Povo Huni Kuin caminha pelas ruas de Rio Branco e cobra políticas públicas do governo Gladson

Com parte da Assembleia Geral Ordinária do Povo Huni Kuin, indígenas acreanos marcham pela cidade de Rio Branco na manhã desta quarta-feira, 22.

O grupo está reunido em Rio Branco para debater entre diversos temas, incluindo a união de seu povo para manter as tradições e cultura nas futuras gerações.

Os povos indígenas vivem um momento de muita tensão, com ataques do governo Federal e Estatual (Gladson Cameli) a direitos e conquistas feitas ao longo dos últimos anos.

No âmbito estadual, o governo extinguiu a Assessoria Especial para os Povos Indígenas e criou, com a nova reforma, uma coordenação que deve ficar na Secretaria de Assistência Social.

“Nessa nova estrutura do governo, alguns projetos e programas estagnaram. Não sabemos exatamente o que está ocorrendo.

O estado, até hoje, não nos informou como vai proceder com as política públicas. Mas nós queremos dialogar, queremos políticas públicas”, afirmou Ninawá, presidente da Federação do Povo Huni Kuin do Estado do Acre.

Prefeito Ilderlei Cordeiro firma convênio e garante realização do Novenário e Marcha para Jesus em Cruzeiro do Sul

Cultura, o turismo e a religião na cidade de Cruzeiro do Sul: Os eventos ainda não possuem data definida e nem a programação oficial.

Este ano, o Novenário de Nossa Senhora da Glória e a Marcha para Jesus terão, mais uma vez, o apoio da Prefeitura de Cruzeiro do Sul, que assinou convênio com as Igrejas Católica e Evangélica para a realização dos dois maiores eventos religiosos do Juruá.

Todos os anos os dois tradicionais eventos reúnem milhares de fiéis do Acre e de outros estados. Os eventos ainda não possuem data definida e nem a programação oficial.

Segundo o secretário de Cultura, o professor Ademir Maciel, apoiar eventos religiosos é um investimento de grande retorno para o município.

“Tenho certeza que esses dois eventos, tanto a Marcha para Jesus e o Novenário são os maiores eventos de turismo religioso do Acre. E, com certeza, vão fomentar de grande grandiosa a economia, a cultura, o turismo e a religião na cidade”, disse.

“Governo é para respeitar as diferenças”, afirma Francisco Piyãko em ato de luta dos povos indígenas

Para ele, com seu discurso de intolerância e ações de enfraquecimento das políticas públicas, o presidente Bolsonaro age para acabar com as populações indígenas e sua cultura.

Durante encontro da 10ª edição do Abril no Acre Indígena, nesta quinta-feira, 25, a liderança ashaninka Francisco Piyãko falou sobre os ataques que o governo federal tem realizado contras os povos indígenas neste início de mandato.

“O papel do governo é ajudar, não só os indígenas, mas toda essa diversidade brasileira a terem seu lugar garantido e respeitado. Governo é para respeitar as diferenças”, afirma Piyãko. Ele explica que essa tentativa do governo federal, de abrir as Terras Indígenas, para negócios sem identidade cultural com as comunidades, iria aumentar ainda mais o êxodo rural e as desigualdades sociais.

“Nós vamos continuar nas florestas, essa é uma opção nossa. Se sairmos daqui, será o fim de todos nós. Vamos ver se o governo vai ter condições de oferecer comida para tantas pessoas nas ruas das cidades. Eles vão é querer matar a gente mais rápido ainda”, declarou.

Ele explica que a sociedade e seu presidente precisam entender a lógica de quem vive nas florestas e fortalecer essas comunidades. “Na cidade, o estoque está no supermercado, é diferente da nossa comunidade. O nosso estoque está no roçado, a gente vive livre e se planeja dentro de nossas necessidades”.

Piyãko é uma das lideranças do povo Ashaninka do Acre, que vivem na Aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. Por meio da Associação Apiwtxa e consenso dentro da comunidade, a população tem realizado projetos de desenvolvimento sustentável, além de terem um plano de proteção e conservação de seu território.

O Abril no Acre Indígena é realizado pela Comissão Pró-Índio do Acre, em parceria com a Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC) e a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC). Em Brasília, está ocorrendo o Acampamento Terra Livre em sua 15ª edição, fazendo uma luta intensa contra os retrocessos do governo Bolsonaro.

Francisco Piyãko: Temos 500 anos de resistência no Brasil. Queremos apenas paz

Estamos no século 21, porém, o que o governo brasileiro hoje está questionando e botando em pauta é do século passado.

É como se estivesse anulando tudo o que se avançou, tudo que se conquistou até aqui e a partir de agora fosse recomeçar tudo. Não cabe este pensamento.

Essa ameaça não é só ao povos indígenas, é um ataque à Amazônia, às florestas e aos conhecimentos. É um ataque à história do Brasil.  É uma tentativa de desconstruir um povo que conseguiu se libertar. Com isso, querendo retomar um sistema de mão de obra barata, de domínio cultural, de extermínio, de desrespeito e destruindo os avanços.

Dados do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, lançado no fim de 2018, com dados de 2017, mostra o aumento da violência contra nós, de forma sistêmica e contínua. 

Este trabalho, realizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), aponta a gravidade dos ataques a nós. Foram 128 casos de suicídio, 110 de assassinato e 702 casos de mortalidade infantil. Números que apontam a ausência de um Estado, que por força da Constituição, deveria agir com rigor.

Acredito, muito, que a sociedade hoje está com mais capacidade de enfrentar e resistir de uma maneira organizada, coletiva e agir pelo país.

A história moderna deste país viveu um primeiro momento no qual os povos indígenas se mobilizaram e se unificaram, em um movimento, para lutar por direitos. Para serem reconhecidos enquanto povos, ter direito à terra, direito à proteção pelo estado, à saúde, educação, direito a ser livre e não tutelado. Estamos garantidos e protegidos por leis, que foram duramente conquistadas para a Constituição de 1988.

A partir disso, fomos trabalhar para estruturar políticas que atendessem os povos indígenas e avançamos bastante, apesar de muita coisa ainda não ser cumprida pelo estado. Temos um povo que se sente livre para expressar sua cultura, continuar lutando e decidir aquilo que quer para sua vida.

Nós fizemos também alguns movimentos locais, a partir das conquistas nacionais. Foram políticas públicas que atenderam e respeitaram nossos direitos, como a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental. Fizemos os planos de gestão territorial nas aldeias, buscamos estratégias de fortalecer nossa cultura e tradição.

No Acre, fomos uma referência para o Brasil. Aqui, os povos indígenas passaram a ter um lugar de respeito no Estado, enquanto governo, e perante o restante da sociedade, a partir dos encontros de cultura e festivais, que apresentaram um povo que vivia escondido nas sombras e ninguém conhecia. Nós, povos indígenas, temos muita honra de sermos acreanos.

Conseguimos uma identidade própria e, apesar das ameaças de agora, não corremos risco de desaparecer. A mobilização própria de cada povo, respeitada e fortalecida, é uma armadura contra os ataques constantes. Hoje sabemos o que fazer para garantir nossos direitos.

Precisamos agora entender que este tempo, em que os índios se escondiam e corriam com medo, de um canto para o outro, ou teriam que deixar de ser índio para ser gente, que teriam que estar batizados e pertencerem a uma religião, ou a um patrão, passou. Estamos livres e vamos manter esta liberdade a partir do que já construímos até aqui.

Estamos em um contexto muito diferente, conseguimos nos colocar de uma maneira que ninguém tira mais nossa identidade. Agora, pensamos uma relação a partir da diversidade dos povos, da diferença de culturas e da união.

Temos 500 anos de resistência, isto que passa pelo Brasil é um alerta para seguir as conquistas. Vamos para a luta pelo tempo que for necessário. Nosso grande sonho é viver em nossas aldeias, com paz.

Francisco Piyãko é uma das lideranças do povo Ashaninka, no Acre, ex-Secretário dos Povos Indígenas do Acre e ex-assessor da presidência da Funai.

Lideranças ashaninkas dialogam ações ambientais com embaixada alemã

Uma das principais pautas foi a questão ambiental e desenvolvimento sustentável no Brasil, na qual o país europeu tem sido um dos principais parceiros, junto com a Noruega.

Em Brasília, lideranças do povo ashaninka, do Acre, estiveram reunidos esta semana com diplomatas da Embaixada Alemã e com Omid Nouripour Membro do Bundestag alemão (parlamento da República Federal da Alemanha).

“O povo ashaninka tem uma grande parceria com a Alemanha e a Noruega, que são os países que mais apoiam a questão ambiental e indígena no Brasil. Nosso diálogo é para que se continue esta cooperação, pois estamos preocupados com os rumos que o governo brasileiro tem tomado”, explicou Francisco Piyãko, Francisco Piyãko, uma das lideranças e Coordenador Geral da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ).

Recentemente, os ashaninkas têm executado projetos de grande importância para sua comunidade e para o entorno da Terra Indígena (TI) Kampa do Rio Amônia, abrangendo famílias também da Reserva Extrativista do Alto Rio Juruá, em Marechal Thaumaturgo.

Um dos trabalhos foi executado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de mais de R$ 6 milhões, frutos do Fundo Amazônia, programa que recebe recursos da Noruega e da Alemanha. Além de estarem também executando um projeto de sementes nativas, com apoio do governo do Estado por meio do projeto REM (Redd para pioneiros), em parceria com o banco alemão KfW.

Por meio da Associação Apiwtxa, o povo ashaninka pretende ampliar os projetos de sustentabilidade, podendo chegar em toda as regiões do Juruá e Tarauacá/Envira. “Nós estamos aqui para contribuir, avançar com a sustentabilidade e o desenvolvimento a partir de nossos valores de união e da diversidade de nossa gente”, afirma Francisco.

Acompanharam a reunião também Auzelina Piyãko, Dorinete Piyãko, Wewito Piyãko, Moisés Piyãko e Benki Piyãko.

“Uma comunidade na floresta tem outros valores que precisam ser compreendidos”, afirma líder ashaninka

Os povos indígenas acreanos estão organizados e sabem bem como realizar a gestão de seus territórios. O líder ashaninka, Francisco Piyãko, deixou isto claro para os telespectadores do programa Gazeta Entrevista, nesta semana.

“Uma comunidade na floresta tem outros valores que precisam ser compreendidos”, afirmou, mostrando que a sociedade precisa conhecer uma nova realidade de auto-sustentabilidade das comunidades. Além disso, estes grupos estão cientes da luta que é necessária diante dos últimos retrocessos que o governo Federal fez com as políticas públicas para povos originários do Brasil.

Para aqueles que acreditam que só existe miséria nas comunidades indígenas do Acre, Piyãko afirmou que estas pessoas desconhecem como vivem os povos do estado. “Quando você visita e vive em uma comunidade indígenas, você começa a perceber outra realidade. Nós trabalhamos uma gestão territorial de modo que preservamos as tradições e o modo de vida, como também trabalha o manejo sustentável dos recursos”, afirma.

Para a liderança, afirmar que uma Terra Indígena produtiva é reafirmar o preconceito com a cultura de cada povo e ir de contra a decisão dos membros das comunidades. “Não é a quantidade de recursos financeiros que se tem que vai resolver o problema de vida da comunidade. É preciso ter um processo de organização interna para dialogar com este mundo de fora, sem ter prejuízos”, explica.

Com mais de 30 anos após um novo processo de organização social, a comunidade do povo ashaninka, do Rio Amônia, apresenta resultados importantes ao lidar com as questões sociais fora da aldeia. Conseguiram acabar com a exploração de madeira ilegal que era realizada em sua terra, por grupos econômicos de Cruzeiro do Sul, e criaram projetos de manejo sustentável de seus recursos, desde a criação de tracajás como plantio de frutíferas.

Movimento indígena acreano está em luta contra os retrocessos

Nesta fronteira, estão as Terras Indígenas, Reservas Extrativistas, Projetos de Assentamentos e qualquer área onde habita um agricultor familiar ou comunidade tradicional.

O ano de 2019 começou com ataques contra os povos indígenas do Brasil. O novo governo Federal faz renascer o espírito Plano de Integração Nacional (PIN), que abre caminho para o agronegócio e exploração comercial, destruindo qualquer coisa que considerem empecilho. 

Nas primeiras horas como presidente, Bolsonaro tratou logo de começar a ofensiva contra os povos indígenas. Com a Medida Provisória (MP) nº 870, a demarcação de Terras Indígenas (TIs) é transferida da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O órgão está sob o comando de Tereza Cristina da Costa (DEM), que foi líder da bancada do agronegócio na Câmara Federal, grupo que sonhava em estar no controle das terras brasileiras.

Entre outras ações, está também o Decreto nº 9.667, que simplesmente tira da Funai o dever de realizar o licenciamento ambiental de empreendimentos que impactam os povos e terras indígenas. Aqui, está aberto o caminho para qualquer exploração desenfreada dentro dos territórios tradicionais, onde cresce uma cultura totalmente diferente das cidades.

Em todo o país, as organizações indígenas estão indo para o embate, não se calando diante destes ataques feitos pelo Estado Brasileiro. Agora, não mais apenas com arcos e flechas, mas com conhecimento jurídico, com parceiros, buscando diálogo e reconhecimento à Constituição Federal.

Primeiro, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) entrou com uma representação junto à Procuradoria Geral da República (PGR), pedindo que a Procuradora Raquel Dodge ingresse com uma ação judicial para suspender os atos da presidência. Logo, os movimentos indígenas em todos os estados também se organizaram para ampliar este debate e mostrar o tamanho do perigo que são esses ataques.

No Acre, um grupo formado pela organizações dos Povos Indígenas do Juruá (Opirj), dos Professores Indígenas do Acre (Opiac), das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Sitoakure) e do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (Amaaiac) também entrou com representação no Ministério Público Federal (MPF), em Rio Branco.

Nesta segunda-feira, 7, as lideranças apresentaram documento apontando os retrocessos e às afrontas à Constituição para a procuradora da república Luciana de Miguel Cardoso Bogo. Foi um importante momento para apresentar o cenário nacional e local em que vivem a população indígena, com constante medo de ataques e com o preconceito que cresce ainda mais ao se ter um chefe de nação legitimando barbáries.

“Nossa preocupação que queiram botar as Terras Indígenas como um problema para o país. Nossos territórios não podem ser colocados como interesses de instituições, nacionais e internacionais, temos voz e vontade próprias”, declarou Francisco Piyãko, liderança do povo ashaninka e coordenador da Opirj. “Nos deprime ver o tamanho do preconceito contra os povos indígenas, pessoas tentando nos humilhar. Já ouvimos nossos vizinhos da terra comentando que agora terão a terra de volta”, disse Yaka Shawandawa, coordenadora da Opiac.

As falas demonstram o posicionamento firme e consciente do movimento indígena acreano, que há mais de 30 anos está se organizando e conquistando políticas públicas para sua população. A luta deles continuará muito grande por pelo menos mais quatro anos, enfrentando novamente o espírito irresponsável da integração.

Os povos indígenas acreanos vivem uma experiência de fortalecimento cultural, executando projetos próprios de desenvolvimento sustentável, produção de espécies nativas e retomada da espiritualidade. As noites, nos terreiros, têm sido de muita conexão com os bons espíritos da floresta com a força da Ayahuasca, Nixi Pae, Uni e tantas outras denominações desta bebida sagrada. Os ensinamentos para esses tempos sombrios vêm de muito longe.

Quem vai pegar as chaves dos povos indígenas do Acre?

Após 20 anos de diálogo direto entre governo e movimentos indígenas, a nova gestão Estadual parece ter deixado de lado os povos tradicionais do Acre.

Artigo de Arison Jardim

Começando pela estrutura administrativa, não há qualquer menção de um setor específico para ouvir as demandas dos povos indígenas, nem mesmo uma pessoa nomeada para conversar sobre os tantos projetos que já estão em andamento.

O constrangimento para com os povos indígenas chegou ao ponto de ninguém do novo governo receber as chaves do espaço onde funcionava a Assessoria Indígena, na Casa dos Povos Indígenas, em Rio Branco. Uma nova tentativa de reunião foi feita nesta quarta-feira, 2, para que fossem entregues as chaves e assim iniciar um caminho de diálogo, o resultado foi o mesmo, nada.

Em suas páginas do Facebook, as lideranças Yaka Shawandawa, conhecida também como Francisca Arara, e Tashka Peshaho Yawanawa questionaram a atitude do governador Gladson Cameli. “Cadê o respeito com os 16 povos indígenas do estado do Acre. Ou querem escravizar os povos indígenas como seus antepassados [fizeram]”, escreveu Yaka.

Já Tashka questionou a relação do governo de Gladson com o cenário nacional: “Ou você quer impor aqui no Acre o bolsonarismo dos ruralistas e evangélicos, que fatiaram a Funai e estão promovendo o retrocesso na política indigenista brasileiro?”. Um conjunto de chaves a serem entregues é símbolo do sentimento que estes dois governos estão demonstrando com os povos originários, renegar seus direitos e atacar seus territórios.

No Acre, depois dos massacres contra os povos no início do século passado, os indígenas passaram a se reestruturar e serem reconhecidos na década de 1980, passando a fazer parte integral do governo do Estado a partir de 1999, com a vitória da Frente Popular. Avanços foram feitos, investimentos na valorização cultural, produção sustentável, educação e organização social sempre foram realizados.

Foram mais de R$ 61,4 milhões investidos em diversas atividades dentro das terras indígenas entre 2011 e 2017, uma política pública de valorização, diálogo e reconhecimento. O governador Tião Viana deixou ainda mais de R$ 34,6 milhões para serem investidos, por isso tão importante a permanência do diálogo com os movimentos que trazem a demanda das mais de 30 terras indígenas.

A liderança Ashaninka, Francisco Piyãko, ressalta que o cenário nacional é extremamente alarmante, dado que em suas primeiras 24h, o presidente Bolsonaro decidiu desmontar o sistema administrativo para a questão indígena. “Os dois governos aparentar estar alinhados, assim como durante a campanha, assumem que não têm nenhum compromisso com a agenda indígena”, afirma.

Em apenas 24h, um dia e uma noite, Bolsonaro decidiu que política indígena não garantia do seu território, não é garantia do que eles decidem fazer com suas terras. Em uma canetada, ele delegou ao Ministério da Agricultura a função de identificar e demarcar as terras indígenas do país. A pasta agora é gerida por Tereza Cristina da Costa (DEM), até então líder da bancada do agronegócio na Câmara, grupo que sonhava em estar no controle das terras brasileiras, afinal, agora podem validar todas as invasões de territórios que os ruralistas fazem em todo o Brasil.

No Acre, quem irá dialogar com os povos originários? Quem irá apoiar o trabalho de Agentes Agroflorestais, professores e povos que fortalecem a cultura em festivais? Os dois governos, Federal e Estadual, são dois lados da mesma moeda, uma elite que não dá espaço para a representatividade brasileira.