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ACRE ex-soldado da borracha vende peixe nas ruas

As vagas estão disponíveis somente para esta quarta-feira
Os interessados devem comparecer pessoalmente ao Sine.

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José Soares é cearense e chegou ao Acre aos 20 anos de idade.

Ex-soldado da borracha, José Soares complementa a renda com da venda de carnes em Rio Branco (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Ex-soldado da borracha, José Soares complementa a renda com da venda de carnes em Rio Branco
(Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Aos 20 anos de idade, o nordestino José Soares da Silva Filho, saído de Limoeiro do Norte(CE) chegou ao Acre para trabalhar como soldado da borracha [nome dado aos brasileiros recrutados para trabalhar na Amazônia com o objetivo de extrair borracha para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial].  O ano era 1943. No cenário mundial, a Segunda Grande Guerra (1939-1945) modificava, direta ou indiretamente, a realidade de todos os países.

A Batalha da Borracha ocorreu após a entrada do Japão na Segunda Guerra e o bloqueio do fornecimento da borracha produzida na Malásia aos países Aliados. Diante disso, o governo norte-americano em busca de novas formas para adquirir o produto, decide investir nos seringais brasileiros.

Os soldados da borracha foram os brasileiros convocados pelo Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (Semta) para trabalharem na extração de borracha. Após a Constituição de 1988, eles passaram a garantir direitos iguais aos combatentes da Itália, inclusive recebendo uma pensão no valor de dois salários mínimos. Atualmente lutam pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 556 (PEC) que propõe o aumento da pensão para sete salários mínimos.

Com tranquilidade, o ex-seringueiro lembra como era o serviço desempenhado por ele e por tantos outros que chegaram à Amazônia durante a Batalha da Borracha. “O trabalho no seringal era riscar a seringa para tirar leite e fazer a borracha, para ir aos navios couraçados e para aviões. Tudo precisava de borracha”, lembra o aposentado.

Soares deixou família e tudo o que conhecia na terra natal para fazer parte de um dos principais marcos da história do Acre.

Com uma memória impecável, o ex-seringueiro descreve minuciosamente o trajeto percorrido. “Saí de Limoeiro de caminhão até Teresina (PI). De Teresina para São Luís (MA) de trem. Quando nós chegamos a São Luís, o navio já estava no porto. O navio passou 1 mês ancorado, com todos os ‘arigós’ dentro, uns 3 mil homens”, relata Soares.

O ex-seringueiro chegou ao Acre aos 20 anos (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

O ex-seringueiro chegou ao Acre aos 20 anos
(Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Após a chegada a Belém (PA), o ex-soldado da borracha descreve a viagem pelo rio Amazonas, até Manaus (AM) e de lá, até Tarauacá (AC). Em seguida, partiu direto para o interior da floresta para a sua colocação, local onde o seringueiro morava no seringal.

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“Ninguém tinha medo da guerra no seringal, a gente já tinha quase perdido os sentidos. Só produzia a borracha e mandava. O seringalista tinha o comboieiro que ia buscar a borracha. Depois vinha a conta para nós. Se desse saldo, o seringalista descontava o que a gente devia e a mercadoria que a gente comia”, declara.

José Soares casou-se aos 24 anos e teve 10 filhos. Apenas seis estão vivos. Os outros morreram ainda no seringal, de onde saiu somente com 65 anos de idade. “Eles morreram de doença. Em seringal, negócio de remédio é difícil. O que mais me ajudava morreu com 12 anos. Os outros morreram pequenos”, lembra. Hoje, a esposa, com 89 anos, se trata de problemas de saúde em Porto Velho (RO).

Apesar de não trabalhar mais na selva amazônica, a vida do ex-soldado está longe de ser tranquila. Para complementar a renda, Soares anda com a sua bicicleta pela capital acreana vendendo carnes variadas. “Eu não vendo muito ruim não. Vendo mais fiado, dentro dos colégios para o pessoal da segurança. É mais seguro”, falou.

Batalha da Borracha (1942-1945)
O historiador Marcus Vinícius conta de que forma ocorreu o acordo entre EUA e Brasil para o envio de borracha ao país. “Em 1942, o governo norte-americano faz um acordo com o governo brasileiro, o Acordo de Washington, em que o governo brasileiro se comprometeu em colocar toda a mão-de-obra possível e necessária para reativar a produção da Amazônia e o governo dos EUA se comprometeram em financiar isso”, explica.

De acordo com o historiador, o alistamento era feito para os jovens, principalmente do nordeste, com a promessa de que eles seriam soldados como os pracinhas, que foram para a Itália. Porém, morreram mais brasileiros na Amazônia do que na Itália.

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“Dos 20 mil soldados que foram lutar na Itália, morreram 454. A gente estima que vieram para a Amazônia entre 55 e 65 mil homens e mulheres, desses, a metade morreu. Morriam pelos mais diversos motivos: péssimas condições de transporte, de alojamento, alimentação deficiente, meio hostil que eles não conheciam”, descreve.

Adenir Cardoso começou a trabalhar na produção da borracha aos 7 anos (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Adenir Cardoso começou a trabalhar na produção
da borracha aos 7 anos (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Essa mesma lembrança tem Aldenir Cardoso, de 80 anos, que se considera ‘filho do Acre’. Aos 7 anos começou a trabalhar na produção de borracha. “Meu pai veio para cortar seringa. Chegou, se casou e me teve. Só que ele pegou uma malária, inchou e morreu. Quando ele morreu, eu era muito pequeno. Eu não tenho lembrança dele, só sei o que mamãe contava.

Ele era muito trabalhador, valente para tudo. O dia a dia do seringal é muito difícil”, comenta.

O fim desse período na história amazônica se deu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Com a rendição do Japão, após os atentados de Hiroshima e Nagasaki, os EUA romperam o acordo e voltaram a comprar borracha na Ásia, por causa do preço mais barato.

Reconhecimento
A luta dos ex-soldados da borracha tem sido pelo reconhecimento. A PEC 556 tramita na Câmara Federal desde 2002. A proposta original é que os seringueiros seriam reconhecidos como ex-combatentes e receberiam o equivalente a 7 salários mínimos mais abono. Atualmente, o benefício é de 2 salários.

Para Marcus Vinícius, a PEC já deveria ter sido votada há muito tempo, porque foi prometido aos soldados da borracha que eles seriam tratados iguais aos pracinhas.

“Por 60 anos esse direito foi negado, eles não ganharam nada, nenhuma indenização, nenhuma pensão, nem aposentadoria especial. Só na constituição de 1988 que eles ganharam essa aposentadoria de dois salários mínimos. Foi uma injustiça histórica cometida, de uma certa forma, um estelionato do governo brasileiro e norte-americano”, diz.

Luziel Carvalho, presidente do Sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Soldados da Borracha do Estado do Acre (Siacre), acrescenta a importância de também ser assegurado o benefício aos familiares daqueles que já faleceram. “Os filhos dos soldados da borracha, que ainda estão vivos, são pessoas que viveram toda a infância nos seringais e tiveram negados os direitos à educação e à saúde de qualidade”, finaliza.

Caio Fulgêncio Do G1 AC

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Com aumento de casos de Covid-19, visitas em presídios de Rio Branco são suspensas por 10 dias

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Unidades prisionais de Rio Branco estão com as visitas suspensas por 10 dias — Foto: Ana Paula Xavier/Rede Amazônica

Com o Acre enfrentando uma terceira onda de casos de Covid-19, o Instituto de Administração Penitenciária do Estado (Iapen-AC) suspendeu as visitas nos presídios de Rio Branco por dez dias ou até que até que haja uma queda no número de infectados.

O número de pessoas com Covid-19 aumentou expressivamente no estado no início deste ano. Na quinta (19), o Acre registrou 1.172 novos casos, o maior número em 24 horas desde o início da pandemia. Além da Covid, as unidades de saúde estão lotadas também de pessoas com sintomas de gripe e outras síndromes gripais.

A prefeitura da capital montou um drive-thru de testagem rápida para Covid que tem longas filas no primeiro, nesta quinta. A busca por testes em farmácias também aumentou.

Os médicos que atendem na rede básica de saúde de Rio Branco suspenderam de forma temporária a greve da categoria que já durava mais de um mês. A decisão ocorre devido à terceira onda de Covid que atinge o estado acreano com elevação de casos da doença.

Durante uma coletiva de apresentação do cenário epidemiológico do Acre, o governador Gladson Cameli disse que vai decretar situação de emergência devido ao aumento dos casos de Covid-19, no início do mês de janeiro.

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Além disso, o governador junto com a secretária de Saúde, Paula Mariano, alertaram para a importância da vacinação como medida de proteção contra a doença e mantiveram todo estado na bandeira amarela. O Acre está na faixa de atenção desde o dia 24 de dezembro do ano passado, conforme nota divulgada pelo Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19.

Decreto

Diante desse cenário, o Iapen-AC decidiu manter apenas algumas atividades internas nas unidades prisionais de Rio Branco, como: escoltas e saídas externas já agendadas, requisições do Poder Judiciário, requisições das funções essenciais à Justiça e também requisições emergenciais.

O decreto com a suspensão foi publicado nesta quinta (20) no Diário Oficial do Acre (DOE).

“Ficam mantidos ainda os atendimentos de advogados junto aos seus clientes presos, e desde que autorizados pelos diretores das unidades prisionais, a entrega de materiais destinados às pessoas privadas de liberdade, resumindo-se estritamente e nos casos excepcionais aos materiais de higiene pessoal e comum”, diz o artigo 3º do decreto.

Cruzeiro do Sul

Em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, as visitas estão suspensas desde o dia 30 de dezembro do ano passado.

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Segundo o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC), ao menos 121 presos foram atendidos com sintomas gripais, quando anunciou a suspensão. Cruzeiro do Sul, assim como Rio Branco, sofre com surto de gripe. Por G1 Ac.

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Veja o Vídeo Abaixo: Em meio a maior crise do sistema de transporte coletivo dos últimos tempos, a população de Rio Branco vive um dilema e acorda todo dia sem saber se terá ônibus passando em sua região. O prefeito Tião Bocalom tentou amenizar o problema repassando R$ 2 milhões e quatrocentos mil para as empresas quitar os débitos com empregados, acordo não cumprido e que foi um dos motivos para a intervenção no setor.

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