministério Público Federal, que apura a suposta utilização de cargos públicos para atender interesses particulares. A defesa da deputada nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações não encontram respaldo nos fatos.
Com o pedido de vista apresentado por Cristiano Zanin, ainda não há data definida para a retomada do julgamento. O desfecho do caso dependerá dos votos dos demais integrantes da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
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