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Binho Marques não será suplente de Jorge Viana, mas confirma atuação na coordenação das campanhas de JV e Thor Dantas
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Ex-governador afirma que erro técnico inviabilizou participação na chapa ao Senado, diz que respeita decisão da Justiça – Foto: Reprodução/ PT/AC
O ex-governador do Acre Binho Marques anunciou que não integrará a chapa do pré-candidato ao Senado Jorge Viana nas eleições de 2026. Em carta aberta divulgada nesta sexta-feira (7), o petista atribuiu a impossibilidade de sua candidatura a um erro técnico envolvendo prazos e datas no processo de registro.
Apesar de ficar fora da disputa como candidato, Binho deixou claro que continuará diretamente envolvido no processo eleitoral. O ex-governador confirmou que participará da coordenação das campanhas de Thor Dantas ao governo do Acre e de Jorge Viana ao Senado.
Inicialmente convidado por Jorge Viana para ocupar a primeira suplência, Binho afirmou que recebeu a proposta com satisfação, mas reconheceu que houve uma falha durante o processo. Segundo ele, não haverá contestação à decisão judicial.
“Um erro de prazos, de datas, daqueles detalhes que não parecem importantes até o dia em que o juiz diz que são. Erramos. Reconheço esse erro e não vou discutir com a Justiça. Acato a decisão da Justiça e respeitarei o processo”, declarou.
Na carta, Binho também utilizou boa parte do texto para relembrar sua trajetória pessoal e política no Acre. Ex-secretário de Educação e ex-governador por dois mandatos, ele destacou principalmente as políticas educacionais implantadas durante os governos da antiga Frente Popular e sua posterior atuação no Ministério da Educação.
Entre as ações citadas, Binho destacou sua participação nas discussões para mudanças no Fundeb e na criação do Valor Aluno Ano Total (VAAT), mecanismo utilizado na distribuição de recursos federais destinados à educação básica. O ex-governador afirmou que as alterações contribuíram para ampliar os recursos destinados ao Acre.
Binho também resgatou obras e projetos realizados durante sua passagem pelo governo estadual, citando a Organização em Centros de Atendimento (OCA), a Usina de Arte João Donato, a Biblioteca Pública, investimentos em pontes, ramais, rodovias e conjuntos habitacionais, além de empreendimentos ligados ao setor produtivo.
Ao explicar seu retorno mais ativo à política acreana, o ex-governador adotou um discurso crítico ao atual cenário estadual. Na avaliação apresentada por ele na carta, o Acre precisa “virar a página” e enfrentar problemas que classificou como corrupção e desperdício de recursos públicos.
Mesmo sem disputar um cargo eletivo, Binho anunciou que estará presente nas ruas e na organização política da campanha. Ele declarou apoio a Jorge Viana para o Senado, Thor Dantas para o governo e Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República.
“Meu objetivo não é ter um cargo”, afirmou. Segundo Binho, sua prioridade agora será trabalhar pela eleição dos candidatos que integram o grupo político do qual faz parte.
O ex-governador encerrou a manifestação afirmando que pretende intensificar sua participação na campanha da chamada Frente Ampla. “Vou trabalhar mais ainda pela vitória da Frente Ampla, seja na coordenação das campanhas do Jorge e do Thor, seja nas ruas”, escreveu.
Com a decisão, Binho Marques fica oficialmente fora da chapa majoritária como candidato, mas permanece como uma das figuras envolvidas na articulação eleitoral do grupo de oposição para a disputa de 2026 no Acre.
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Por unanimidade, STJ mantém condenação de Gladson Cameli e amplia crise política do ex-governador na disputa pelo Senado

Decisão unânime da Corte Especial mantém pena por corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
A tentativa de reverter uma das mais duras derrotas judiciais de sua trajetória política fracassou. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração apresentados pela defesa do ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP), mantendo integralmente a condenação de 25 anos e nove meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
O novo revés amplia a crise política enfrentada por Cameli, que deixou o governo estadual para disputar uma vaga no Senado em 2026. A manutenção da condenação por um órgão colegiado reforça os efeitos da Lei da Ficha Limpa, tornando o ex-governador inelegível por oito anos, enquanto a defesa segue recorrendo às instâncias superiores.
Embora a pena ainda não esteja sendo executada por haver possibilidade de novos recursos, a decisão representa mais um duro golpe na estratégia política do Progressistas. Mesmo diante da condenação, Gladson oficializou sua candidatura ao Senado durante a convenção partidária que confirmou Mailza Assis como candidata ao governo do Acre, numa tentativa de demonstrar força política apesar do cenário jurídico desfavorável.
Além da condenação criminal, continuam em vigor medidas cautelares determinadas pela Justiça, entre elas o bloqueio de bens e restrições de contato com outros investigados. As medidas refletem a gravidade atribuída pelo STJ às acusações envolvendo o esquema de corrupção investigado.
Segundo o Ministério Público Federal, Gladson Cameli integrava uma organização criminosa que teria utilizado a estrutura do governo para favorecer empresas em licitações, desviar recursos públicos e ocultar valores obtidos de forma ilícita. A denúncia também aponta pagamento de vantagens indevidas e utilização da máquina pública para beneficiar aliados políticos.
Mesmo após decisões do Supremo Tribunal Federal que anularam parte das provas produzidas durante a Operação Ptolomeu, a Corte Especial do STJ concluiu que o conjunto probatório remanescente era suficiente para sustentar a condenação do ex-governador, entendimento que prevaleceu entre os ministros.
O julgamento acompanhou o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, que afirmou haver provas consistentes da participação direta de Cameli no esquema criminoso. Embora tenha existido divergência quanto ao tamanho da pena com o ministro Luiz Otávio de Noronha defendendo uma punição menor a maioria do colegiado optou por manter a condenação de 25 anos e nove meses de prisão.
A defesa sustenta que ainda recorrerá ao Supremo Tribunal Federal, alegando supostas violações ao direito de defesa durante o julgamento. O ex-governador também afirma ser inocente e diz confiar na reversão da decisão. Enquanto os recursos seguem tramitando, a condenação mantida pelo STJ continua lançando dúvidas sobre a viabilidade jurídica e política de sua candidatura ao Senado e representa um dos episódios mais delicados da história recente da política acreana.
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