Gladson Cameli paga com verba pública R$ 270 mil à empresas da família de sua esposa

Estadão denuncia que candidato a governador do Acre destinou na Câmara R$ 270 mil a empresas de parentes da mulher entre 2009 e 2011.

Por Romerito Aquino e Tião Maia

O senador Gladson Cameli (PP-AC), candidato a governador do Acre nas eleições deste ano, acumula em suas já antigas atividades parlamentares um rol de rolos ou confusões desde quando assumiu seu primeiro mandato de deputado federal pelo estado, em fevereiro de 2006.

Depois de ser detido pela Polícia Militar do Distrito Federal em 31 de janeiro de 2012 por dirigir embriagado nas ruas de Brasília, tendo a carteira de habilitação suspensa por um ano, e passar pelo vexame de ser acusado na Operação Lava Jato de receber mensalinhos de R$ 30 mil a R$ 150 mil do esquema da Petrobrás durante seus dois mandatos de deputado federal, Gladson Cameli também foi manchete na mídia nacional por praticar o que se pode chamar, ética e moralmente, de grave nepotismo no uso de dinheiro público da Câmara Federal.

No dia seis de setembro de 2011, o senador foi manchete do jornal O Estado de São Paulo (Estadão) por ter destinado, desde abril de 2009, R$ 270 mil a empresas da família de sua mulher, Ana Paula, sendo os pagamentos realizados por meio da Cota para Atividade Parlamentar, verba a que os deputados têm direito para ressarcir despesas relativas ao mandato.

Segundo o jornal paulista, o então deputado federal Gladson Cameli apresentou quase todos os meses notas das empresas Aerobran Taxi Aéreo e Aerobran Distribuidora, que atua no mercado de combustíveis, para pedir ressarcimento das suas despesas. “Desde abril de 2009, quando a Câmara passou a divulgar o CNPJ das empresas, é possível verificar que o deputado destinou R$ 217,3 mil para a empresa de táxi aéreo e R$ 58,7 mil para o posto de combustível”, escreveu o Estadão.

As duas empresas tinham como sócios Abrahão e Nicolau Candido Silva, sendo Abrahão tio de Ana Paula e sogro de Gladson Cameli. Além do parentesco, segundo publicou o jornal paulista, as despesas apresentadas pelo parlamentar geraram dúvidas em relação aos serviços prestados.

Gasto com aumento de 33% para uma inflação de apenas 6,5%

Pelos dados divulgados no site da Câmara, o deputado apresentou uma nota com data de 1.º de junho de 2011 com o valor de R$ 9 mil para o deslocamento de avião para Tarauacá (AC), com ida e volta para Cruzeiro do Sul. No dia 25 de abril do mesmo ano, porém, o deputado declarou ter pagado R$ 7 mil pelo mesmo trajeto, um aumento da ordem de 33%, para uma inflação acumulada naquele ano de apenas 6,5%.

Segundo ainda o jornal paulista, os gastos com combustíveis do parlamentar também foram altos. “A Câmara limitou a R$ 4,5 mil o teto das despesas nesta área e quase todos os meses, as despesas (do deputado) chegam a esse montante. No caso da Aerobran Distribuidora, as três notas usadas neste ano têm valor próximo ao teto”, assinalou o Estadão.

O jornal ressaltou que, como os dados relativos aos gastos anteriores a abril de 2009 não incluíam o CNPJ das empresas, “é possível que o deputado (Gladson Cameli) tenha destinado ainda mais recursos aos parentes de sua mulher”. Nas prestações de contas anteriores a 2009 existiam diversos registros de gastos com combustíveis e locomoção do parlamentar, de acordo com o mesmo jornal.

O jornal Estadão informou que procurou a assessoria de imprensa do então deputado Gladson Cameli para comentar o fato, mas não obteve resposta, o mesmo acontecendo com a empresa Aerobran. O jornal Expresso Amazônia também fez o mesmo ao solicitar à jornalista Silvânia Pinheiro, da campanha de Gladson Cameli, sobre o que o candidato a governador teria a declarar em relação a este assunto, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Modelo do avião usado pela Aerobran Taxi Aéreo a partir de 2009 – Foto Voz do Norte

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