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Com R$ 18,7 milhões em emenda do senador Alan Rick, Gladson Cameli vai entregar viaduto e tenta capitalizar obra que não é exclusiva do Estado
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Governador entrega obra financiada com emenda de Alan Rick e é acusado de uso político do investimento.
A anunciada entrega da primeira etapa do viaduto no cruzamento da Avenida Ceará com a Getúlio Vargas, em Rio Branco, já chega cercada de polêmica e críticas à condução do governador Gladson Cameli. Mesmo sendo uma obra viabilizada em grande parte por R$ 18,7 milhões de emenda parlamentar do senador Alan Rick, o governo prepara a inauguração sem sequer convidar o autor do recurso, em um gesto interpretado como tentativa de se apropriar politicamente do investimento e minimizar o papel do Parlamento na execução da obra.
A atitude foi interpretada como um gesto de desrespeito institucional e alimentou críticas de que o governador tenta se apropriar politicamente de investimentos que não foram integralmente viabilizados pelo governo estadual. Para analistas, a omissão do nome do senador não foi um detalhe, mas uma estratégia para concentrar os holofotes na gestão estadual.
O viaduto, que tem custo total estimado em R$ 40 milhões, foi executado pela Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop). Apesar da participação de recursos estaduais, quase metade do investimento veio de emenda indicada por Alan Rick dentro da cota da bancada acreana, um fator que torna ainda mais questionável a exclusão do parlamentar da inauguração.
Desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser distribuídas de forma igual entre os parlamentares, permitindo que cada um direcione recursos para obras estratégicas. No caso do viaduto, foi Alan Rick quem garantiu uma fatia significativa do orçamento, viabilizando o andamento do projeto.
Mesmo assim, o senador foi deixado de fora do evento, o que reforçou a percepção de uso político da obra por parte do governo. A situação gerou reação e levantou questionamentos sobre a transparência na divulgação da origem dos recursos públicos.
Ao se manifestar, Alan Rick fez questão de destacar seu papel na viabilização do projeto e cobrou clareza. “A população tem o direito de saber de onde vem cada investimento. Transparência não é favor, é dever”, afirmou. A fala foi interpretada como um recado direto à postura do governo estadual.
O episódio se soma a uma série de críticas já direcionadas à gestão de Gladson Cameli, que enfrenta desgaste político e questionamentos na Justiça. O governador é réu em uma ação penal que investiga supostas fraudes em licitação, desvio de recursos públicos e formação de organização criminosa — o que aumenta a pressão sobre sua administração.
Para críticos, a tentativa de apagar o papel de Alan Rick na obra revela não apenas uma disputa política, mas também um padrão de comportamento marcado pela centralização de méritos e falta de reconhecimento institucional. A avaliação é de que a gestão tem priorizado a narrativa política em detrimento da transparência.
Enquanto isso, Alan Rick ganha espaço no debate público ao se posicionar como defensor da correta aplicação dos recursos e da prestação de contas. Já Gladson Cameli vê crescer o desgaste em meio a acusações, críticas e episódios que colocam em xeque a condução de sua gestão.
No fim, a inauguração do viaduto, que deveria ser motivo de celebração para a população, acabou se transformando em mais um símbolo de disputa política, falta de diálogo e questionamentos sobre a forma como o dinheiro público vem sendo tratado no Acre.

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Reforma do Palácio Rio Branco dispara de R$ 2,3 milhões para quase R$ 4 milhões e levanta questionamentos sobre gastos do governo Gladson Cameli

Obra em prédio histórico é entregue com custo elevado enquanto população cobra transparência e prioridade em áreas essenciais – Foto: Diego Gurgel/ Secom
O que era para ser uma obra de pouco mais de R$ 2,3 milhões terminou custando quase R$ 4 milhões aos cofres públicos. A reforma do Palácio Rio Branco, sede do governo do Acre, entregue no último sábado (21), expõe um aumento expressivo de gastos sob a gestão do governador Gladson Cameli e levanta críticas sobre a condução e as prioridades da administração estadual.
Embora a obra tenha sido apresentada como necessária para a preservação do patrimônio histórico, críticos apontam que o salto no valor final evidencia falhas de planejamento ou falta de controle sobre os recursos. A ampliação de quase R$ 1,5 milhão em relação ao valor inicial chama atenção, especialmente em um estado que enfrenta dificuldades em áreas como saúde, infraestrutura e segurança.
O governo afirma que os recursos são provenientes de emenda parlamentar federal, mas isso não afasta a responsabilidade sobre a forma como o dinheiro foi aplicado. Para muitos, o uso de milhões em um prédio administrativo e turístico levanta dúvidas sobre as reais prioridades da gestão estadual.
A reforma incluiu serviços como troca de instalações elétricas e hidráulicas, nova pintura, recuperação de pisos e melhorias na climatização. No entanto, apesar da lista de intervenções, há quem questione se o custo final condiz com as melhorias realizadas, sobretudo diante da realidade enfrentada por outros órgãos públicos.
Outro ponto destacado pela gestão foi a ampliação da acessibilidade, com instalação de rampas e melhorias na circulação interna. Ainda assim, especialistas e moradores apontam que políticas públicas mais urgentes, como acessibilidade em unidades de saúde e escolas, continuam sem a mesma atenção e investimento.
Além do prédio principal, também foram realizadas intervenções nas praças ao redor do palácio, com serviços de paisagismo, recuperação de calçadas e revitalização de estruturas como fontes e chafarizes. Apesar disso, a população questiona se esses investimentos são prioridade diante de demandas básicas ainda não resolvidas.
A entrega da obra ocorre em um momento em que o Acre enfrenta desafios estruturais importantes, principalmente no setor da saúde, frequentemente alvo de críticas por falta de profissionais, equipamentos e melhorias nas unidades hospitalares.
Para analistas políticos, o investimento elevado em um símbolo do poder estatal pode ser interpretado como um gesto mais voltado à imagem institucional do governo do que à solução de problemas concretos enfrentados pela população.
O Palácio Rio Branco é, de fato, um dos principais patrimônios históricos do estado, tombado e com importância cultural reconhecida. No entanto, o debate que se impõe não é sobre sua relevância, mas sobre o custo da intervenção e a transparência na execução da obra.
Diante disso, cresce a pressão para que o governo de Gladson Cameli apresente explicações mais detalhadas sobre os gastos e critérios adotados, em um cenário onde cada centavo do dinheiro público tem sido cada vez mais cobrado pela sociedade acreana.
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