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Márcio Bittar deixa problemas do Acre em segundo plano e aposta em ataques a Érika Hilton, STF e discurso bolsonarista pela reeleição
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Em encontro com apoiadores ligados à Assembleia de Deus, senador voltou a invocar Bolsonaro, atacou Érika Hilton e o STF e reforçou estratégia de mobilizar o eleitorado conservador.
Em plena corrida pela reeleição ao Senado, Márcio Bittar (PL) voltou a recorrer a temas ideológicos e religiosos para mobilizar sua base política. Neste domingo, durante uma reunião com amigos e apoiadores do pastor Luiz Gonzaga, o parlamentar concentrou boa parte de seu discurso em questões relacionadas à família, religião, identidade de gênero e ao legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um dos trechos mais contundentes ocorreu quando Bittar direcionou críticas à deputada federal Érika Hilton, mulher trans. Ao comentar a atuação de Hilton em um colegiado da Câmara, o senador afirmou que uma comissão voltada às mulheres estaria sendo presidida por “um homem biológico que tem testículos” e declarou que a situação “não tem cabimento”. A fala transforma a identidade de gênero da parlamentar em instrumento de confronto eleitoral e reforça uma retórica que costuma mobilizar setores conservadores.
O episódio também chama atenção pela estratégia escolhida por Bittar para defender mais oito anos no Senado. Em vez de concentrar a manifestação em um balanço detalhado de seu mandato, apresentar resultados concretos ou explicar quais projetos pretende priorizar para enfrentar problemas do Acre, o senador deu protagonismo às chamadas guerras culturais.
No mesmo discurso, Bittar afirmou existir uma espécie de “lavagem cerebral” envolvendo crianças. A declaração foi apresentada no contexto de sua defesa de valores conservadores, mas, conforme as informações divulgadas sobre o encontro, não veio acompanhada de dados ou de uma explicação detalhada que demonstrasse concretamente a dimensão do problema denunciado pelo parlamentar.
O senador também voltou suas críticas contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), repetindo uma linha de enfrentamento às instituições que ganhou espaço entre políticos ligados ao bolsonarismo nos últimos anos. Para Bittar, representantes do campo conservador precisam atuar sem “medo” ou “vergonha” na defesa daquilo que consideram seus principais valores.
A presença constante de Bolsonaro no discurso também evidencia a tentativa de Bittar de manter sua candidatura associada ao ex-presidente. “Quando eu reconheço a importância do presidente Bolsonaro na minha vida, é uma marca que eu carrego”, declarou o senador, reafirmando uma ligação política que pretende apresentar ao eleitorado como parte de sua identidade.
A estratégia, porém, abre espaço para um questionamento inevitável em uma campanha de reeleição: além das disputas ideológicas, qual é o balanço dos resultados do mandato e quais propostas concretas Bittar apresenta para os problemas cotidianos dos acreanos? Infraestrutura, geração de emprego, saúde, educação, produção rural e desenvolvimento econômico são temas que também deverão fazer parte do debate eleitoral.
Ao final do encontro, Bittar pediu que os presentes trabalhassem para ampliar sua votação e fortalecer o projeto conservador no Acre e no país. O discurso deixa claro que o senador pretende fazer da polarização ideológica, da defesa de pautas religiosas e da ligação com Bolsonaro alguns dos principais pilares de sua tentativa de permanecer no Senado.
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Mazinho Serafim terá de explicar na Justiça contratos da ExpoSena após Ministério Público apontar prejuízo de mais de R$ 800 mil

Ex-prefeito contesta acusações sobre contratos de shows da ExpoSena 2024, mas terá de responder na Justiça aos questionamentos.
A gestão do ex-prefeito de Sena Madureira Mazinho Serafim volta ao centro de uma controvérsia envolvendo o uso de dinheiro público. Agora pré-candidato a deputado federal, Mazinho se manifestou nesta quinta-feira (13) depois que o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) ajuizou uma Ação Civil Pública por suposto ato de improbidade administrativa relacionado às contratações de atrações nacionais para a ExpoSena 2024.
De acordo com as informações apresentadas pelo Ministério Público, as supostas irregularidades investigadas teriam provocado prejuízo superior a R$ 800 mil aos cofres públicos. A ação, proposta pela Promotoria de Justiça Cível de Sena Madureira, coloca sob questionamento a forma como recursos municipais foram utilizados na contratação dos shows e leva para o Judiciário uma discussão que atinge diretamente a administração comandada por Mazinho.
Diante da gravidade dos apontamentos, o ex-prefeito divulgou uma nota para rebater as acusações e enfatizar que a abertura da ação não significa condenação. A observação é juridicamente pertinente, já que as alegações ainda precisam ser analisadas pela Justiça e Mazinho terá direito ao contraditório e à ampla defesa. Isso, entretanto, não elimina a necessidade de esclarecimentos sobre os valores apontados pelo órgão responsável pela fiscalização da aplicação dos recursos públicos.
Mazinho também negou ter desviado dinheiro ou recebido qualquer vantagem indevida durante sua administração. Segundo ele, sua defesa pretende demonstrar que não houve intenção de favorecer empresas ou terceiros. O ponto central, porém, deverá ser enfrentado dentro do processo: explicar documentalmente as contratações questionadas e demonstrar a regularidade dos gastos realizados na ExpoSena.
Outro argumento utilizado pelo ex-prefeito é que o Ministério Público teria adotado uma metodologia inadequada ao comparar o valor global desembolsado pelo município com os valores líquidos recebidos diretamente pelos artistas. Para Mazinho, contratos dessa natureza podem envolver outros custos e despesas além do cachê efetivamente destinado à atração. Caberá agora à defesa comprovar essa tese e detalhar a composição dos valores contestados.
A situação ganha ainda mais peso político porque Mazinho Serafim tenta permanecer em evidência no cenário acreano como pré-candidato a deputado federal em 2026. Uma ação envolvendo suspeitas de prejuízo superior a R$ 800 mil durante sua passagem pela Prefeitura de Sena Madureira inevitavelmente coloca sua gestão sob novo escrutínio público, sobretudo porque transparência e responsabilidade com recursos públicos são questões que ultrapassam a disputa eleitoral.
Na nota, o ex-prefeito ainda criticou a repercussão das acusações antes de uma eventual decisão condenatória e pediu que seja preservada a distinção entre as alegações do Ministério Público e fatos definitivamente reconhecidos pela Justiça. De fato, Mazinho não pode ser tratado como condenado neste processo enquanto não houver decisão judicial nesse sentido. Por outro lado, o ajuizamento da ação por um órgão público de fiscalização constitui um fato de interesse público e os questionamentos apresentados deverão receber respostas no curso da ação.
Mazinho afirma estar tranquilo e confiante de que conseguirá demonstrar a regularidade de sua atuação. A partir de agora, porém, mais do que declarações públicas, serão documentos, contratos, pagamentos, justificativas e provas apresentados no processo que poderão esclarecer o que ocorreu nas contratações da ExpoSena 2024. Para quem administrou recursos públicos e agora busca uma cadeira na Câmara dos Deputados, prestar contas de forma transparente sobre um questionamento dessa dimensão passa a ser parte incontornável do debate público.
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