Política
Ministério Público Federal cobra mudanças no atendimento aeromédico para indígenas e quer evitar recusas em remoções no Acre
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Recomendação determina que Samu e Dsei Alto Rio Juruá adotem novos protocolos para impedir atrasos em resgates – Foto: Secom/ Governo do Acre
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e ao Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Alto Rio Juruá a adoção de medidas para tornar mais rápido e eficiente o atendimento aeromédico prestado às comunidades indígenas do Acre. O objetivo é evitar que disputas administrativas entre os órgãos prejudiquem o socorro de pacientes que vivem em aldeias isoladas.
A iniciativa foi motivada após a apuração de um caso envolvendo um adolescente do povo Noke Koi, morador da Aldeia Nomanawa, em Tarauacá. Segundo o MPF, a remoção aérea do jovem não foi realizada porque houve divergência sobre qual instituição deveria assumir a operação. Enquanto o Dsei informou não possuir horas de voo disponíveis, o Samu alegou que o transporte não era de sua responsabilidade.
Na avaliação do Ministério Público, situações de urgência não podem ficar condicionadas a impasses burocráticos. O órgão destaca que a assistência à saúde indígena deve funcionar de forma integrada entre o Dsei e o Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que pacientes tenham acesso ao atendimento especializado sempre que necessário, especialmente nas regiões de difícil acesso.
Entre as determinações, o MPF orienta que o Samu deixe de exigir informações relacionadas à disponibilidade de aeronaves do Dsei antes de iniciar o atendimento. A recomendação também estabelece que pedidos de remoção não sejam recusados apenas pela ausência de profissional de saúde na aldeia ou por falta de informações clínicas completas, desde que existam dados mínimos para avaliação inicial.
Outro ponto considerado prioritário é a garantia de que, sempre que houver condições técnicas, um acompanhante indicado pela família ou pela comunidade possa viajar com o paciente. A preferência deve ser por alguém que fale a mesma língua indígena, principalmente quando o atendimento envolver crianças, adolescentes ou idosos.
O documento também determina que o Samu atualize, em até 30 dias, seu Protocolo Operacional Padrão, criando regras específicas para o atendimento de indígenas. As mudanças incluem um canal direto de comunicação com o Dsei, definição do fluxo de atendimento e o registro obrigatório de informações como etnia, aldeia, terra indígena e horários de acionamento e conclusão das ocorrências.
Ao Dsei Alto Rio Juruá, o MPF recomendou a adoção do formulário de solicitação de apoio aéreo elaborado pelo Samu e a divulgação do procedimento entre equipes multidisciplinares, polos-base e agentes indígenas de saúde. Além disso, o distrito deverá comunicar ao Ministério Público, em até cinco dias, qualquer recusa, atraso injustificado ou problema ocorrido durante as remoções.
Dados apresentados pelo MPF mostram que, entre maio de 2024 e julho de 2026, foram registrados 46 atendimentos aeromédicos a indígenas por meio do convênio entre Samu, Secretaria de Estado de Saúde e Secretaria de Justiça e Segurança Pública. Somente em 2026, onze dessas ocorrências aconteceram no município de Feijó. O Samu e o Dsei terão prazo de 15 dias para informar se irão cumprir a recomendação e quais providências serão implementadas. O descumprimento poderá resultar na adoção de medidas judiciais pelo Ministério Público Federal.
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Representantes de Epitaciolândia participam de intercâmbio internacional sobre educação ambiental na Alemanha

Representantes de Epitaciolândia participaram, na Alemanha, de um intercâmbio internacional voltado à educação ambiental, conservação da natureza e turismo sustentável. A programação ocorreu na região do Parque Nacional da Floresta Bávara e integrou uma cooperação que aproxima, há cerca de quatro anos, instituições brasileiras e alemãs ligadas às áreas protegidas.
Representaram o município Anacélia Menezes, pela Secretaria Municipal de Educação, e Rozinei da Silva, representando a Secretaria Municipal de Turismo e a Reserva Extrativista Chico Mendes. Eles integraram uma delegação formada por 13 representantes de áreas protegidas da América do Sul.
Durante quase uma semana, o grupo participou de visitas técnicas, oficinas e momentos de troca de experiências com profissionais do Parque Nacional e do Parque Natural da Floresta Bávara. Entre os temas trabalhados estiveram metodologias de educação ambiental, turismo sustentável, ações desenvolvidas em parceria com escolas e instituições de educação infantil e estratégias de aproximação de crianças e jovens com a conservação da natureza.
Um dos principais focos do intercâmbio foi o Junior Ranger, iniciativa criada no Parque Nacional da Floresta Bávara e que utiliza atividades educativas para estimular, desde a infância, o conhecimento sobre o meio ambiente e a importância da preservação. O projeto já alcançou mais de três mil crianças e adolescentes na região alemã e vem servindo de referência para ações desenvolvidas em áreas protegidas brasileiras.
A delegação também conheceu espaços destinados à educação ambiental e à visitação pública, como a Haus zur Wildnis, em Ludwigsthal, o Wildniscamp de Falkenstein, o Naturparkwelten, em Bayerisch Eisenstein, e uma área de atividades em meio à floresta, em Spiegelau. Os participantes acompanharam ainda a cerimônia de encerramento da edição anual do Junior Ranger.
A participação de Epitaciolândia no intercâmbio possibilita a aproximação com experiências internacionais que podem contribuir para o desenvolvimento de iniciativas de educação ambiental, conservação e valorização das áreas naturais, além de ampliar o diálogo entre turismo, educação e sustentabilidade no município.
O intercâmbio brasileiro-bávaro conta com apoio do Bildungswerk der Bayerischen Wirtschaft, instituição de formação da economia bávara, e do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha.
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