Magistrado que dirigiu Porsche de Eike e é investigado por lavagem de dinheiro diz não ter medo da prisão

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Uma reportagem especial do periódico O Estado de São Paulo trouxe à tona uma curiosidade sobre a vida do juiz carioca Flávio Roberto de Souza, afastado do cargo por ser flagrado dirigindo o carro do empresário Eike Batista. Ele teria dirigido, por 28 quilômetros, de casa até a sede do Tribunal de Justiça, localizada no Centro da capital Rio de Janeiro, um veículo Porsche Cayenne Turbo, que custa R$ 860 mil, apreendido duas semanas antes por determinação do próprio juiz.

Durante entrevista ao Estado de SP, o magistrado contou que é natural de Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do Acre. O magistrado falou sobre a família, rotina e explicou sobre os sonhos que tinha quando jovem, momento em que destacou as realizações e apoiadores.

“Quando era universitário, dava aulas de música para  Ganhar um dinheiro. Tem violão, guitarra e um piano, que não é de cauda. Antes de estudar Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Souza cursou Comunicação Social, com habilitação em Cinema. Filho de uma dona de casa e de um marceneiro de Cruzeiro do Sul, no Acre, ele se mudou para a capital fluminense aos 17 anos para estudar. Seu sonho era ser jornalista, mas mudou de ideia. Morou com uma tia e depois com os pais até se casar com uma juíza federal, com quem teve três de seus quatro filhos. Eles estão divorciados há cinco anos”, diz a reportagem.

Aos 52 anos, Flávio Roberto de Souza está sozinho. A filha mais velha, de 25 anos, mora com ele, mas fica pouco em casa. Os outros três filhos pararam de visitá-lo. Ele vive num apartamento de 100 m², localizado no bairro Barra da Tijuca. O condomínio em que o juiz vive possui imóveis avaliados em cerca de R$ 1 milhão.

De justiceiro, Souza passou a aproveitador para a opinião pública. O magistrado argumentou que havia pedido autorização do Detran para que os carros do empresário pudessem ser usados pela Justiça Federal. E disse que levou os veículos para a sua garagem “para não deixá-los sujeito a danos no pátio do tribunal, sob chuva, sol e poeira”.

Dos R$ 116 mil apreendidos de Eike Batista, R$ 27 mil desapareceram. Outros R$ 600 mil recolhidos do traficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin, preso em 2013, sumiram. Segundo o Ministério Público Federal, o juiz confessou à corregedoria ter desviado US$ 150 mil e 108 mil dos cofres da 3ª Vara. Os procuradores chegaram a pedir a prisão preventiva do juiz – o que foi negado pela Justiça.

Ainda segundo o periódico paulista, depois de ser formar em Direito, Flávio Roberto de Souza começou a advogar e chegou a ser procurador do Ministério Público Federal. “Trabalhei em casos relevantes, mas estava insatisfeito. A maioria dos juízes não respondiam ao esforço que colocávamos nas investigações.” Ele desistiu da carreira como procurador e em abril de 2001 tomou posse como juiz federal substituto.

Flávio Roberto de Souza não tem medo de ir preso. “Se isso acontecer, estou tranquilo. Já pus muita gente na cadeia. Se meu carma for esse, aceitarei tranquilamente”, disse o magistrado. “Não estarei perdendo minha liberdade, apenas terei mais espaço para repousar minha mente.” Ele defende, no entanto, que não há pressuposto legal para isso., acrescenta o texto.

Budista, Souza posa para foto em seu apartamento na Barra da Tijuca, no Rio
Budista, Souza posa para foto em seu apartamento na Barra da Tijuca, no Rio

Fonte: ac24horas Com informações de O Estado de São Paulo