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O estelionatário e os bilhões: por que algumas condutas recebem respostas tão diferentes?

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Especialista em Direito do Consumidor questiona tratamento dado a casos que atingem milhões de pessoas e movimentam bilhões de reais.

Quando uma única vítima é lesada, a reação costuma ser rápida. Mas o que acontece quando milhares ou até milhões de consumidores são prejudicados ao mesmo tempo?

Recentemente, vieram a público informações sobre cobranças supostamente indevidas que teriam persistido durante anos, atingindo milhões de clientes e movimentando bilhões de reais. O caso envolvendo o Itaú ganhou repercussão nacional e levantou uma questão incômoda: quando um problema afeta tanta gente por tanto tempo, ainda estamos diante de um simples erro?

O estelionatário e uma única vítima

Quando uma pessoa engana outra para obter vantagem financeira ilícita, a resposta do Estado costuma ser imediata. A vítima procura a polícia, o caso é investigado e o responsável pode responder criminalmente pelos seus atos.

A sociedade também costuma condenar esse tipo de comportamento sem hesitação. Trata-se de uma conduta considerada grave, capaz de mobilizar instituições e provocar indignação pública.

Quando os prejudicados são milhares

Agora imagine uma cobrança de poucos reais por mês. Um valor pequeno o suficiente para passar despercebido na correria do dia a dia.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, as cobranças questionadas no caso Itaú teriam ocorrido durante aproximadamente 14 anos, alcançando milhões de consumidores. Os números impressionam.

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Muitos clientes não percebem a cobrança. Outros descobrem o problema apenas anos depois. Há ainda aqueles que concluem que não vale a pena gastar tempo e energia discutindo valores aparentemente baixos.

O consumidor cansado

Em mais de 20 anos atuando na defesa do consumidor, raramente encontrei alguém ansioso para processar uma empresa.

O que encontrei foram cidadãos que tentaram resolver seus problemas diretamente com as empresas, anotaram protocolos, aguardaram retornos prometidos e perderam horas tentando corrigir algo que jamais deveria ter acontecido.

Muitos acabam desistindo. Não apenas pelo desgaste emocional, mas também porque passam a acreditar que insistir não trará resultados significativos. Afinal, se tudo for tratado como mero aborrecimento ou se a eventual indenização for irrisória, qual seria o incentivo para continuar lutando pelos seus direitos?

Talvez isso explique parte do fenômeno atual. Muito se fala sobre o excesso de ações judiciais. Pouco se discute quantas pessoas deixaram de buscar seus direitos por desânimo ou descrença no sistema.

A conta que não aparece

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Quando o debate se concentra apenas no número de processos, corre-se o risco de ignorar a origem do problema.

Antes de cada ação judicial, geralmente houve uma reclamação não atendida, uma cobrança contestada, um pedido de solução ignorado ou um direito desrespeitado. O processo judicial costuma ser consequência, raramente a causa.

A pergunta que fica

Nos últimos anos, ganhou força a discussão sobre o elevado volume de processos judiciais e sobre mecanismos para reduzir a judicialização. São debates importantes e necessários.

No entanto, existe uma pergunta anterior que raramente recebe a mesma atenção: por que determinados problemas continuam se repetindo ano após ano, atingindo milhares ou até milhões de consumidores?

Quando uma única vítima é lesada por um cidadão comum, o aparato estatal age para investigar e punir. Mas, quando milhares de consumidores alegam ter sido prejudicados, muitas vezes a discussão termina apenas na devolução dos valores cobrados.

Talvez seja hora de refletir se estamos efetivamente resolvendo o problema ou apenas criando condições para que ele continue se repetindo.

Advogado há mais de 20 anos, especialista em Direito do Consumidor, presidente do Instituto Escudo Coletivo e membro fundador da Rede Brasileira Infância e Consumo.

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TRT-14 fortalece a segurança dos pagamentos com o Programa Permanente de Prevenção a Fraudes em Precatórios e RPVs

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Nova política institucional reúne medidas de prevenção, monitoramento e orientação para ampliar a segurança dos pagamentos – Foto: Reprodução

Reforçar a segurança dos pagamentos e proteger credores(as) contra tentativas de golpe. Com esse objetivo, o Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (RO/AC) instituiu, pela Portaria GP nº 0977, de 4 de agosto de 2026, o Programa Permanente de Prevenção eEnfrentamento às Fraudes em Precatórios e Requisições de Pequeno Valor (RPVs), acompanhado de um protocolo que reúne medidas de prevenção, monitoramento e orientação dirigidas à proteção de todos(as) os(as) envolvidos(as).

A iniciativa estabelece diretrizes para tornar ainda mais seguros os procedimentos de gestão e pagamento das requisições judiciais, que fortalece os mecanismos de conferência de informações, validação de documentos, monitoramento de riscos e comunicação com credores(as) e advogados(as).

O protocolo também prevê ações permanentes de capacitação de servidores(as), aprimoramento dos controles internos e campanhas de conscientização sobre as principais modalidades de fraude atualmente utilizadas, especialmente aquelas praticadas por meio de mensagens, ligações telefônicas ou aplicativos de comunicação.

Revistinha Antifraude

Como primeira iniciativa do programa, o TRT-14 lança a Revistinha Antifraude, material educativo produzido para orientar credores(as) sobre os principais golpes praticados por criminosos que se passam por representantes do Poder Judiciário.

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Em linguagem acessível e com ilustrações, a publicação apresenta situações que ajudam a identificar tentativas de fraude e reforça os cuidados que devem ser adotados antes de fornecer informações pessoais ou realizar qualquer procedimento relacionado ao recebimento de valores.

A ação integra a política de conscientização prevista na portaria. A norma estabelece que a Secretaria de Precatórios promoverá continuamente atividades de conscientização destinadas a credores(as), advogados(as) e ao público em geral sobre as principais
modalidades de fraude envolvendo precatórios e RPVs.

Informação é a melhor proteção

Além das medidas internas, o Tribunal disponibilizará no seu portal na internet, orientações simples e objetivas para ajudar credores(as) e advogados(as) a reconhecer tentativas de golpe e utilizar os canais oficiais de atendimento.

Entre os principais alertas estão:

  • o TRT-14 não cobra qualquer taxa para liberar precatórios ou RPVs;
  • não solicita depósitos, transferências ou pagamentos via PIX para antecipar ou viabilizar pagamentos;
  • não pede senhas bancárias ou códigos de autenticação;
  • qualquer dúvida deve ser esclarecida exclusivamente pelos canais oficiais do Tribunal.

A recomendação é que o(a) cidadão(ã) desconfie de mensagens que prometam liberação rápida de valores mediante pagamento ou solicitem informações pessoais sem confirmação da origem.

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Mais segurança e confiança

A edição da Portaria representa mais um passo do Tribunal na modernização da gestão de precatórios e RPVs, alinhando os procedimentos internos às melhores práticas de governança, gestão de riscos, transparência e integridade adotadas pelo Poder Judiciário. A iniciativa busca fortalecer a confiança dos(a) cidadãos(ãs), assegurando que os pagamentos ocorram com segurança, responsabilidade e transparência.

“O compromisso do Tribunal vai além da realização dos pagamentos. Nossa responsabilidade é assegurar que cada credor(a) receba o que lhe é devido com absoluta segurança, transparência e confiança. Ao instituirmos este programa permanente, fortalecemos os mecanismos de prevenção às fraudes, aprimoramos a gestão dos recursos públicos e reafirmamos nosso dever de proteger os(as) jurisdicionados(as), preservando a credibilidade do Poder Judiciário e a integridade de todo o sistema de precatórios e requisições de pequeno valor”, destaca o presidente do TRT-14, desembargador Ilson Alves Pequeno Junior.

Em caso de dúvida

Antes de realizar qualquer pagamento ou fornecer informações pessoais, procure sempre a Secretaria de Precatórios pelos canais oficiais do Tribunal.

A prevenção continua sendo a forma mais eficaz de evitar golpes.

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