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CEDIM/AC se manifesta sobre nomeação de Madson Cameli, que responde a processo por violência doméstica, e decisão de Mailza Assis gera forte reação
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Estado lidera índices de feminicídio no país enquanto decisão política gera indignação e questionamentos sobre coerência institucional.
O Acre, que amarga o primeiro lugar no ranking nacional de feminicídios, volta ao centro de um debate delicado após o Governo do Estado, sob comando da governadora Mailza Assis, nomear para um cargo de confiança de alto escalão um homem que responde a processo criminal por violência doméstica. O caso não envolve apenas suspeitas: trata-se de uma ação penal já recebida pelo Poder Judiciário e em fase avançada de instrução.
A decisão provocou forte reação do Conselho Estadual de Direitos da Mulher, que classificou a nomeação como inaceitável diante do cenário enfrentado pelas mulheres acreanas. Para o colegiado, não se trata de um equívoco administrativo, mas de uma escolha política que carrega implicações diretas na credibilidade institucional.
De acordo com o Conselho, o processo contra o nomeado reúne provas consideradas relevantes, amplamente divulgadas pela imprensa local, incluindo registros em vídeo nos quais o próprio acusado admite a agressão. Mesmo diante desse contexto, o governo optou por mantê-lo em uma função estratégica, com status equivalente ao de secretário.
A repercussão levanta uma questão central: qual mensagem o Estado transmite às mulheres que denunciam seus agressores? Em um ambiente já marcado por medo e subnotificação, a decisão pode ser interpretada como um sinal de tolerância institucional, enfraquecendo a confiança nas políticas públicas de proteção.
Nos bastidores políticos, o episódio também respinga no grupo que comanda o Estado há anos, liderado pelo governador Gladson Cameli, aliado direto de Mailza. A proximidade política amplia a pressão por explicações e por um posicionamento mais firme diante da repercussão negativa.
O posicionamento do Conselho faz questão de separar a crítica institucional de ataques pessoais à governadora, reconhecendo sua legitimidade no cargo. Ainda assim, reforça que a escolha de um réu por violência doméstica para uma função de destaque torna o ato politicamente indefensável.
Do ponto de vista legal, a nomeação não configura irregularidade, já que não há condenação definitiva. Também não se enquadra como nepotismo, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o debate ultrapassa a esfera jurídica e se concentra na coerência das decisões políticas.
Especialistas e entidades apontam que a credibilidade das políticas públicas de combate à violência contra a mulher depende de exemplos concretos dentro do próprio governo. Quando há contradição entre discurso e prática, o impacto pode ser direto na confiança da população.
Em um estado onde os índices de violência seguem alarmantes, a escolha de nomes para cargos estratégicos ganha peso ainda maior. Para o Conselho Estadual de Direitos da Mulher, abrir espaço institucional para alguém que responde por esse tipo de crime compromete a mensagem de proteção que o Estado deveria garantir.
Diante da repercussão, cresce a pressão para que o governo de Mailza Assis reavalie a decisão ou esclareça os critérios adotados. Para as entidades de defesa das mulheres, o momento exige responsabilidade, coerência e compromisso real com a proteção das acreanas.

Veja abaixo a Nota de Repúdio
O Acre lidera os índices de feminicídio no Brasil. Ainda assim, o Governo do Estado acaba de nomear, para cargo de confiança de alto escalão, um homem que responde a processo criminal por violência doméstica. Não se trata de mera denúncia: é uma ação penal já recebida pelo Poder Judiciário e em fase avançada de instrução.
Não é descuido. É escolha.
O Conselho Estadual de Direitos da Mulher repudia essa nomeação para a chefia de gabinete com status de secretário. Não se trata de um processo qualquer: há provas relevantes, amplamente divulgadas pela imprensa local, incluindo vídeo em que o próprio réu admite a agressão. O processo avança, e ainda assim o nome foi escolhido.
Que mensagem isso transmite às mulheres acreanas que denunciam seus agressores? Que o Estado as protege, ou que o Estado acomoda quem as agride?
Deixemos claro: não se trata de questionar a Governadora. Reconhecemos sua absoluta competência para exercer o cargo com autoridade e legitimidade. O que torna o ato indefensável é a nomeação de um réu por violência doméstica em um estado que ocupa o triste posto de maior índice de feminicídios do país.
Também não se trata de nepotismo, pois conhecemos a decisão do Supremo Tribunal Federal; tampouco de ilegalidade, já que não houve condenação, ainda. O que está em jogo é a coerência política.
A escolha de um nome que responde a processo criminal por violência doméstica compromete a credibilidade das políticas públicas de enfrentamento à violência contra mulheres e transmite à sociedade uma mensagem de tolerância institucional que não pode ser admitida.
Não se combate o feminicídio apenas com discursos, mas com práticas coerentes. Abrir espaço institucional para quem responde por agressão contra mulher é incompatível com o compromisso que o Estado deve assumir.
As mulheres acreanas merecem um governo que escolha o lado delas. O Conselho Estadual de Direitos da Mulher exige decisões alinhadas com ética, respeito e proteção às mulheres do Acre.
Conselho Estadual de Direitos da Mulher — Acre
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Veja o vídeo: Vereador André Kamai celebra projeto do presidente Lula que põe fim à escala 6×1 e convoca pressão popular sobre Congresso

O fim da escala 6×1 vai gerar emprego, abrir mais possibilidades de trabalho, diz vereador – Foto: Paulo Murilo
Na Câmara Municipal de Rio Branco, o vereador André Kamai levou à tribuna um discurso marcado por tom histórico e sensível ao cotidiano dos trabalhadores. O parlamentar celebrou o envio, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de um projeto de lei ao Congresso Nacional, em regime de urgência, que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil.
Para Kamai, a medida vai além de uma simples reorganização do tempo de serviço. “Isso é a possibilidade de garantir dignidade, de garantir qualidade de vida aos trabalhadores e às trabalhadoras desse país”, afirmou. Em sua fala, ele resgatou marcos históricos para sustentar o argumento de que avanços sociais não impedem o desenvolvimento econômico. “A jornada já foi de 48 horas, foi reduzida para 44 na Constituição de 1988, e o Brasil não quebrou. Pelo contrário, cresceu”, destacou.
O vereador também rebateu críticas comuns ao projeto, especialmente a ideia de que o fim da escala 6×1 geraria desemprego. “Não é real. Acho que o fim da escala 6×1 vai gerar emprego, abrir mais possibilidades de trabalho e aumentar a produtividade”, pontuou, ao defender que o mercado tende a se adaptar às mudanças.
Um dos pontos mais enfáticos do discurso foi o olhar para a realidade das mulheres trabalhadoras. Kamai destacou que, mesmo fora do ambiente formal, muitas seguem submetidas a jornadas contínuas dentro de casa. “Uma mulher que trabalha numa escala 6×1 não tem um dia de descanso. O único dia que ela tem é para trabalhar em casa”, afirmou, relacionando o debate à estrutura social ainda marcada por desigualdades de gênero.
Além de defender a proposta, Kamai fez um chamado direto à sociedade acreana para que participe ativamente do debate. O parlamentar convocou a população a pressionar os deputados federais e senadores do Acre pela aprovação do projeto, destacando que a mobilização popular será decisiva para o avanço da matéria no Congresso Nacional. “É fundamental que a gente cobre nossos representantes para que aprovem esse projeto”, reforçou.
O parlamentar também ressaltou que a proposta prevê regras de transição para adaptação do setor produtivo e não impede que trabalhadores busquem outras fontes de renda, caso desejem. Ao contrário, segundo ele, amplia possibilidades ao garantir mais tempo livre.
Encerrando o pronunciamento, Kamai reforçou o sentido humano da proposta: “O trabalho precisa permitir tempo para os filhos, para estudar, para cuidar da saúde e da própria vida”. Para ele, a redução da jornada, sem diminuição salarial, representa um passo importante para um país mais justo, produtivo e equilibrado.
A proposta segue agora para debate no Congresso Nacional, onde deve mobilizar diferentes setores da sociedade. Em Rio Branco, no entanto, o tema já ecoa como um chamado à valorização de quem sustenta, com seu trabalho, o desenvolvimento do país.
Veja o vídeo:
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