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Após condenação no STJ, Lei da Ficha Limpa enterrar de vez candidatura de Gladson Cameli ao Senado e afastar ex-governador das eleições
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Condenação no STJ coloca ex-governador do Acre em situação de inelegibilidade prevista na legislação eleitoral.
A condenação do ex-governador do Acre, Gladson Cameli, a mais de 25 anos de prisão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode representar o fim de sua participação nas próximas eleições. Conforme prevê a Lei da Ficha Limpa, políticos condenados por órgão colegiado por crimes ligados à corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública ficam automaticamente inelegíveis, impedidos de disputar cargos eletivos.
A legislação é clara ao determinar que a inelegibilidade passa a valer já a partir da condenação por tribunal colegiado, mesmo que ainda existam recursos pendentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja, a lei não exige o trânsito em julgado da ação para impedir a candidatura. Na prática, isso significa que Gladson Cameli pode ficar impedido de concorrer ao Senado Federal nas eleições de 2026.
A Lei Complementar nº 135 de 2010, mais conhecida como Lei da Ficha Limpa, foi criada como uma emenda à Lei Complementar nº 64/1990 e passou a endurecer as regras de inelegibilidade no Brasil. A norma determina que políticos condenados por órgão colegiado, como turmas ou a Corte Especial do STJ, por crimes ligados à corrupção, lavagem de dinheiro, crimes contra a administração pública e contra o patrimônio público ficam impedidos de disputar eleições.
Nos bastidores políticos do Acre, a decisão do STJ já é vista como um duro golpe no projeto eleitoral de Gladson Cameli. Antes da condenação, o ex-governador era apontado como um dos nomes mais fortes para disputar uma vaga no Senado Federal. Agora, aliados e lideranças políticas começam a admitir que a candidatura pode se tornar inviável diante das restrições impostas pela Justiça Eleitoral.
Além da inelegibilidade, a condenação também pode provocar a suspensão dos direitos políticos após o trânsito em julgado da ação. Nesse caso, o ex-governador perderia temporariamente direitos constitucionais, como votar e ser votado, aprofundando ainda mais o impacto político e jurídico da condenação.
A Lei da Ficha Limpa foi criada justamente para impedir que políticos condenados continuem disputando eleições enquanto respondem ou cumprem penas relacionadas a crimes graves. A norma passou a ser considerada uma das principais ferramentas de combate à corrupção eleitoral no país e já barrou centenas de candidaturas desde sua criação.
Mesmo podendo recorrer da decisão no STF, Gladson Cameli continuará enfrentando os efeitos imediatos da condenação enquanto não houver eventual reversão judicial. Até lá, o cenário político aponta que o ex-governador poderá ficar fora da disputa eleitoral, conforme determina a própria Lei da Ficha Limpa.
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Ministra Nancy Andrighi vota pelo recebimento de nova denúncia contra Gladson Cameli na Operação Ptolomeu após condenação no STJ

Voto da ministra Nancy Andrighi aponta construtoras e empresas investigadas por possível participação em organização criminosa instalada no governo estadual.
O nome do governador do Acre, Gladson Cameli, voltou ao centro de uma forte crise política após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) receber denúncia relacionada à Operação Ptolomeu. Em voto contundente, a ministra Nancy Andrighi descreveu a existência de uma suposta organização criminosa composta por núcleos político, familiar, empresarial e operacional, que teria atuado para desviar recursos públicos através de fraudes em contratos e licitações no Acre.
Entre os pontos mais delicados do voto está a citação direta de empresas investigadas que, segundo os autos, teriam ligação com familiares do governador e participação em contratos firmados com o Estado do Acre. Conforme descrito pela relatora, aparecem nas investigações as empresas Construtora Etã, Construtora Colorado, Construtora Rio Negro, Marmud Cameli & Companhia Limitada, Cameli & Companhia Limitada e CZS Engenharia.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Federal, essas empresas contariam com familiares de Gladson Cameli em seus quadros societários ou manteriam relação direta com integrantes do chamado núcleo familiar da suposta organização criminosa. A suspeita é de que contratos públicos teriam sido utilizados para favorecer interesses privados e promover o possível desvio de recursos públicos em benefício do grupo investigado.
A decisão judicial destaca ainda que as empresas investigadas receberam mais de R$ 270 milhões em contratos públicos desde 2019, primeiro ano do mandato de Gladson Cameli. O volume milionário chamou atenção da Polícia Federal, que aponta indícios de fraudes, superfaturamento e lavagem de dinheiro envolvendo contratos de obras e serviços públicos executados no estado.
No voto, a ministra Nancy Andrighi afirma que a suposta organização criminosa teria estrutura estável e divisão de tarefas bem definida. Conforme a investigação, o núcleo empresarial atuaria para garantir contratos públicos, enquanto o núcleo operacional seria responsável por dificultar o rastreamento dos valores desviados. Já o núcleo político teria influência direta dentro do governo estadual para assegurar a execução dos interesses do grupo.
Um dos casos destacados no julgamento envolve a Concorrência nº 26/2020, destinada à execução de obras na rodovia AC-405. Segundo a denúncia, a licitação teria sido direcionada para beneficiar a Construtora Colorado, empresa que, conforme os autos, possuiria ligação com familiares do governador. A investigação aponta que agentes públicos ligados ao governo teriam atuado para garantir o sucesso da contratação.
Trechos de conversas obtidas pela investigação e mencionadas no julgamento também reforçariam, segundo o STJ, a suspeita de participação direta de Gladson Cameli em decisões relacionadas às obras e contratos investigados. Em um dos diálogos citados, o governador demonstra preocupação com o andamento de contratos e com interesses de familiares envolvidos no esquema apurado pela Polícia Federal.
Ao final do julgamento, a Corte Especial do STJ decidiu pelo recebimento da denúncia contra Gladson Cameli por supostos crimes de fraude à licitação e peculato. O caso aprofunda o desgaste político do governador acreano e amplia a pressão sobre sua gestão diante das graves acusações envolvendo contratos públicos e possível utilização da máquina estatal para favorecer aliados e familiares.
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