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Azul e Gol dizem que crise aérea foi superada, mas Escudo aponta falta de voos e passagens caras em Rondônia

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Companhias aéreas sustentam que cenário foi superado e pedem encerramento de ação judicial – Foto: Reprodução

O Instituto de Defesa da Coletividade Escudo Coletivo contestou as alegações apresentadas pela Azul e pela Gol de que a crise aérea enfrentada por Rondônia teria sido superada. Para a entidade, a baixa oferta de voos e os preços elevados das passagens mostram que os problemas enfrentados pelos passageiros ainda persistem.

Na segunda-feira (3), as companhias aéreas defenderam a extinção do processo ou a improcedência dos pedidos formulados na ação civil pública nº 7051335-44.2023.8.22.0001, que tramita na 2ª Vara da Fazenda e Saúde Pública de Porto Velho.

A ação foi proposta pelo Município de Porto Velho em agosto de 2023 e conta com a participação do Escudo Coletivo como amicus curiae, expressão jurídica utilizada para designar uma instituição que contribui com informações e argumentos relevantes para o julgamento. Nesta quinta-feira (6), o juiz Edenir Sebastião Albuquerque da Rosa intimou o Estado de Rondônia, o Ministério Público Estadual (MP) e o Escudo para apresentarem suas razões finais.

Empresas dizem que crise foi “superada”

Em sua manifestação, a Azul cita operações em quatro cidades rondonienses e a existência de voos diários para Confins, em Minas Gerais. A Gol, por sua vez, destaca a retomada da rota entre Porto Velho e Manaus e afirma ter realizado 348 operações na capital no terceiro trimestre de 2025, sem cancelamentos.

As duas empresas também argumentam que possuem liberdade para estabelecer suas rotas e frequências de acordo com critérios operacionais e comerciais.

O Escudo Coletivo, entretanto, considera que esses números não são suficientes para demonstrar a normalização da malha aérea de Rondônia. A entidade defende que a análise considere a quantidade de voos perdida ao longo dos últimos anos e quanto dessa oferta foi efetivamente recuperada.

“Pontualidade não basta. É preciso mostrar quanto Rondônia perdeu e quanto recuperou. Sem voos suficientes para atender à demanda, o isolamento continua”, afirmou Renata Fabris, diretora jurídica do Escudo.

Entidade aponta perda de voos

Segundo informações apresentadas pelo Escudo, estudo da ForwardKeys aponta Rondônia como o estado brasileiro que mais perdeu voos na última década.

A Justiça ainda deverá analisar questões relacionadas à recuperação da malha aérea, à eventual abusividade dos cortes realizados pelas companhias e à existência ou não de dano moral coletivo.

Outro ponto levantado no processo envolve a relação entre a judicialização e a redução da oferta de voos. Segundo o Escudo, a Gol informou que processos judiciais teriam representado 26,7% dos custos de sua operação em Rondônia e reconheceu que esse fator influenciou a reorganização da malha.

Já a Azul teria relacionado publicamente a retirada de voos ao elevado número de ações judiciais existentes no estado, situação que levou a discussão sobre o isolamento aéreo de Rondônia para o cenário nacional.

Para o Escudo, a utilização desse argumento pode representar uma espécie de penalização coletiva aos consumidores que recorreram ao Judiciário para garantir seus direitos.

A entidade também afirma que, no quarto trimestre de 2025, a incidência de atrasos superiores a quatro horas no Aeroporto de Porto Velho ficou 4,7 vezes acima da média nacional.

Passagens caras entram no centro da discussão

O preço das passagens é outro ponto questionado pelo instituto. O Escudo argumenta que a liberdade tarifária concedida às companhias aéreas não impediria a análise de possíveis distorções regionais nos valores cobrados dos consumidores.

A entidade lembra ainda que o próprio juízo já reconheceu a possibilidade de examinar eventuais tarifas excessivas e sem justificativa quando comparadas às praticadas em regiões vizinhas.

“Os dados levados à Justiça mostram que os preços altos e a baixa oferta em Rondônia não acompanham o cenário nacional. É desolador ver Rondônia conviver com uma malha insuficiente como se não houvesse alternativa. Quando viajar se torna caro e incerto, o estado perde investimentos, turismo e oportunidades de desenvolvimento”, afirmou Gabriel Tomasete, presidente do Escudo.

Tribunal manteve decisão sobre serviço aéreo

O Escudo também pede a aplicação de multa para que as empresas cumpram a decisão liminar concedida em dezembro de 2024. Azul e Gol solicitaram a revogação da medida, mas a decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Rondônia.

Segundo a entidade, o tribunal reconheceu o transporte aéreo como serviço público essencial e passível de controle judicial nas circunstâncias discutidas no processo.

Em março de 2026, uma audiência de justificação foi realizada com representantes da Azul e da Gol. De acordo com o Escudo, durante a audiência as empresas não apresentaram uma proposta para recuperação da quantidade de voos nem documentação que, na avaliação da entidade, justificasse o descumprimento da ordem judicial.

Agora, o processo aguarda as manifestações finais do Escudo Coletivo, do Estado de Rondônia e do Ministério Público. Após essa etapa, a ação deverá seguir para sentença, quando a Justiça decidirá sobre os pedidos relacionados à oferta de voos, às tarifas e às demais questões discutidas no processo.

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Mais de 11 mil produtores e cooperativas da região Norte podem se beneficiar com a MP 1.376

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BB inicia a renegociação de operações agro na região em operações que totalizam mais de R$ 9 bilhões – Foto: Assessoria

Produtores rurais e cooperativas da região Norte já podem procurar o Banco do Brasil para renegociar operações de crédito rural por meio das condições previstas na Medida Provisória nº 1.376/2026. Na região, cerca de 11,3 clientes possuem operações potencialmente elegíveis às condições da medida, que representam um volume de até R$ 9,3 bilhões em financiamentos.

A MP autorizou a criação de linhas especiais para composição de dívidas de produtores e cooperativas que sofreram perdas provocadas por eventos climáticos ou perdas de mercado em duas ou mais safras entre 2019 e 2025. O objetivo é apoiar a recuperação da capacidade produtiva, contribuir para a regularização financeira dos empreendimentos rurais e dar condições para que os produtores retomem seu fluxo de caixa com maior previsibilidade.

“A medida provisória representa um importante instrumento para apoiar os produtores rurais da Região Norte que enfrentaram dificuldades nos últimos anos, muitas delas associadas aos eventos climáticos adversos que afetaram a produção e a geração de renda no campo. No Banco do Brasil, estamos atuando de forma próxima aos clientes, avaliando alternativas que respeitem a realidade de cada atividade e de cada localidade. A iniciativa contribui para acelerar a regularização das operações, fortalecer o crédito rural e criar condições para que os produtores retomem seus investimentos, preservem sua capacidade produtiva e sigam gerando desenvolvimento e renda na região”, afirma Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB.

A carteira agro do BB possui cerca de 113 mil clientes com operações potencialmente elegíveis às condições previstas na MP, representando um volume de até R$ 100 bilhões. Desse total, 36% correspondem a operações inadimplentes, enquanto o restante contempla operações adimplentes que foram prorrogadas ou renegociadas.

Os produtores que fizeram o pré-cadastro e os clientes interessados já podem comparecer às unidades do Banco do Brasil. A contratação está sujeita à análise de enquadramento e à apresentação do laudo técnico que comprove perdas na produção ou redução da renda bruta agropecuária esperada.

Mais informações estão disponíveis em bb.com.br/agro.

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