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Microcrédito na Amazônia cresce mais de mil por cento e transforma acesso ao financiamento

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FNO impulsiona microcrédito e leva recursos a pequenos produtores da Amazônia – Foto: Alemão Monterio

O crédito para pequenos empreendedores e agricultores familiares da Amazônia entrou em uma fase inédita de expansão entre 2023 e 2025. Nesse período, os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) destinados ao Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) cresceram de forma exponencial, passando de R$ 19 milhões para R$ 360 milhões, um salto que representa aumento superior a mil por cento e sinaliza uma mudança estrutural no acesso ao financiamento na região.

Esse avanço foi impulsionado por uma decisão estratégica adotada pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia ainda em 2023. A nova regulamentação ampliou significativamente o limite de aplicação do FNO em microcrédito, permitindo que o Banco da Amazônia elevasse de 1,5% para até 40% a fatia do fundo destinada a pequenos produtores, empreendedores individuais e agricultores familiares historicamente excluídos do sistema bancário.

Para o superintendente da Sudam, Paulo Rocha, a mudança foi decisiva para romper barreiras que impediam o acesso ao crédito. Ele destaca que a nova política busca integrar pequenos, médios e grandes produtores em uma mesma estratégia de desenvolvimento regional. Segundo Rocha, somente com essa articulação é possível promover crescimento econômico sustentável e inclusão produtiva na Amazônia.

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Os reflexos dessa política já aparecem nos números de 2025. O programa Microcrédito BASA Acredita ultrapassou R$ 1,4 bilhão em contratações e atendeu mais de 361 mil pessoas até o terceiro trimestre do ano. Já a iniciativa Acredita no Primeiro Passo alcançou cerca de 65 mil empreendedores, dos quais aproximadamente 70% estão inscritos no Cadastro Único, reforçando o caráter social da política de crédito.

Além do microcrédito, a Sudam também ampliou investimentos voltados à bioeconomia e ao desenvolvimento territorial. A partir de escutas realizadas em regiões como Marajó, Bailique e Vale do Juruá, os recursos do PRONAF Floresta cresceram de R$ 25 milhões para R$ 45 milhões anuais entre 2023 e 2025, fortalecendo atividades produtivas alinhadas à conservação ambiental e às vocações locais.

O balanço do período mostra ainda a ampliação dos projetos estruturantes na região. O número de iniciativas aprovadas pelo Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) mais que triplicou em dois anos, enquanto R$ 3,9 bilhões foram destinados a obras de infraestrutura estratégica, incluindo aeroportos, ferrovias, energia e portos. A meta da Sudam e do Basa é ambiciosa: até 2030, atender meio milhão de pessoas por ano com microcrédito em toda a Amazônia.

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Queimadas disparam mais de 700% em agosto no Acre, mas mês tem menor número de focos em 12 anos

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Estado contabilizou 487 focos de calor em agosto, contra 56 em julho – Foto: Arquivo/Instituto de Meio Ambiente do Acre-AC

O período mais crítico do verão amazônico começou a provocar uma mudança significativa no cenário ambiental do Acre. Depois de sete meses consecutivos com menos de 100 ocorrências mensais, o estado contabilizou 487 focos de queimadas em agosto, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O resultado representa crescimento de aproximadamente 769,6% na comparação com julho, quando foram identificados 56 focos.

Apesar da disparada de um mês para o outro, os números apresentam um contraste importante. Os 487 focos registrados em agosto representam o menor resultado para o mês nos últimos 12 anos. Entre 1º de janeiro e 1º de setembro, o Acre acumulou 594 ocorrências, número ainda inferior aos 752 focos registrados no mesmo intervalo de 2025.

Focos aumentaram com chegada do período mais seco

Os primeiros meses de 2026 foram marcados por baixa ocorrência de queimadas no estado. Janeiro e fevereiro tiveram dois focos cada, março não registrou nenhuma ocorrência e abril voltou a contabilizar apenas dois. A mudança começou a aparecer em maio, com 15 registros, seguida de 20 em junho e 56 em julho. Em agosto, com o avanço da estiagem, o número saltou para 487.

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A tendência exige atenção principalmente porque o Acre entra justamente nos meses historicamente mais favoráveis à propagação do fogo. Agosto, setembro e outubro concentram parte significativa das queimadas durante o verão amazônico, período caracterizado pela redução das chuvas e maior vulnerabilidade da vegetação. Somente no primeiro dia de setembro, outros dez focos já haviam sido identificados pela plataforma de monitoramento.

Desmatamento também acende alerta no interior

O aumento das queimadas ocorre paralelamente à pressão do desmatamento sobre municípios acreanos. Levantamento divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) colocou Feijó, Tarauacá e Sena Madureira entre os municípios que mais desmataram na Amazônia Legal em julho de 2026. Feijó apareceu na segunda posição do ranking, Tarauacá ficou em terceiro e Sena Madureira ocupou o oitavo lugar.

Os três municípios acreanos ficaram atrás de Altamira, no Pará, que liderou o levantamento. Conforme os dados do Imazon, o Acre concentrou 22% de todo o desmatamento identificado na Amazônia Legal em julho, alcançando aproximadamente 97 quilômetros quadrados de área desmatada. Os indicadores reforçam a necessidade de fiscalização e prevenção justamente no período em que as condições climáticas aumentam os riscos de incêndios florestais e queimadas em diferentes regiões do estado.

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