Política
Vereador André Kamai dispara contra deputados do Acre por serem contra o fim da escala 6×1 e ignorarem sofrimento dos trabalhadores
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“Defendem os próprios interesses”, afirma André Kamai ao criticar deputados acreanos contrários ao fim da jornada 6×1.
O vereador de Rio Branco, André Kamai, não poupou palavras ao analisar as recentes manobras que tentam esvaziar a proposta original de redução de carga horária. O tom, que misturou indignação com um apelo profundamente humanitário, mirou de frente as emendas articuladas em Brasília que tentam adiar a mudança por uma década e, paradoxalmente, abrir brechas para jornadas semanais ainda maiores.
Para o parlamentar, a discussão travada no Congresso Nacional vai muito além de planilhas econômicas ou estatísticas corporativas; trata-se de dignidade humana básica. Kamai defendeu que a extinção do modelo atual e a migração para a escala de cinco dias trabalhados por dois de folga representa, na verdade, um passo essencial. “Olha, o fim da jornada 6×1 é um avanço, um avanço civilizatório”, pontuou Kamai, insistindo que o trabalhador brasileiro não pode continuar sendo enxergado apenas como uma engrenagem de produção.
A crítica do vereador ganhou contornos locais e mais duros ao atingir diretamente os representantes do próprio estado no parlamento federal. Sem rodeios, Kamai associou o posicionamento da maioria dos deputados acreanos à sua origem socioeconômica, apontando um claro conflito de interesses na representação popular. “Lamentavelmente, deputados do Acre que, coincidentemente, em sua grande maioria são empresários, estão lá atuando em favor dos seus próprios interesses e não em favor do interesse do povo do Acre”, disparou, evidenciando o descompasso entre a realidade das ruas e os votos dados na capital federal.
O ponto central do desabafo do parlamentar reside nas emendas apresentadas por setores ligados ao empresariado e ao Centrão. O texto sugerido por esses grupos propõe uma transição arrastada por dez anos e abre a possibilidade de aumentar o limite semanal de trabalho por meio de acordos individuais. Kamai classificou essas medidas como um retrocesso que desfigura o espírito da mudança. Ele lembrou que o cerne do movimento nacional pelo fim da escala exaustiva é a busca por saúde mental e física, algo sintetizado no próprio nome da mobilização popular. “O movimento que discute isso chama Vida Além do Trabalho. Que além de trabalhar, todo mundo quer viver, quer ter uma relação com a sua família”, defendeu.
Ao contrário do que argumentam as bancadas patronais, que apontam riscos de inflação e quebra de pequenos negócios, o vereador sustentou que a melhora nas condições trabalhistas tem o poder de oxigenar o mercado interno. Segundo sua análise, um trabalhador descansado e com tempo livre consome mais e produz melhor. A redução da carga horária para 40 horas semanais, sem mexer no bolso do trabalhador, seria o motor para novas adequações e geração de vagas formais. “Isso não vai prejudicar a economia. Pelo contrário, isso vai impulsionar”, garantiu, emendando que o ganho de produtividade fatalmente resultaria no aumento da riqueza nacional e do Produto Interno Bruto (PIB).
A fala de Kamai joga luz sobre o abismo que separa as articulações políticas de Brasília da rotina de quem acorda de madrugada na periferia de Rio Branco. Enquanto os gabinetes buscam blindar setores inteiros e reduzir os custos patronais — inclusive propondo o corte nos depósitos do FGTS —, o cidadão comum lida com o esgotamento diário. O parlamentar encerrou seu pronunciamento cobrando sensibilidade dos legisladores para que o país adote regras que garantam, minimamente, o convívio social, o descanso e o afeto. “Então, é isso que a gente está pedindo. Que a gente tenha uma relação humana, decente de trabalho para todos os trabalhadores e trabalhadoras”, concluiu.
Veja o vídeo:
O vereador de Rio Branco, André Kamai, não poupou palavras ao analisar as recentes manobras que tentam esvaziar a proposta original de redução de carga horária. pic.twitter.com/eZrCHh7C5s
— 3 de Julho Notícias (@3dejulhonoticia) May 20, 2026
Política
Prefeito “Padeiro”, nora e secretárias da Prefeitura de Bujari recebem mais de R$ 22 mil em diárias pagas com dinheiro público

Documentos do Portal da Transparência mostram pagamentos para prefeito, secretárias e familiares ligados à gestão municipal.
A gestão do prefeito de Bujari, João Edvaldo Teles de Lima, o “Padeiro”, voltou a ser alvo de críticas após documentos divulgados no Portal da Transparência apontarem gastos superiores a R$ 22 mil em diárias para viagens de integrantes da administração municipal. Entre os beneficiados estão o próprio prefeito, secretárias municipais e até familiares ligados diretamente à gestão.
Os documentos mostram que Nayara Cristina Maciel Cardoso da Mota, secretária municipal de Assistência Social e nora do prefeito “Padeiro”, recebeu o valor de R$ 4.983,60 em diárias. O pagamento teria sido realizado para custear despesas de hospedagem e alimentação.
Outra beneficiada foi Virna Lins D’Ávila, subsecretária de Assistência Social, que também recebeu R$ 4.983,60 em recursos públicos para participação de eventos. Já Emeli do Vale Leal Figueiredo, secretária municipal de Planejamento, recebeu R$ 6.229,50 em diárias pagas pela Prefeitura de Bujari.
O próprio prefeito João Edvaldo Teles de Lima, o “Padeiro”, também aparece nos documentos oficiais recebendo R$ 6.229,50 em diárias para viagem. Somando todos os valores pagos aos quatro integrantes da gestão municipal, o gasto total chega a R$ 22.426,50, dinheiro retirado dos cofres públicos para custear as viagens da comitiva.
Parte dos pagamentos relacionados à área social aparece vinculada à ação orçamentária “Execução de Emendas Parlamentares para Assistência Social SIGTV”, verba que deveria ser utilizada para fortalecer programas sociais, atendimento às famílias carentes e melhorias nos serviços da assistência social do município.
A situação revoltou moradores de Bujari, principalmente diante das constantes reclamações sobre a falta de estrutura nos CRAS, ausência de investimentos em programas sociais e dificuldades enfrentadas por famílias em situação de vulnerabilidade. Nas redes sociais, moradores classificaram o caso como “farra das diárias” e cobraram explicações urgentes da Prefeitura.
Especialistas alertam que recursos da assistência social possuem finalidade específica e precisam ser aplicados diretamente em políticas públicas voltadas à população mais necessitada. Dependendo da destinação prevista no plano de aplicação, o uso desses valores para bancar diárias pode levantar suspeitas de desvio de finalidade e possível improbidade administrativa.
Diante da repercussão, moradores pedem que o Ministério Público do Acre, o Tribunal de Contas do Estado e demais órgãos de fiscalização investiguem a legalidade dos pagamentos, a participação de familiares na gestão e o uso dos recursos públicos em meio às dificuldades enfrentadas pela população de Bujari.
A reportagem reforça que o espaço segue aberto para manifestação do prefeito João Edvaldo Teles de Lima, das secretárias citadas e da Prefeitura de Bujari para esclarecimentos sobre os pagamentos das diárias e a utilização dos recursos públicos.


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