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‘Filho de seringueiro hoje já nasce querendo criar gado’,

Criações de gado e desmatamento podem ser encontradas em reserva.

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Criações de gado e desmatamento podem ser encontradas em reserva.

Rebanhos podem ser encontrados dentro da Reserva Chico Mendes (Foto: Yuri Marcel/G1)

Rebanhos podem ser encontrados dentro da Reserva Chico Mendes (Foto: Yuri Marcel/G1)

Yuri Marcel Do G1 AC

O assassinato do líder seringueiro Chico Mendes completa 25 anos neste domingo (22), e o desafio para manter vivos os ideais de preservação da floresta defendidos por ele parece cada vez mais difícil. Na reserva que leva o nome do ambientalista, a criação de gado e o desmatamento ameaçam esse sonho.

Criada em 1990, a Reserva Extrativista Chico Mendes tinha como objetivo ser uma unidade de conservação ambiental mantida com o apoio de famílias de seringueiros tradicionais que vivem no local e sobrevivem de pequenas plantações e da extração de látex e castanha. A reserva ocupa uma área de 970 mil hectares, divididos entre seis municípios.

Os seringueiros que vivem no local coletam o látex vendido para a Fábrica de Preservativos Masculinos Natex, instalada pelo Governo do Estado no município de Xapuri (AC). Por esse serviço eles recebem, em média, R$ 800 por mês.

De acordo com o presidente da Cooperativa Agro Extrativista de Xapuri, Luiz de Carvalho, apesar dos incentivos para que os seringueiros vivam exclusivamente da extração de borracha e castanha, o gado acaba servindo como uma salvaguarda.

Presidente da Cooperativa Agro Extrativista afirma que a grande maioria dos moradores da Reserva Chico Mendes criam gado (Foto: Yuri Marcel/G1)

Presidente da Cooperativa Agro Extrativista afirma que a grande maioria dos moradores da Reserva Chico Mendes criam gado (Foto: Yuri Marcel/G1)

“É uma coisa que veio de fora e faz parte do cotidiano. Hoje o filho do seringueiro já nasce querendo criar gado, não mais seringa. Porque gado é coisa que você vende na hora que quer. Para vender a borracha, tem que andar quatro horas com ela nas costas, pegar caminhão e quando chega aqui é comercializada a R$ 2 ou R$ 3”, diz.

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Carvalho afirma que a grande maioria das famílias que vivem dentro da reserva possuem gado atualmente. “Tem muita gente morando lá dentro achando que não é reserva. Por isso há conflito. Algumas pessoas desmatam mais que o necessário. Tem muita gente fazendo rodízio, comprando e vendendo colocação [pedaço de terra ocupado pelo seringueiro dentro da reserva]”, denuncia.

‘Outro caminho’

Em 1979, Raimundo Mendes de Barros, de 68 anos, largou o trabalho na antiga Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) para ser seringueiro e ajudar a combater o avanço dos fazendeiros nas florestas de Xapuri. Hoje, ele lamenta que são os próprios seringueiros quem levam gado para dentro da reserva.

“Não sei por que cargas d’água nossos jovens estão se enveredando por esse caminho. A gente combate essas coisas, mas uma grande parcela ainda entra nisso”, queixa-se. Raimundo acredita que um dos motivos do problema é a ausência de um sindicato forte. “Uma das razões para isso foi o desvio de linha política do sindicato. Se tivesse continuado na mesma linha, ele estaria discutindo o prejuízo que o gado faz na floresta. Mas infelizmente não temos uma diretoria que combata isso”, critica.

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Criação do gado

O seringueiro José Ribeiro da Silva, de 39 anos, trabalha com a extração de látex desde os 12 e chegou a participar de um dos “empates”, como eram chamadas as manifestações dos seringueiros para impedir a derrubada da floresta. No entanto, em sua colocação, ele hoje cuida de algumas cabeças de gado e defende que os seringueiros façam o mesmo, mas tenham cuidado.

“Criar gado, todo mundo deveria criar. Mas saber criar também, de forma manejada para não prejudicar a floresta. Eu cuido do gado de meu pai com a minha irmã e é pouquinho. Tem que saber cuidar, trabalhar com pasto manejado”, diz.

ICMBIO

A analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) no Acre, Iria Oliveira, explica que cada morador pode usar até 15 hectares de terra para o pasto, na unidade. “Isso é o que vem dizendo no plano de utilização criado por eles mesmos e acordado no conselho, que é a instância maior”, diz.

Iria diz que casos em que os moradores passem do limite estabelecido serão analisados individualmente. “A reserva tem regras, cada morador deve cumprir o plano de utilização. Caso isso não seja cumprido, ele pode sofrer punição. Porém, nós vamos analisar os casos individualmente de acordo com a sua particularidade. Pelo censo feito em 2009 foi possível perceber que algumas famílias estavam ultrapassando esse limite”, ressalta.

Para a fiscalização nessa área, o ICMbio disponibiliza dois agentes para o monitoramento. Iria diz ainda que a Reserva Extrativista Chico Mendes foi a segunda a ser criada no Brasil.

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Pelo segundo ano, procissão de São Sebastião é substituída por carreata em Xapuri devido à pandemia

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Fiéis celebram o dia de São Sebastião, padroeiro de Xapuri no AC com carreata — Foto: Maria Eduarda/Arquivo pessoal

Devido o aumento dos casos de Covid-19 no Acre, a Paróquia de Xapuri, no interior do Acre, substituiu a tradicional procissão que celebra a festa do padroeiro do município, São Sebastião, por uma carreata.

“Vamos optar por fazer uma grande carreata, porque vêm muitas pessoas e não queremos ser responsáveis pela disseminação do vírus, então, optamos por fazer a carreata”, disse o pároco da cidade, padre Antônio Menezes.

Conforme o boletim diário da Secretaria Estadual de Saúde do Acre (Sesacre), no mês de janeiro foram registrados mais de 3 mil casos de Covid-19, sendo que nessa quarta-feira (19), foi o recorde desde o início da pandemia, com 1.172 casos positivos.

As celebrações do padroeiro começaram ainda no dia 12 deste mês e encerram nesta quinta-feira (20), com a carreata. Ao longo dos últimos dias foram feitas missas e quermesse.

Em 2021, a festa também ocorreu apenas com a carreata. Este é o segundo ano em que a procissão é substituída. O padre ressalta que é importante que a celebração aconteça porque é uma forma de os fieis cultivarem a fé, que também é um refúgio no momento de pandemia.

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“O ser humano é perpassado pela esperança, nada pode nos limitar e o Espírito Santo vai agir, hoje, através dessa carreata. Não vamos andando, mas vamos de carro e estamos felizes porque, graças a Deus, tudo está acontecendo dentro dos conformes, todo mundo se precavendo e participando. Mesmo em tempo de pandemia, estamos fazendo uma linda festa, não podemos fazer a procissão, mas não deixamos de celebrar”, acrescentou.

Durante os dias de novenário, o padre informou que o movimento com presença dos fieis chegou a dobrar, e passou de 200 para até 400 pessoas durante os encontros que ocorreram diariamente em vários horários.

Além disso, o padre pontuou que foram respeitados os protocolos de segurança e prevenção contra a Covid-19.

“Estamos usando máscaras, álcool em gel, a quermesse fora e não dentro do salão paroquial para ser em espaço aberto. Estamos nos precavendo e, claro, se for preciso a gente suspender [a presença de público] e ser uma festa on-line vamos cumprir. Queremos cumprir todos os decretos possíveis e estamos rezando que São Sebastião, que é o patrono e grande defensor das festas, nos proteja. Cremos que ele vai fazer o melhor por nós”, explicou quando a festa foi lançada. Por G1 Acre.

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Veja o Vídeo Abaixo: Em meio a maior crise do sistema de transporte coletivo dos últimos tempos, a população de Rio Branco vive um dilema e acorda todo dia sem saber se terá ônibus passando em sua região. O prefeito Tião Bocalom tentou amenizar o problema repassando R$ 2 milhões e quatrocentos mil para as empresas quitar os débitos com empregados, acordo não cumprido e que foi um dos motivos para a intervenção no setor.

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