RIO BRANCO
Pesquisar
Close this search box.

Amazônia

Queimadas disparam mais de 700% em agosto no Acre, mas mês tem menor número de focos em 12 anos

Publicados

Amazônia

Estado contabilizou 487 focos de calor em agosto, contra 56 em julho – Foto: Arquivo/Instituto de Meio Ambiente do Acre-AC

O período mais crítico do verão amazônico começou a provocar uma mudança significativa no cenário ambiental do Acre. Depois de sete meses consecutivos com menos de 100 ocorrências mensais, o estado contabilizou 487 focos de queimadas em agosto, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O resultado representa crescimento de aproximadamente 769,6% na comparação com julho, quando foram identificados 56 focos.

Apesar da disparada de um mês para o outro, os números apresentam um contraste importante. Os 487 focos registrados em agosto representam o menor resultado para o mês nos últimos 12 anos. Entre 1º de janeiro e 1º de setembro, o Acre acumulou 594 ocorrências, número ainda inferior aos 752 focos registrados no mesmo intervalo de 2025.

Focos aumentaram com chegada do período mais seco

Os primeiros meses de 2026 foram marcados por baixa ocorrência de queimadas no estado. Janeiro e fevereiro tiveram dois focos cada, março não registrou nenhuma ocorrência e abril voltou a contabilizar apenas dois. A mudança começou a aparecer em maio, com 15 registros, seguida de 20 em junho e 56 em julho. Em agosto, com o avanço da estiagem, o número saltou para 487.

Leia Também:  Feijó, Tarauacá e Sena Madureira entram no ranking dos municípios que mais desmataram na Amazônia Legal

A tendência exige atenção principalmente porque o Acre entra justamente nos meses historicamente mais favoráveis à propagação do fogo. Agosto, setembro e outubro concentram parte significativa das queimadas durante o verão amazônico, período caracterizado pela redução das chuvas e maior vulnerabilidade da vegetação. Somente no primeiro dia de setembro, outros dez focos já haviam sido identificados pela plataforma de monitoramento.

Desmatamento também acende alerta no interior

O aumento das queimadas ocorre paralelamente à pressão do desmatamento sobre municípios acreanos. Levantamento divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) colocou Feijó, Tarauacá e Sena Madureira entre os municípios que mais desmataram na Amazônia Legal em julho de 2026. Feijó apareceu na segunda posição do ranking, Tarauacá ficou em terceiro e Sena Madureira ocupou o oitavo lugar.

Os três municípios acreanos ficaram atrás de Altamira, no Pará, que liderou o levantamento. Conforme os dados do Imazon, o Acre concentrou 22% de todo o desmatamento identificado na Amazônia Legal em julho, alcançando aproximadamente 97 quilômetros quadrados de área desmatada. Os indicadores reforçam a necessidade de fiscalização e prevenção justamente no período em que as condições climáticas aumentam os riscos de incêndios florestais e queimadas em diferentes regiões do estado.

Propaganda

Amazônia

TCE-AC, AMAC e IRI Brasil promovem encontro sobre agenda climática e preparação dos municípios para eventos extremos

Publicados

em

“Agenda Climática na Amazônia Acreana – Municípios em Rede pelo Clima” reunirá prefeitos, gestores, pesquisadores e instituições para discutir prevenção – Foto: Assessoria

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), a Associação dos Municípios do Acre (AMAC) e a Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais no Brasil (IRI Brasil) promovem, na próxima terça-feira, 1º de setembro, um encontro voltado à preparação dos municípios acreanos para os impactos das mudanças climáticas e a ocorrência de eventos extremos. A “Agenda Climática na Amazônia Acreana – Municípios em Rede pelo Clima” será realizada no Plenário do TCE-AC, em Rio Branco, reunindo prefeitos, gestores públicos, pesquisadores, especialistas e representantes de instituições.

A iniciativa, que envolve também a Escola de Contas e as ações de Sustentabilidade do TCE-AC, busca fortalecer uma rede colaborativa entre municípios e instituições, com foco na gestão de riscos e desastres, na proteção da população e no aumento da capacidade de resposta das administrações municipais. A ação também pretende ouvir diretamente os prefeitos e gestores sobre as dificuldades, demandas e desafios enfrentados pelas prefeituras na prevenção e resposta a secas, queimadas, alagações e outros eventos climáticos extremos.

Com programação ao longo do dia, o encontro pretende aproximar o conhecimento científico da realidade da gestão municipal, criando um espaço de diálogo e troca de experiências para identificar soluções que possam ser incorporadas ao planejamento das prefeituras.

A proposta parte do entendimento de que a adaptação climática não deve ser tratada apenas como resposta aos desastres, mas como componente permanente da boa gestão pública.

Ciência e os impactos das mudanças climáticas no Acre

A programação da manhã será dedicada ao painel “O que a ciência já nos diz: como as mudanças climáticas estão afetando os municípios acreanos e o que pode ser feito para proteger a população”.

Leia Também:  TCE-AC, AMAC e IRI Brasil promovem encontro sobre agenda climática e preparação dos municípios para eventos extremos

O pesquisador Dr. Foster Brown, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apresentará o contexto climático do Acre, as tendências observadas, os riscos e as perspectivas para os próximos anos.

Em seguida, a Dra. Jussara Carvalho, da Câmara Temática de Adaptação Climática do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, abordará a adaptação climática na prática e os caminhos para transformar o conhecimento científico em políticas e ações municipais.

O painel contará ainda com a participação de Rayanne Cristine Maximo França, representante do UNICEF, que tratará da vulnerabilidade social e climática, especialmente dos impactos dos eventos extremos sobre crianças, adolescentes e populações mais vulneráveis. A apresentação também abordará os protocolos de atuação do UNICEF diante de situações emergenciais, como queimadas e alagações no ambiente escolar. A moderação será de Carlos Vicente, do TCE-AC.

Prefeitos apresentam experiências, dificuldades e demandas

No período da tarde, o encontro avança da ciência para a realidade da administração municipal. O painel “Da ciência à gestão: como os municípios acreanos podem se preparar para os próximos eventos climáticos extremos” terá caráter prático e será um espaço para ouvir os gestores sobre as dificuldades enfrentadas pelas prefeituras, as demandas dos municípios e as medidas que podem ser implementadas diante dos riscos climáticos.

Participam desse momento o prefeito de Cruzeiro do Sul e presidente da AMAC, Zequinha Lima, e o prefeito de Feijó, Delegado Railson, que compartilharão experiências e desafios vivenciados pelos municípios. A moderação será da conselheira Naluh Gouveia, do TCE-AC. A programação prevê ainda destaque para a experiência de Plácido de Castro como município ODS.

Leia Também:  Feijó, Tarauacá e Sena Madureira entram no ranking dos municípios que mais desmataram na Amazônia Legal

A proposta é que as experiências apresentadas pelos prefeitos ajudem a aproximar o debate climático das condições concretas enfrentadas pelas administrações municipais. A escuta das prefeituras também deverá contribuir para identificar necessidades e caminhos possíveis para fortalecer ações de prevenção, planejamento e resposta aos eventos extremos.

Pacto pela Resiliência dos Municípios Acreanos

Um dos momentos centrais da programação será o Pacto pela Resiliência dos Municípios Acreanos, previsto para as 15h. A iniciativa pretende estabelecer compromissos dos gestores municipais voltados à proteção da população diante dos eventos climáticos extremos.

Durante o encontro, será apresentada, lida e assinada a Carta de Compromisso dos Gestores Municipais do Acre pela Redução dos Riscos Climáticos e Proteção da População. O documento deverá estabelecer compromissos objetivos e compatíveis com as diferentes capacidades administrativas e financeiras dos municípios acreanos.

A expectativa é que o pacto fortaleça a cooperação entre municípios e instituições e contribua para transformar a agenda climática em ações permanentes de planejamento, prevenção e preparação para situações de emergência.

O encerramento está previsto para as 16h, com pronunciamento da Presidência do Tribunal de Contas do Estado do Acre e destaque para os compromissos assumidos pelos gestores municipais ao longo do encontro.

Serviço

Evento: Agenda Climática na Amazônia Acreana – Municípios em Rede pelo Clima

Data: 1º de setembro de 2026 (terça-feira)

Credenciamento: 8h

Programação: a partir das 9h

Local: Plenário do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), em Rio Branco

Realização: TCE-AC, por meio da Escola de Contas e das ações de Sustentabilidade, em parceria com a AMAC e a IRI Brasil.

Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

EDUCAÇÃO

CONCURSO

ESPORTE

MAIS LIDAS DA SEMANA