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Ex-deputado Daniel Zen diz que condenação de Gladson Cameli já produz efeito de inelegibilidade e vê cerco judicial da Ptolomeu
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Professor doutor do curso de Direito da Ufac e ex-deputado estadual pelo PT do Acre comentou, em publicação nas redes sociais, a condenação do ex-governador no STJ e o recebimento de nova denúncia contra ele no chamado caso Colorado.
A condenação do ex-governador Gladson Cameli pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) provocou reação do professor doutor do curso de Direito da Universidade Federal do Acre (Ufac) e ex-deputado estadual pelo PT do Acre, Daniel Zen. Em publicação nos stories do Instagram após a sessão da Corte Especial desta quarta-feira, 6 de maio de 2026, Zen afirmou que a decisão já produz efeito político-eleitoral contra o ex-governador.
Gladson foi condenado pela Corte Especial do STJ a 25 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A decisão também fixou multa e indenização ao Estado do Acre. Segundo notícia oficial do tribunal, a indenização foi estabelecida em R$ 11.785.020,31.
No comentário publicado nas redes sociais, Daniel Zen destacou que todos os 11 ministros votaram pela condenação de Gladson. A divergência, segundo ele, ficou restrita à dosimetria da pena, ou seja, ao cálculo final da punição. “Vai recorrer? Com certeza. Mas, já está inelegível”, escreveu.
A avaliação de Zen se apoia na lógica da Lei da Ficha Limpa, que prevê inelegibilidade em determinadas condenações proferidas por órgão judicial colegiado. O professor também fez uma distinção entre os efeitos eleitorais da condenação e a execução da pena de prisão. Segundo ele, a prisão depende do trânsito em julgado final da sentença penal condenatória, enquanto a inelegibilidade não exige esse mesmo marco.
“A inelegibilidade não exige trânsito em julgado. Ela é automática, tendo em vista que a condenação foi por um órgão colegiado”, afirmou Zen, em referência à Lei da Ficha Limpa. Ele acrescentou que eventual Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal pode suspender a execução da pena de prisão, mas não confere automaticamente efeito suspensivo à inelegibilidade. Para isso, segundo o professor, seria necessária uma decisão específica.
O julgamento da Ação Penal 1.076, ligada à Operação Ptolomeu, foi concluído com oito votos acompanhando o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, e três votos também pela condenação, mas com divergência sobre a dosimetria. Ainda cabem recursos, e a defesa de Gladson já indicou que pretende recorrer.
Além da condenação, Daniel Zen chamou atenção para outro movimento do STJ na mesma sessão. A Corte Especial também recebeu uma nova denúncia contra Gladson no Inquérito 1.674, chamado na sessão de caso Colorado. Com isso, o ex-governador saiu do julgamento condenado em uma ação penal e transformado em réu em outra frente da Operação Ptolomeu.
O caso Colorado aparece associado ao contrato 067/2021, firmado pelo Deracre com consórcio liderado pela Construtora Colorado, para obras na rodovia estadual AC-405. A denúncia recebida pelo STJ aponta suposta fraude a procedimento licitatório e peculato-desvio. Nesta etapa, ainda não houve condenação nesse novo caso; o recebimento da denúncia abre a ação penal e permite a continuidade da instrução.
Para Zen, a situação jurídica de Gladson tende a se prolongar. No texto publicado, ele afirmou que o ex-governador “foi condenado em um e se tornou réu em outro processo, tudo no mesmo dia” e acrescentou que ainda haveria outros inquéritos no conjunto da Ptolomeu. “É problema pro resto da vida…”, escreveu.
A manifestação do ex-deputado reforça o peso político do julgamento para o Acre. A decisão do STJ encerra uma etapa da Operação Ptolomeu, mas não encerra a disputa jurídica. Ao mesmo tempo em que a condenação impõe uma barreira eleitoral imediata, a nova denúncia mostra que o caso ainda pode gerar novos capítulos criminais contra o ex-governador.
Daniel Zen é Doutor (UnB) e Mestre (UFSC) em Direito. Professor do Curso de Direito da UFAC com atuação em Direito Administrativo, Direito Internacional e Sociologia do Direito. Ex-diretor-presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, ex-secretário Estadual de Educação e ex-deputado estadual do Acre.



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Gladson Cameli e o senador Ciro Nogueira entram para lista de políticos ligados ao bolsonarismo atingidos por escândalos de corrupção

STJ condena Gladson Cameli a mais de 25 anos de prisão, declara inelegibilidade e crise atinge núcleo bolsonarista do PP após operação contra Ciro Nogueira.
A política acreana voltou ao centro das polêmicas nacionais após a condenação do ex-governador do Acre, Gladson Cameli, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em uma decisão que teria imposto mais de 25 anos de prisão ao líder progressista e decretado sua inelegibilidade. O caso ganhou ainda mais repercussão após a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, atingir diretamente o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas (PP) e um dos principais aliados do bolsonarismo no país.
A ofensiva da Polícia Federal colocou novamente o nome do Acre nas manchetes nacionais, desta vez ligado a denúncias, investigações e suspeitas de corrupção envolvendo figuras centrais do Progressistas. Para muitos analistas políticos, o desgaste provocado pelos escândalos associados ao governo Gladson Cameli representa um dos períodos mais delicados da história política acreana, afetando diretamente a imagem institucional do estado em nível nacional.
A operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Ciro Nogueira, em Brasília, dentro das investigações sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master. O senador, que já ocupou a Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, passou a ser alvo de uma investigação que movimenta os bastidores da política nacional e amplia a pressão sobre o núcleo duro do PP.
Nos corredores de Brasília, a ligação política entre Gladson Cameli e Ciro Nogueira voltou a ganhar destaque. Enquanto Ciro comanda o Progressistas em nível nacional, Gladson lidera a sigla no Acre, formando uma das alianças mais conhecidas do campo bolsonarista. Ambos sempre mantiveram forte alinhamento político com o ex-presidente Jair Bolsonaro e participaram ativamente de agendas ligadas à direita conservadora nos últimos anos.
A situação de Ciro Nogueira também ganhou peso político porque o senador vinha sendo citado nos bastidores como possível nome para compor uma chapa presidencial da direita em 2026, inclusive sendo ventilado como eventual vice de Flávio Bolsonaro. Com a operação da PF avançando sobre aliados estratégicos do Progressistas, o cenário político do partido passa a enfrentar forte desgaste.
A nova fase da Operação Compliance Zero cumpriu mandados no Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Piauí. Além das buscas, a Justiça autorizou bloqueios de bens e valores que ultrapassam R$ 18 milhões. A investigação tenta identificar supostas movimentações financeiras suspeitas e possíveis relações entre empresários, operadores financeiros e agentes públicos.
O avanço das investigações reforçou críticas contra o grupo político ligado ao Progressistas. O Acre, que durante décadas buscou consolidar uma imagem institucional ligada ao desenvolvimento e à estabilidade administrativa, passou a conviver com sucessivos episódios de desgaste político, denúncias e crises que atingiram diretamente o governo Gladson Cameli ao longo dos quase oito anos de gestão.
Nos bastidores políticos acreanos, lideranças já admitem que a condenação e a declaração de inelegibilidade de Gladson Cameli praticamente enterram o futuro político do ex-governador. A decisão do STJ representa um duro golpe para o Progressistas no Acre e abre uma disputa interna sobre quem poderá assumir o comando político do grupo nas próximas eleições.
A crise também provocou reações entre opositores, que passaram a afirmar que “a corrupção bateu na porta” das principais lideranças do PP. A associação entre o nome de Gladson Cameli e as investigações nacionais envolvendo aliados próximos aumentou ainda mais o desgaste da legenda em meio às discussões sobre moralidade administrativa e combate à corrupção.
Mesmo com a repercussão nacional, tanto Ciro Nogueira quanto os demais investigados seguem negando irregularidades. As autoridades destacam que o processo ainda está em fase de investigação e que os envolvidos possuem direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento das apurações conduzidas pela Polícia Federal e supervisionadas pelo STF.
Enquanto isso, o cenário político nacional acompanha com atenção os desdobramentos da operação. A investigação envolvendo uma das principais figuras do Progressistas pode provocar impactos diretos na articulação da direita para as eleições de 2026, especialmente dentro do grupo bolsonarista, que já enfrenta disputas internas e pressão judicial em diversas frentes.
No Acre, a repercussão do caso ampliou o sentimento de desgaste político em torno do grupo que comandou o estado nos últimos anos. Para adversários de Gladson Cameli, o estado acabou marcado nacionalmente por escândalos e crises que, segundo eles, deixaram um dos períodos mais turbulentos da política acreana recente.
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