Candidata a deputada federal do Acre é denunciada pelo MPF por corrupção ativa e obstrução à Justiça

Empresária Charlene Lima está presa desde o último dia 13, quando a PF-AC deflagrou a Operação Hefesto. Defesa diz que vai avaliar a denúncia e tomar as medidas necessárias.

Charlene Lima está presa suspeita de corrupção ativa e obstrução à ativa — Foto: Arquivo pessoal

O Ministério Público Federal no Acre (MPF-AC) denunciou quatro pessoas investigadas na Operação Hefesto, deflagrada no último dia 13 pela Polícia Federal do Acre (PF-AC). A candidata foi denunciada por corrupção ativa e obstrução à Justiça. Entre os denunciados, está a candidata a deputada federal e empresária Charlene Lima (PTB), presa na primeira fase da operação.

A operação da PF-AC investiga uma suposta fraude em contratos públicos na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), em Rio Branco. Além da candidata, outras seis pessoas foram presas na primeira fase da operação. Destas, três que tiveram a prisão preventiva liberada foram liberadas.

Os demais citados na denúncia são: Ednilson Pereira Aguiar, Robson Diego Vidal Barros e Simone Silva de Freitas Félix. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos denunciados. Destes, apenas Ednilson Pereira Aguiar foi denunciado por obstrução à Justiça.

O advogado de Charlene, Marcos Vinícius Jardim, falou que o oferecimento da denúncia significa o fim das investigações. Com isso, ele explica que não há mais motivos para que a cliente continue presa, uma vez que o motivo da prisão alegado foi que ela poderia intervir nas investigações.

“Vamos no inteirar sobre a denúncia e tomar as medidas necessárias. A denúncia por si só não implica na condenação, pelo contrário, ela só mostra a necessidade de indícios e é dentro do processo que se prova a inocência do denunciado”, ressaltou.

Jardim acrescentou também que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, ainda não analisou o habeas corpus (HC) da empresária.

Investigações

Na publicação sobre a denúncia, o MPF-AC destaca que materiais coletados revelaram a oferta de propina no valor de R$ 50 mil para que um servidor fraudasse documentos e descumprisse ordens da Justiça do Trabalho. Metade do dinheiro, R$ 25 mil, chegou a ser entregue efetivamente para o servidor.

Ainda segundo a Justiça, ficou comprovada a participação de todos os denunciados na ação. O MPF-AC acrescenta também que continua investigando crimes como fraude à licitação, peculato e lavagem de dinheiro. Segundo a Justiça, os inquéritos foram separados.

Operações

A Operação Hefesto foi deflagrada no dia 13 de setembro. Ao todo, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e de prisão até terça-feira (18).

Conforme a Polícia Federal, o grupo criminoso teria fraudado contratos públicos relacionados ao serviço de publicidade. Eles também são investigados por tentativa de suborno a um servidor da Justiça do Trabalho para que o esquema criminoso não fosse descoberto.

No dia 18 foi deflagrada a Operação Hora Extra, desdobramento da primeira, onde os dois servidores foram presos. Desta vez, a operação investiga crimes de corrupção, peculado, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações.

Esquema

A empresa CL Publicidade, contratada para prestação de serviços de publicidade para a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e investigada por fraudes em licitações, cobrava mais de R$ 100 mil por duas horas de filmagem.

A informação é da Polícia Federal que analisou notas fiscais apreendidas e comparou com preço cobrado no mercado. Conforme o levantamento da PF, a empresa de Charlene Lima cobrava três vezes mais que o valor de mercado.

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Do G1 Acre

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