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Manejo florestal sustentável equilibra economia e preservação, “recorde na balança comercial”

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Peso na exportação: Manejo florestal sustentável equilibra economia e preservação – Foto: Paulo Roberto Parente/Arquivo pessoal

Aliar tecnologia, preservação e economia é um dos desafios de quem decide empreender na Amazônia tendo como base os produtos florestais – que é o forte de todos os estados dessa região e não é diferente no Acre. São eles que movimentam a economia do estado e, no ano passado, foram responsáveis pelo recorde registrado na balança comercial.

Segundo o portal G1 Acre, só no primeiro trimestre deste ano, o estado já chegou aos 20 milhões de dólares em exportações e superou o mesmo período do ano passado. Já em 2021, o Acre exportou US$ 48,838 milhões e importou, US$ 3,741 milhões, resultando em um saldo na balança comercial de US$ 45,097 milhões durante todo o ano, o que representa novo recorde do seu comércio exterior, superando em 21,8% o resultado de 2018, que foi de US$ 37,038 milhões.

A Plataforma “Amazônia Que Eu Quero” realiza o fórum “Empreendedorismo” no próximo dia 19.

O objetivo é discutir novas opções de modelo econômico para a Amazônia. Busca-se elencar possibilidades reais de união da tecnologia com a utilização dos recursos naturais, gerando uma cadeia produtiva consciente, perene e sustentável, com benefícios econômicos e sociais para os amazônidas.

E uma dessas alternativas é a exploração sustentável da madeira, um dos produtos mais abundantes no Acre. Uma das alternativas usadas por muitas empresas que trabalham com a exploração da madeira é o manejo florestal.

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Nesse sistema, você segue um plano de exploração de determinada área respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema e possibilitando, inclusive, utilização de múltiplas espécies madeireiras.

Madeira retirada no Acre e enviada para outros países saem de área de manejo florestal – Foto: Paulo Roberto Parente

Cumaru-ferro lidera mercado

Em uma dessas empresas no Acre, que atua em Rio Branco e Xapuri, a espécie mais exportada é a Dipteryx odorata, mais conhecida como Cumaru-ferro. Apesar de essa espécie não ser a mais valiosa no mercado, o engenheiro florestal da empresa, Paulo Roberto Parente, explica que é a mais abundante, facilitando assim a exploração.

“Tem mais a ver com a ocorrência natural dela. A espécie que chega a ter o melhor valor de mercado é o ipê, mas a ocorrência do ipê nas florestas do Acre é menor que a do Cumaru. Ou seja, o ipê vale mais, mas a gente tem menos dele disponível naturalmente. Já o cumaru tem um ótimo valor de mercado e ocorre com mais abundância”, explica.

Só nessa empresa, no período de 21 de junho do ano passado até 23 de abril deste ano, foram concluídos 76 embarques contendo produtos da madeira de cumaru-ferro, totalizando 1774,379m³, com valor médio de R$ 8.160,91 por m³.

“Os principais produtos exportados feitos de cumaru-ferro são deckings e S4S. O cumaru-ferro pode ser usado para várias coisas, como se fosse um quebra-cabeça que pode ser montado para várias funções. Ele é muito usado por suas propriedades mecânicas, por apresentar uma ótima durabilidade e resistência à intempéries.”

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Área de manejo tem menor impacto ambiental – Foto: Reprodução/Complexo Industrial Florestal Xapuri

A madeira retirada dessa área vai para a Europa, para países como:

Alemanha

França

Bélgica

Dinamarca

Holanda

E também para a Oceania, como:

Nova Zelândia e Austrália e também para a

Ásia (China)

Manejo florestal

Sobre o manejo florestal, o engenheiro diz que apostar nesse sistema é, inclusive, garantir a preservação ambiental.

“O fato de sair de projetos de manejo legalizados é importante porque garante a preservação da espécie e possibilita a exploração desse recurso de maneira ambientalmente correta. Garante também a disponibilidade da espécie para uma exploração futura, enquanto houver interesse econômico. Nós usamos a palavra exploração, que pode ter um impacto negativo, mas é o termo mais adequado, uma vez que falamos de recursos naturais”.

Ela destaca ainda que a forma consciente da utilização dessas espécies contribui, justamente, para aliar preservação e economia.

“Por se tratar de recursos naturais, que têm, além de valor econômico, uma função ecológica primordial, a exploração e uso desses recursos deve ser feita de forma consciente e com parâmetros técnicos”, finaliza.

A espécie mais exportada é o Cumaru-ferro – Foto: Reprodução

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Amazônia: Desmatamento em terras públicas, taxas de derrubada alcançaram patamares alarmantes

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Estudo inédito diz que o perfil da devastação mudou e derrubadas estão focadas em terras indígenas, unidades de conservação e florestas públicas não destinadas – Foto: Divulgação / Barbacena online

Agência O Globo – No atual governo, as taxas de derrubada de florestas na Amazônia alcançaram patamares alarmantes, não registrados desde 14 anos atrás. Entre 2019 e 2021, o desmatamento ultrapassou os 10 mil km² ao ano, 56,6% mais do que a média anual do período anterior. Mas não só. Um estudo inédito revela que o perfil da devastação mudou. Se antes as áreas privadas eram as mais afetadas pelos criminosos, agora as terras públicas são os alvos preferidos. Nos últimos três anos, mais da metade (51%) do desmatamento do bioma ocorreu em terras indígenas, unidades de conservação e nas chamadas florestas públicas não destinadas (FPNDs).

O levantamento mostra que essa última categoria foi a mais prejudicada pela ação dos grileiros. Áreas que ainda aguardam uma destinação pelos governos para conservação ou uso sustentável de seus recursos, as FPNDs somam 56,5 milhões de hectares no país, o equivalente a duas vezes o tamanho do estado de São Paulo. Até 2020, pelo menos 3,4 milhões de hectares dessas florestas haviam sido derrubadas ilegalmente. As conclusões estão num estudo exclusivo do Projeto Amazônia 2030, uma iniciativa do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) , do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, da Climate Policy Initiative (CPI) e do Departamento de Economia da PUC-Rio.

– Está em curso hoje no país a maior usurpação de patrimônio público da história – afirmou Paulo Moutinho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e um dos condutores da pesquisa. – O processo todo é subsidiado por investidores, que desembolsam um bocado de dinheiro para o grileiro desmatar. E estimulado pela perspectiva futura de legalização da posse da terra pública.

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Para Moutinho, o avanço da derrubada em terras públicas é explicado pelo desmonte do aparato de governança ambiental, ocorrido a partir de 2019. Associado a isso, segundo ele, estão fatores como a demanda crescente por produção e a flexibilização das regras pelo Congresso e assembleias estaduais, que sinalizam aos grileiros que podem ser legalizados.

Grileiros modernos

Desde a Lei de Terras, de 1850, criminosos usavam de um mecanismo criativo para falsificar o título da propriedade e reivindicar sua posse: colocavam o documento dentro de uma caixa com grilos, que comiam as bordas do papel e defecavam nele, para dar uma aspecto amarelado e envelhecido, como se já tivessem o papel de longa data – daí a expressão grileiro. Uma das descobertas do atual estudo, segundo Moutinho, é que os grileiros se “modernizaram”.

Para forjar a posse de terras públicas invadidas, os grileiros estão usando uma ferramenta criada pelo próprio governo, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), um mecanismo do Código Florestal para regularização ambiental dos imóveis rurais. Autodeclaratório, o CAR necessita da validação de órgão ambientais municipais e estaduais para conferir o que foi informado pelo requerente do imóvel. Como essa verificação não avançou no país, os criminosos aproveitam o CAR para comprovar a posse fundiária.

A dinâmica de invasão dos grileiros é conhecida. Primeiro, eles escolhem a terra pública que vale a pena invadir, com base na topografia da área e da proximidade de estradas. Em seguida, conseguem um grupo de financiadores, a maioria de fora e que permanece com a identidade oculta. Com o dinheiro em mãos, derrubam a floresta com agilidade, colocam fogo para limpar a área e facilitar o preparo do solo. Em boa parte das áreas desmatadas, usam a pecuária para dar uma “legalidade ilusória” à terra. Por fim, eles registram o imóvel em sistemas oficiais, com o CAR, de modo a forjar a posse.

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Uma ação inédita movida pelo Ministério Público Federal do Amazonas contra um grileiro que usou o CAR para forjar a posse de um imóvel exigiu indenização por danos climáticos. De 2011 a 2018, cerca de 2.400 hectares de floresta intocada foram desmatados ilegalmente em uma área protegida no sul do Amazonas, no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Antimary. Na ação, o MP estimou, com base na calculadora de crédito de carbono desenvolvida pelo Ipam, que o desmatamento da floresta na região causou um dano climático de R$ 44,7 milhões. Em decisão liminar de abril passado, a Justiça reconheceu a existência de desmatamento ilegal e embargou a venda de gado criado na área.

Para conter o avanço da devastação, os pesquisadores fazem uma série de recomendações no estudo, como cancelar todos os CARs sobrepostos a terras públicas, dar uma finalidade às florestas não destinadas, aumentar a fiscalização e a punição a grileiros que invadem e desmatam terras públicas, além de apoiar as ações do judiciário contra invasões.

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