Amazônia
Ararinhas-azuis testam positivo para circovírus e falhas em biossegurança geram multas milionárias
Amazônia

Falhas graves no manejo levam 11 ararinhas-azuis a testarem positivo para circovírus – Foto: Reprodução/ ICMBio
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmou que as 11 ararinhas-azuis recapturadas no início de novembro apresentaram resultado positivo para circovírus, vírus que provoca a chamada doença do bico e das penas, comum entre psitacídeos. As aves, repatriadas da Europa e soltas em Curaçá (BA) em 2022, passaram por exames após suspeitas de contaminação. A enfermidade, que não afeta humanos nem aves de criação, é considerada grave e costuma ser fatal para as espécies atingidas.
A constatação levou o ICMBio a reforçar protocolos de emergência para evitar a disseminação do vírus entre araras e outras espécies da Caatinga. Durante fiscalizações com apoio do Inema e da Polícia Federal, os técnicos identificaram que o criadouro responsável pelos animais descumpria medidas básicas de biossegurança, como higienização adequada das instalações e uso de equipamentos de proteção pelos funcionários. As irregularidades resultaram em autos de infração que somam quase R$ 2 milhões aplicados ao Criadouro Ararinha Azul e a seu diretor.
Além da situação sanitária, o órgão também voltou a destacar problemas envolvendo a parceria com a Associação para Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP), organização alemã que detém a maior parte da população mundial da espécie. O acordo firmado em 2019 foi encerrado neste ano após a entidade transferir 26 ararinhas da Alemanha para a Índia sem conhecimento do ICMBio, contrariando regras estabelecidas para o manejo e a conservação da espécie. A decisão teve apoio do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama.
Apesar do rompimento da cooperação, o ICMBio afirma que as ações de preservação da ararinha-azul continuarão seguindo os planos oficiais de conservação da Caatinga, com foco na proteção das unidades de conservação de Curaçá e na manutenção de uma população saudável para futuras reintroduções. A investigação sobre a origem do circovírus segue em andamento, enquanto as aves contaminadas serão mantidas separadas dos indivíduos saudáveis para impedir novos casos.
Amazônia
Queimadas disparam mais de 700% em agosto no Acre, mas mês tem menor número de focos em 12 anos

Estado contabilizou 487 focos de calor em agosto, contra 56 em julho – Foto: Arquivo/Instituto de Meio Ambiente do Acre-AC
O período mais crítico do verão amazônico começou a provocar uma mudança significativa no cenário ambiental do Acre. Depois de sete meses consecutivos com menos de 100 ocorrências mensais, o estado contabilizou 487 focos de queimadas em agosto, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O resultado representa crescimento de aproximadamente 769,6% na comparação com julho, quando foram identificados 56 focos.
Apesar da disparada de um mês para o outro, os números apresentam um contraste importante. Os 487 focos registrados em agosto representam o menor resultado para o mês nos últimos 12 anos. Entre 1º de janeiro e 1º de setembro, o Acre acumulou 594 ocorrências, número ainda inferior aos 752 focos registrados no mesmo intervalo de 2025.
Focos aumentaram com chegada do período mais seco
Os primeiros meses de 2026 foram marcados por baixa ocorrência de queimadas no estado. Janeiro e fevereiro tiveram dois focos cada, março não registrou nenhuma ocorrência e abril voltou a contabilizar apenas dois. A mudança começou a aparecer em maio, com 15 registros, seguida de 20 em junho e 56 em julho. Em agosto, com o avanço da estiagem, o número saltou para 487.
A tendência exige atenção principalmente porque o Acre entra justamente nos meses historicamente mais favoráveis à propagação do fogo. Agosto, setembro e outubro concentram parte significativa das queimadas durante o verão amazônico, período caracterizado pela redução das chuvas e maior vulnerabilidade da vegetação. Somente no primeiro dia de setembro, outros dez focos já haviam sido identificados pela plataforma de monitoramento.
Desmatamento também acende alerta no interior
O aumento das queimadas ocorre paralelamente à pressão do desmatamento sobre municípios acreanos. Levantamento divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) colocou Feijó, Tarauacá e Sena Madureira entre os municípios que mais desmataram na Amazônia Legal em julho de 2026. Feijó apareceu na segunda posição do ranking, Tarauacá ficou em terceiro e Sena Madureira ocupou o oitavo lugar.
Os três municípios acreanos ficaram atrás de Altamira, no Pará, que liderou o levantamento. Conforme os dados do Imazon, o Acre concentrou 22% de todo o desmatamento identificado na Amazônia Legal em julho, alcançando aproximadamente 97 quilômetros quadrados de área desmatada. Os indicadores reforçam a necessidade de fiscalização e prevenção justamente no período em que as condições climáticas aumentam os riscos de incêndios florestais e queimadas em diferentes regiões do estado.
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