
Decisão unânime do TRE-AC indefere registro do ex-governador, amplia desgaste político e deixa candidatura dependente de uma reviravolta nas instâncias superiores.
O projeto político de Gladson Cameli (PP) para chegar ao Senado sofreu um duro golpe nesta sexta-feira (11). Por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) indeferiu o registro de candidatura do ex-governador nas eleições de 2026. A decisão coloca a condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no centro da campanha e transforma a situação judicial de Gladson em um problema eleitoral concreto.
A decisão ocorreu após ação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral, que apontou a existência de causa de inelegibilidade decorrente da condenação de Gladson por órgão colegiado. O relator, juiz eleitoral Thalles Silva, acolheu o argumento e considerou que os efeitos eleitorais da condenação não dependem do trânsito em julgado. Os demais integrantes da Corte acompanharam o entendimento, deixando Gladson sem um único voto favorável no julgamento do registro.
A estratégia de esperar por uma possível decisão futura que beneficie o ex-governador também não convenceu o TRE-AC. O relator deixou claro que a Justiça Eleitoral precisa analisar a situação jurídica existente no momento do julgamento e não pode deferir uma candidatura com base na expectativa de que o TSE, o STF ou outro tribunal superior possa posteriormente afastar a inelegibilidade. Na prática, Gladson terá agora de buscar fora do Acre uma decisão capaz de mudar o cenário.
O julgamento também estabeleceu o dia 6 de maio de 2026, data indicada como a da condenação no STJ na Ação Penal 1.076, como marco para a inelegibilidade. Gladson possui requisitos formais necessários para concorrer, como filiação partidária, domicílio eleitoral, alistamento e idade mínima, mas isso não foi suficiente. Para o TRE, existe uma barreira jurídica decorrente da condenação colegiada que impede, neste momento, o deferimento de seu registro.
Politicamente, a decisão representa um desgaste considerável para quem deixou o comando do governo projetando uma candidatura competitiva ao Senado. Gladson construiu durante anos uma ampla estrutura de alianças no Acre e pretendia utilizar esse capital político para conquistar uma das duas vagas em disputa. Agora, em vez de discutir apenas propostas e apoios, sua campanha terá de conviver com uma pergunta muito mais incômoda: se o ex-governador conseguirá chegar às urnas com sua candidatura juridicamente assegurada.
Gladson ainda poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral e permanecer na disputa na condição de candidato sub judice enquanto houver recurso pendente, conforme prevê a legislação. Uma decisão posterior de tribunal superior também poderá modificar sua situação. Até que isso aconteça, porém, o fato político é pesado: o ex-governador que pretendia apresentar força eleitoral para chegar ao Senado teve o registro indeferido por unanimidade pelo TRE-AC e passa a depender de uma reviravolta judicial para tentar manter de pé seu principal projeto político de 2026.
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