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Desmatamento em unidades de conservação alcança nível recorde em 2021

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Cerca de 1,38 mil km², o equivalente à cidade de Teresina (PI), foi devastado da Amazônia em unidades de conservação – Foto: Igo Estrela / Metrópoles.

Cerca de 1,38 mil quilômetros quadrados (km²) foi desmatado em unidades de conservação (UCs) na Amazônia Legal neste ano.

Os dados analisados pela reportagem são do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e foram atualizados no fim de outubro deste ano. A área desflorestada nos primeiros 10 meses de 2021 já é a maior desde o início da série histórica do Inpe, iniciada em 2008, quando se compara os 12 meses do ano.

Na prática, a parte devastada ao longo de 2021 equivale a uma cidade do tamanho de Teresina, capital do Piauí, que tem 1,39 mil km².

Trata-se de um aumento parcial de 16,8% em relação a todo o ano passado, quando 1,18 mil km² de árvores foram cortadas nas UCs. Desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o desmate tem crescido.

Veja a série histórica:

Os números são baseados em incrementos de desmatamentos, que permitem observar o corte de vegetação em áreas menores, como em UCs, terras indígenas e municípios, por exemplo.

Na quinta-feira (18/11), o Inpe divulgou dados sobre a taxa de desflorestamento geral, que não viabiliza o corte por regiões menores. No último ano – entre agosto de 2020 e julho de 2021 –, a área atingida em toda a Amazônia Legal foi de 13,325 km², a maior para esse mesmo intervalo de tempo desde 2006.

No caso de incrementos de desmatamentos, a série histórica começa em 2008, pois os dados anteriores foram produzidos em uma fase diferente do projeto Prodes e com ferramentas distintas.

Perda de biodiversidade

“O desmatamento dentro de unidades de conservação tem passado de 1 mil km² ao ano desde 2019, o que mostra ausência de medidas eficazes para combater o desmatamento dessas áreas, que, em tese, deveriam ter um cuidado especial”, explica a gerente de Ciências do WWF-Brasil, Mariana Napolitano.

As UCs são espaços, segundo a Lei nº 9.985/2000, definidos com o objetivo de salvaguardar o patrimônio biológico do local.

O desmate nessas áreas, a depender do tipo de unidade, não é totalmente proibido por lei. No entanto, o desflorestamento em UCs deveria ser próximo de zero, como assegura Cristiane Mazzetti, porta-voz da campanha do Greenpeace Brasil na Amazônia.

“Esse desmatamento em unidades de conservação tem um histórico muito forte de ilegalidades, de multas registradas pelo Ibama”, afirma Mazzetti.

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“Grande parte desse desmatamento é movido por invasões, grilagem, retiradas de madeiras e garimpo. Isso tem acontecido atrelado às reduções de operações de combate e ao número de infrações e de autuações”, completa Napolitano, ao concluir que a alta da degradação nas UCs é um grave indicador de que o país está perdendo a biodiversidade para atividades ilegais.

“Hoje a gente não tem uma política que incentiva a fiscalização, nem mesmo por parte do discurso do governo. A máquina está sendo aparelhada”, avalia o professor de sensoriamento remoto da UnB Gustavo Baptista.

“Ciclo perverso”

Em números gerais, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que fica em Altamira e São Félix do Xingu, no Pará, é a UC com a maior área desmatada desde o início do monitoramento: 3,51 mil km².

Criada em 2006, a APA compõe o chamado Mosaico da Terra do Meio, região conhecida pela grande quantidade de grilagem, desmatamento ilegal, trabalho escravo, tráfico de drogas, pecuária extensiva e violência.

No topo do ranking, também figuram, respectivamente na terceira e quinta colocação, as reservas extrativistas (Resex) Jaci-Paraná, em Rondônia, e Chico Mendes, no Acre. Confira:

As duas unidades têm propostas aprovadas ou em discussão para redução das áreas protegidas.

Em maio deste ano, o governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha (sem partido), aprovou lei que reduz cerca de 1,67 mil km² de áreas de reservas extrativistas no estado. Na Resex Jaci-Paraná, 1,5 mil km² passou do domínio público para a iniciativa privada, restando apenas 0,22 mil km².

O Projeto de Lei (PL) nº 6024/19, que hoje aguarda parecer do relator na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra) na Câmara dos Deputados, pretende reduzir a 221 km² a Resex Chico Mendes. A autora da proposta é a deputada federal Mara Rocha (PSDB-AC).

Na justificativa, ela alega que famílias locais “não conseguem encontrar sustento nos produtos extrativistas da região e encontram barreiras para permanecer nas atividades em que sempre laboraram, a saber: criação de gado e agricultura.”

“Isso forma um ciclo perverso de invasão, desmatamento e, agora, uma descaracterização de ambientes que eram previamente protegidos por lei”, contrapõe Napolitano, da WWF-Brasil.

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Outro lado

O Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram procurados pelo Metrópoles para comentar os dados de desmatamento nas UCs.

O Ibama informou que a fiscalização nas unidades é feita pelo ICMBio.

Por sua vez, ICMBio e MMA não se manifestaram até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto. Veja mais no Metrópoles

E Veja Também no 3 de Julho Notícias

Veja o Vídeo Abaixo: A câmara de Brasiléia aprovou por 8 votos o Anteprojeto de Lei, de autoria da Vereadora Neiva Badotti, que dispõe acerca de procedimentos e limites de pagamentos das Requisições de Pequeno Valor (RPV) devidas pelo município de Brasiléia-Acre. Atualmente, portanto, qualquer débito judicial transitado em julgado em desfavor da Fazenda Pública no município de Brasiléia superior a R$ 6.600,00, estará sujeito ao regime de expedição de precatórios, ou seja, respeitando-se a ordem cronológica de suas apresentações.

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Manejo florestal sustentável equilibra economia e preservação, “recorde na balança comercial”

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Peso na exportação: Manejo florestal sustentável equilibra economia e preservação – Foto: Paulo Roberto Parente/Arquivo pessoal

Aliar tecnologia, preservação e economia é um dos desafios de quem decide empreender na Amazônia tendo como base os produtos florestais – que é o forte de todos os estados dessa região e não é diferente no Acre. São eles que movimentam a economia do estado e, no ano passado, foram responsáveis pelo recorde registrado na balança comercial.

Segundo o portal G1 Acre, só no primeiro trimestre deste ano, o estado já chegou aos 20 milhões de dólares em exportações e superou o mesmo período do ano passado. Já em 2021, o Acre exportou US$ 48,838 milhões e importou, US$ 3,741 milhões, resultando em um saldo na balança comercial de US$ 45,097 milhões durante todo o ano, o que representa novo recorde do seu comércio exterior, superando em 21,8% o resultado de 2018, que foi de US$ 37,038 milhões.

A Plataforma “Amazônia Que Eu Quero” realiza o fórum “Empreendedorismo” no próximo dia 19.

O objetivo é discutir novas opções de modelo econômico para a Amazônia. Busca-se elencar possibilidades reais de união da tecnologia com a utilização dos recursos naturais, gerando uma cadeia produtiva consciente, perene e sustentável, com benefícios econômicos e sociais para os amazônidas.

E uma dessas alternativas é a exploração sustentável da madeira, um dos produtos mais abundantes no Acre. Uma das alternativas usadas por muitas empresas que trabalham com a exploração da madeira é o manejo florestal.

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Nesse sistema, você segue um plano de exploração de determinada área respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema e possibilitando, inclusive, utilização de múltiplas espécies madeireiras.

Madeira retirada no Acre e enviada para outros países saem de área de manejo florestal – Foto: Paulo Roberto Parente

Cumaru-ferro lidera mercado

Em uma dessas empresas no Acre, que atua em Rio Branco e Xapuri, a espécie mais exportada é a Dipteryx odorata, mais conhecida como Cumaru-ferro. Apesar de essa espécie não ser a mais valiosa no mercado, o engenheiro florestal da empresa, Paulo Roberto Parente, explica que é a mais abundante, facilitando assim a exploração.

“Tem mais a ver com a ocorrência natural dela. A espécie que chega a ter o melhor valor de mercado é o ipê, mas a ocorrência do ipê nas florestas do Acre é menor que a do Cumaru. Ou seja, o ipê vale mais, mas a gente tem menos dele disponível naturalmente. Já o cumaru tem um ótimo valor de mercado e ocorre com mais abundância”, explica.

Só nessa empresa, no período de 21 de junho do ano passado até 23 de abril deste ano, foram concluídos 76 embarques contendo produtos da madeira de cumaru-ferro, totalizando 1774,379m³, com valor médio de R$ 8.160,91 por m³.

“Os principais produtos exportados feitos de cumaru-ferro são deckings e S4S. O cumaru-ferro pode ser usado para várias coisas, como se fosse um quebra-cabeça que pode ser montado para várias funções. Ele é muito usado por suas propriedades mecânicas, por apresentar uma ótima durabilidade e resistência à intempéries.”

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Área de manejo tem menor impacto ambiental – Foto: Reprodução/Complexo Industrial Florestal Xapuri

A madeira retirada dessa área vai para a Europa, para países como:

Alemanha

França

Bélgica

Dinamarca

Holanda

E também para a Oceania, como:

Nova Zelândia e Austrália e também para a

Ásia (China)

Manejo florestal

Sobre o manejo florestal, o engenheiro diz que apostar nesse sistema é, inclusive, garantir a preservação ambiental.

“O fato de sair de projetos de manejo legalizados é importante porque garante a preservação da espécie e possibilita a exploração desse recurso de maneira ambientalmente correta. Garante também a disponibilidade da espécie para uma exploração futura, enquanto houver interesse econômico. Nós usamos a palavra exploração, que pode ter um impacto negativo, mas é o termo mais adequado, uma vez que falamos de recursos naturais”.

Ela destaca ainda que a forma consciente da utilização dessas espécies contribui, justamente, para aliar preservação e economia.

“Por se tratar de recursos naturais, que têm, além de valor econômico, uma função ecológica primordial, a exploração e uso desses recursos deve ser feita de forma consciente e com parâmetros técnicos”, finaliza.

A espécie mais exportada é o Cumaru-ferro – Foto: Reprodução

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