Política
Ministério Público Federal recorre da sentença e pede condenação mais ampla da rede X por mudanças em políticas de moderação
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MPF recorre ao TRF1 e pede condenação da rede X por mudanças em política contra transfobia.
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para modificar parte da decisão da Justiça Federal do Acre em uma ação civil pública movida contra a rede social X, antiga Twitter, e a União. O órgão busca ampliar os efeitos da sentença, defendendo que a plataforma seja responsabilizada pelas alterações feitas em suas regras de combate ao discurso de ódio direcionado à população trans.
A ação teve início após a empresa retirar de suas diretrizes internas mecanismos específicos de proteção contra práticas conhecidas como misgendering — quando uma pessoa trans é tratada deliberadamente por um gênero diferente daquele com o qual se identifica — e deadnaming, que consiste na utilização do nome de registro em vez do nome social. Para o MPF, a mudança representou um retrocesso na proteção dos direitos humanos no ambiente digital.
Embora a Justiça Federal tenha determinado o restabelecimento dessas salvaguardas na plataforma, o Ministério Público considera que a decisão deixou de reconhecer consequências mais amplas provocadas pela retirada das políticas. Por isso, recorreu ao TRF1 para que a sentença seja revista em diversos pontos.
Entre os pedidos está o reconhecimento da existência de dano moral coletivo. Segundo o órgão, a exclusão das medidas de proteção atingiu direitos difusos relacionados à dignidade, à igualdade e ao combate à discriminação, afetando não apenas indivíduos, mas toda a coletividade. O MPF sustenta que a legislação e a jurisprudência permitem esse reconhecimento mesmo sem a comprovação de prejuízos individuais.
O recurso também solicita que a plataforma X seja obrigada a divulgar um pedido público de desculpas à comunidade trans e desenvolva campanhas periódicas de conscientização sobre transfobia e discurso de ódio nas redes sociais. A proposta prevê ainda que os conteúdos educativos sejam elaborados com acompanhamento dos órgãos federais responsáveis pela política de direitos da população LGBTQIA+.
Outro ponto questionado pelo Ministério Público é a exclusão, pela sentença, de parte das medidas direcionadas à União. O órgão defende que o governo federal continue obrigado a implementar políticas públicas voltadas ao enfrentamento da transfobia no ambiente digital, incluindo a criação de um plano nacional específico, mecanismos permanentes de fiscalização das plataformas, produção de relatórios periódicos e ações de educação e capacitação sobre direitos da população LGBTQIA+.
Na avaliação do MPF, o caso ultrapassa os limites de um conflito envolvendo apenas uma empresa de tecnologia. O recurso sustenta que a ação possui caráter estrutural e busca estabelecer medidas permanentes para fortalecer o combate à discriminação nas plataformas digitais e garantir maior proteção aos direitos fundamentais no ambiente virtual.
Agora, caberá ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região analisar os argumentos apresentados pelo Ministério Público Federal e decidir se mantém ou amplia a decisão proferida pela Justiça Federal do Acre.
Política
Emenda de Socorro Neri garante vestibular de Medicina da UFAC e amplia aplicação das provas para nove municípios do Acre

A deputada federal Socorro Neri anunciou, nesta sexta-feira (17), a destinação de parte de uma emenda parlamentar do seu mandato para garantir a realização do vestibular de Medicina da Universidade Federal do Acre (UFAC) em 2026. O recurso também permitirá ampliar a aplicação das provas para nove municípios acreanos, fortalecendo o processo de interiorização do acesso ao ensino superior.
O anúncio foi feito ao lado do reitor eleito da UFAC, professor Josimar Batista, com quem a parlamentar definiu a destinação dos recursos que viabilizarão o processo seletivo. Nos últimos dias, havia preocupação com a possibilidade de o vestibular não ser realizado neste ano por limitações orçamentárias da universidade.
Além de assegurar a continuidade do processo seletivo, a iniciativa amplia significativamente o alcance do vestibular. Pela primeira vez, as provas serão aplicadas em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Brasiléia, Sena Madureira, Tarauacá, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa do Purus.
Para Socorro Neri, a medida representa um avanço na democratização do acesso ao curso mais concorrido da universidade.
“Garantir a realização do vestibular de Medicina já era uma grande conquista. Mas poder, além disso, ampliar a aplicação das provas para todas as regionais do Acre e também para os municípios de difícil acesso significa dar oportunidades a milhares de jovens que antes precisavam percorrer grandes distâncias para disputar uma vaga. Educação também é igualdade de oportunidades, e é isso que estamos construindo”, afirmou a deputada.
Socorro destacou ainda que a parceria com a futura gestão da universidade reforça o compromisso de aproximar a UFAC dos estudantes do interior.
O reitor eleito, professor Josimar Batista, ressaltou que a ampliação do vestibular já fazia parte das prioridades defendidas durante o processo eleitoral da universidade e agradeceu o apoio da parlamentar.
“Durante o processo eleitoral apontamos a necessidade de o vestibular de Medicina deixar de acontecer apenas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul e alcançar as demais regionais, incluindo também os municípios de difícil acesso. Esse apoio da deputada Socorro Neri torna esse compromisso possível. A universidade precisa interiorizar suas ações e chegar ao filho do produtor rural, ao estudante que vive distante dos grandes centros. Esse é o compromisso social da nossa gestão”, declarou.
A nova gestão da UFAC, comandada por Josimar Batista, assume oficialmente em agosto e será responsável pela condução do vestibular de Medicina de 2026.
A destinação dos recursos reforça a atuação da deputada Socorro Neri na defesa da educação pública e da interiorização do ensino superior no Acre. Ao longo do mandato, a parlamentar tem destinado emendas para fortalecer a UFAC, viabilizando cursos de graduação e pós-graduação, além de investimentos em infraestrutura, pesquisa e inovação em diferentes regiões do estado.
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