RIO BRANCO

Geral

Flanelinha diz ganhar até R$ 250 por dia em Rio Branco

Sem trabalho, flanelinha diz que pensou em cometer crimes. Prefeitura diz que cursos profissionalizantes continuam sendo realizados

Publicados

Geral

Sem trabalho, flanelinha diz que pensou em cometer crimes. Prefeitura diz que cursos profissionalizantes continuam sendo realizados

Por Quésia Melo

rua Apesar da instalação do estacionamento rotativo ‘Zona Azul’, os flanelinhas continuam atuando em alguns pontos no centro de Rio Branco. Trabalhando desde os 14 anos nas ruas da capital, Tony Roberto Barros da Silva, 29 anos, diz que os flanelinhas vivem na miséria e ainda conseguem alguns trocados com clientes mais antigos que deixam a chave para que ele lave e vigie o carro ou motocicleta. Quanto aos cursos profissionalizantes oferecidos pela prefeitura para inserir os flanelinhas no mercado de trabalho, Silva afirma que nunca foi procurado por ninguém para participar das aulas.

“Todos aqui temos clientes antigos que confiam em nós. Eles deixam o carro sobre nossos cuidados pois existem pessoas que passam e arranham, por isso deixam para nós cuidarmos. Alguns dão uns trocados, outros não. Ninguém é obrigado a pagar mais nem menos, só recebemos o que dão. Antes da Zona Azul tirava uns R$ 250 por dia, mas agora a média é uns R$ 50, em uma dia bom conseguimos R$ 120. Ainda estou pra ver esse curso da prefeitura, só ouvi falar, mas ninguém nunca veio me procurar aqui. Muita gente reclama que continuamos aqui, mas o que podemos fazer? Roubar? Isso é nosso ganha pão”, argumentou.

Carlos Lopes da Silva, 43 anos, trabalha como flanelinha há mais de 21, diz que depois da Zona Azul não podem mais cobrar pela vaga, entretanto voltaram as ruas oferecendo serviços de lavagem do veículo e também vigiando, caso o motorista peça. Segundo Lopes, a situação financeira é precária e o sustento dos quatro filhos e da esposa depende do trabalho nas ruas. Ele conta ainda que iria fazer o curso de pedreiro, mas que procurou a prefeitura e nunca conseguiu uma vaga.

“Só não estou passando fome porque estou lavando uns carros aqui no centro. Se não fosse isso meus filhos, minha esposa e eu estaríamos passando fome. Eu ia fazer o curso de pedreiro como falaram na reunião com os flanelinhas, mas não teve esse curso, cansei de ir na prefeitura. Me passaram um telefone que nunca atendem e desisti. Hoje tiro uns R$ 30 por dia, a lavagem do carro cobramos R$ 10. Antes conseguíamos sobreviver e trabalhar em paz, hoje somos perseguidos. As vezes estamos lavando um carro e a menina da Zona Azul quer nos multar em R$ 5 porque não tiramos o ticket”, relatou.

Leia Também:  Idaf e MP fecham matadouro que abatia animais a marretadas no Acre

Já o flanelinha Mailson Bezerra de Queiróz, de 40 anos, conta que iniciou o curso de auxiliar de eletricista e recebeu o valor de R$ 600, mas ficou doente, não concluiu e voltou para as ruas no centro da capital. Queiróz ressalta ainda, que uma alternativa seria treinar os flanelinhas para operar as máquinas da Zona Azul, pois já fazem isso normalmente quando o motorista não encontra uma funcionária. Sem opções, ele diz que cogitou a voltar a cometer crimes.

“Eles poderiam ter nos treinado para operar essa Zona Azul, dessa forma teríamos um salário garantido e carteira assinada. Esse curso não vai dar de comer aos meu filhos nem a minha esposa. Muita gente tem curso, mas não tem emprego para ganhar o pão de cada dia, por isso voltei para as ruas. Meu curso era para ser na área de máquinas pesadas, pois já tenho uma noção, mas me ofereceram um de auxiliar de eletricista comecei, mas nem concluí. Estou aqui mendigando, pensando em voltar para o crime porque não tenho oportunidade de trabalho”, contou.

RBTrans fiscaliza flanelinhas clandestinos
De acordo com o diretor da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), Marcos Lourenço, o órgão trabalha em conjunto com a Polícia Militar PM) para coibir a atuação de flanelinhas clandestinos. Segundo Lourenço, a recomendação é que as pessoas não utilizem os serviços oferecidos pelos flanelinhas.

Leia Também:  Tião Viana avança para a reestruturação de Brasiléia

“Trabalhamos nessa atuação junto com a PM, pois alguns deles tem passagem pela polícia e precisamos dessa parceria. Se alguém é identificado trabalhando dessa forma nós fazemos a abordagem e retiramos do trecho. O que pedimos e reforçamos é que a população não utilize o serviço dessa pessoa que não está regularizada nem identificada. Temos os agentes de campo que ficam no centro, caso alguém queira denunciar basta ir até eles e serão tomadas as providências”, explicou.

Ao todo 48 flanelinhas foram atendidos por cursos, diz prefeitura
Segundo o secretário de municipal e de Cidadania e Assistência Social (Semcas), os cursos continuam funcionando e sendo oferecidos aos flanelinhas. Entretanto, explica que existe muita desistência dos participantes. Algumas turmas, segundo ele, iniciaram com 19 flanelinhas, mas somente quatro chegaram ao fim do curso. Ao todo 48 flanelinhas foram atendidos por cursos da prefeitura, 20 auxiliares de eletricista, nove no curso de cabeleireiro, nove frentistas, nove operadores de máquinas pesadas, seis em artesanato em madeira.

“Ao todo foram empregados R$ 30,1 mil para realização desses cursos. Distribuímos aos flanelinhas como apoio especial um total de 34 cestas básicas e dois kits bebê, para os que tinham mulheres com crianças sem poder comprar esse material, mas isso já é um serviço oferecido para as famílias pobres. A proposta era que eles fizessem o curso e a prefeitura pagaria R$ 150 por semana enquanto estivessem fora das ruas, o máximo do tempo de curso é dois meses”, disse.

Quanto ao retorno dos flanelinhas para as ruas, Fabrício diz que essas pessoas querem um retorno imediato e não a médio prazo como acontece após o curso. “Isso é uma situação inevitável, tem algumas dificuldades de essas pessoas se inserirem no mercado de trabalho e pensar em um retorno à médio prazo. Alguns que tiveram um bom aproveitamento, automaticamente foram designados para empresas de construção civil”, finalizou.

COMENTE ABAIXO:

Propaganda

Geral

Poder Judiciário do Acre retoma plantão extraordinário com 30% da força de trabalho

Publicados

em

Portaria Conjunta Nº 5/2022 institui novas medidas administrativas para afastar a propagação do vírus neste momento – Foto Reprodução

Nesta segunda-feira, 17, a presidência do Tribunal de Justiça juntamente com a Corregedoria-Geral da Justiça tornou pública a Portaria Conjunta n° 5/2022, determinando a redução do quantitativo de servidores e colaboradores em regime presencial da instituição até o dia 24 de janeiro.

Deste modo, está autorizada a retomada do trabalho remoto e atuação, por meio de escala de revezamento, do trabalho presencial com no máximo 30% dos integrantes de cada setor, excetuando os casos em que se observe prejuízos aos serviços prestados pela unidade.

A medida considerou o aumento progressivo no número de casos de Covid-19 em todo o estado, principalmente nas últimas semanas, assim como o teor da Portaria GDG Nº 4, de 08 de janeiro de 2022, em que o Supremo Tribunal Federal autoriza a adoção do regime de teletrabalho excepcional ou, na impossibilidade, que se promova escala de revezamento para os servidores e colaboradores.

Leia Também:  Mulher do cantor Hangel diz que tapa na cara foi brincadeira pesada

Assim, a gestão decidiu manter a política instaurada desde o início da pandemia para o resguardo e segurança à saúde dos magistrados e magistradas, servidores e servidoras, estagiários e estagiárias, todas e todos terceirizados e público externo.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

EDUCAÇÃO

CONCURSO

ESPORTE

MAIS LIDAS DA SEMANA