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TCE-AC, AMAC e IRI Brasil promovem encontro sobre agenda climática e preparação dos municípios para eventos extremos

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“Agenda Climática na Amazônia Acreana – Municípios em Rede pelo Clima” reunirá prefeitos, gestores, pesquisadores e instituições para discutir prevenção – Foto: Assessoria

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), a Associação dos Municípios do Acre (AMAC) e a Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais no Brasil (IRI Brasil) promovem, na próxima terça-feira, 1º de setembro, um encontro voltado à preparação dos municípios acreanos para os impactos das mudanças climáticas e a ocorrência de eventos extremos. A “Agenda Climática na Amazônia Acreana – Municípios em Rede pelo Clima” será realizada no Plenário do TCE-AC, em Rio Branco, reunindo prefeitos, gestores públicos, pesquisadores, especialistas e representantes de instituições.

A iniciativa, que envolve também a Escola de Contas e as ações de Sustentabilidade do TCE-AC, busca fortalecer uma rede colaborativa entre municípios e instituições, com foco na gestão de riscos e desastres, na proteção da população e no aumento da capacidade de resposta das administrações municipais. A ação também pretende ouvir diretamente os prefeitos e gestores sobre as dificuldades, demandas e desafios enfrentados pelas prefeituras na prevenção e resposta a secas, queimadas, alagações e outros eventos climáticos extremos.

Com programação ao longo do dia, o encontro pretende aproximar o conhecimento científico da realidade da gestão municipal, criando um espaço de diálogo e troca de experiências para identificar soluções que possam ser incorporadas ao planejamento das prefeituras.

A proposta parte do entendimento de que a adaptação climática não deve ser tratada apenas como resposta aos desastres, mas como componente permanente da boa gestão pública.

Ciência e os impactos das mudanças climáticas no Acre

A programação da manhã será dedicada ao painel “O que a ciência já nos diz: como as mudanças climáticas estão afetando os municípios acreanos e o que pode ser feito para proteger a população”.

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O pesquisador Dr. Foster Brown, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apresentará o contexto climático do Acre, as tendências observadas, os riscos e as perspectivas para os próximos anos.

Em seguida, a Dra. Jussara Carvalho, da Câmara Temática de Adaptação Climática do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, abordará a adaptação climática na prática e os caminhos para transformar o conhecimento científico em políticas e ações municipais.

O painel contará ainda com a participação de Rayanne Cristine Maximo França, representante do UNICEF, que tratará da vulnerabilidade social e climática, especialmente dos impactos dos eventos extremos sobre crianças, adolescentes e populações mais vulneráveis. A apresentação também abordará os protocolos de atuação do UNICEF diante de situações emergenciais, como queimadas e alagações no ambiente escolar. A moderação será de Carlos Vicente, do TCE-AC.

Prefeitos apresentam experiências, dificuldades e demandas

No período da tarde, o encontro avança da ciência para a realidade da administração municipal. O painel “Da ciência à gestão: como os municípios acreanos podem se preparar para os próximos eventos climáticos extremos” terá caráter prático e será um espaço para ouvir os gestores sobre as dificuldades enfrentadas pelas prefeituras, as demandas dos municípios e as medidas que podem ser implementadas diante dos riscos climáticos.

Participam desse momento o prefeito de Cruzeiro do Sul e presidente da AMAC, Zequinha Lima, e o prefeito de Feijó, Delegado Railson, que compartilharão experiências e desafios vivenciados pelos municípios. A moderação será da conselheira Naluh Gouveia, do TCE-AC. A programação prevê ainda destaque para a experiência de Plácido de Castro como município ODS.

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A proposta é que as experiências apresentadas pelos prefeitos ajudem a aproximar o debate climático das condições concretas enfrentadas pelas administrações municipais. A escuta das prefeituras também deverá contribuir para identificar necessidades e caminhos possíveis para fortalecer ações de prevenção, planejamento e resposta aos eventos extremos.

Pacto pela Resiliência dos Municípios Acreanos

Um dos momentos centrais da programação será o Pacto pela Resiliência dos Municípios Acreanos, previsto para as 15h. A iniciativa pretende estabelecer compromissos dos gestores municipais voltados à proteção da população diante dos eventos climáticos extremos.

Durante o encontro, será apresentada, lida e assinada a Carta de Compromisso dos Gestores Municipais do Acre pela Redução dos Riscos Climáticos e Proteção da População. O documento deverá estabelecer compromissos objetivos e compatíveis com as diferentes capacidades administrativas e financeiras dos municípios acreanos.

A expectativa é que o pacto fortaleça a cooperação entre municípios e instituições e contribua para transformar a agenda climática em ações permanentes de planejamento, prevenção e preparação para situações de emergência.

O encerramento está previsto para as 16h, com pronunciamento da Presidência do Tribunal de Contas do Estado do Acre e destaque para os compromissos assumidos pelos gestores municipais ao longo do encontro.

Serviço

Evento: Agenda Climática na Amazônia Acreana – Municípios em Rede pelo Clima

Data: 1º de setembro de 2026 (terça-feira)

Credenciamento: 8h

Programação: a partir das 9h

Local: Plenário do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), em Rio Branco

Realização: TCE-AC, por meio da Escola de Contas e das ações de Sustentabilidade, em parceria com a AMAC e a IRI Brasil.

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Feijó, Tarauacá e Sena Madureira entram no ranking dos municípios que mais desmataram na Amazônia Legal

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Dados do Imazon apontam que o Acre concentrou 22% do desmatamento registrado na região em julho de 2026 – Foto: Batalhão de Policiamento Ambiental

Três municípios acreanos ganharam destaque negativo nos dados mais recentes sobre a perda de vegetação na Amazônia Legal. Feijó, Tarauacá e Sena Madureira aparecem entre as cidades com maior área desmatada em julho de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Feijó ficou na segunda colocação nacional, Tarauacá ocupou o terceiro lugar e Sena Madureira apareceu na oitava posição. Altamira, no Pará, liderou o ranking.

Os números também colocam o Acre entre os estados com maior participação no desmatamento identificado naquele mês. Foram detectados 97 km² de áreas desmatadas no território acreano, correspondentes a 22% do total registrado na Amazônia Legal. Na comparação com julho de 2025, quando o estado contabilizou 56 km², houve crescimento de 73%, indicando uma forte aceleração das derrubadas no período analisado.

O comportamento muda quando a análise considera um intervalo mais longo. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o Acre acumulou 327 km² de áreas desmatadas, resultado 12% inferior aos 372 km² registrados entre agosto de 2024 e julho de 2025. Dessa forma, embora julho tenha apresentado forte crescimento, o balanço dos últimos 12 meses ainda aponta redução no volume total de floresta derrubada.

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Outro indicador que chama atenção é o da degradação florestal, situação em que a vegetação permanece parcialmente em pé, mas sofre danos que comprometem sua estrutura e suas funções ambientais. Somente em julho, o Acre registrou 39 km² de áreas degradadas e respondeu por 36% de toda a degradação identificada na Amazônia Legal. O resultado, entretanto, ficou 40% abaixo dos 65 km² registrados no mesmo mês de 2025.

No acumulado anual, a tendência da degradação foi diferente da observada no desmatamento. Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), utilizado pelo Imazon, indicam que o estado chegou a 148 km² de florestas degradadas entre agosto de 2025 e julho de 2026. No período imediatamente anterior haviam sido contabilizados 144 km², o que representa crescimento de aproximadamente 3%.

A pressão sobre a floresta também alcançou áreas protegidas. Entre as Unidades de Conservação acreanas que aparecem no levantamento estão a Reserva Extrativista Chico Mendes, na terceira posição; as Florestas Estaduais do Rio Gregório, Mogno e Rio Liberdade, respectivamente na quarta, quinta e sétima colocações; além das Reservas Extrativistas Alto Juruá, em oitavo, e Riozinho da Liberdade, em décimo lugar. Duas Terras Indígenas também foram mencionadas: Kaxinawa Nova Olinda, em Feijó, na quarta posição, e Mamoadate, localizada entre Assis Brasil e Sena Madureira, na sexta.

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Os dados revelam um cenário de contrastes para o Acre: enquanto o desmatamento acumulado em 12 meses apresentou redução, julho registrou uma expansão expressiva das derrubadas, especialmente em municípios do interior. Ao mesmo tempo, a degradação florestal caiu na comparação mensal, mas avançou no acumulado anual. Os resultados reforçam a necessidade de acompanhamento permanente das áreas mais pressionadas e das regiões protegidas, principalmente diante da presença de municípios, Unidades de Conservação e Terras Indígenas acreanas entre os destaques do levantamento.

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