Coluna do Astério

Brasileia ontem, hoje, sempre!

Brasiléia está em festa pela passagem de ano de sua fundação. Aniversário de cidade é bem diferente do das pessoas. No meu caso, por exemplo, a cada nível vou ficando mais velho e me aproximando da partida final para a eternidade. A cidade não, a cada aniversário vai crescendo, se desenvolvendo, ficando maior e melhor, mais cheia de vida e de boas condições materiais para as novas gerações que chegam.

A cidade é antes de nós e será depois. Quando nasci ela já existia, tinha uma memória, uma história que me foi passada pelos que vieram antes de mim. Aprendemos valores, costumes e tradições dos antepassados. E Brasiléia tem uma linda história para ser sempre contada não apenas em livros, mas como nos tempos antigos, transmitida oralmente.

Contar essa história antigamente era mais fácil. Ao redor da mesa na hora do café, almoço ou janta, na frente das calçadas quando as famílias colocavam cadeiras de palha para conversar até altas horas a luz da lua ou em noites escuras, estreladas. Era muito bom. Vivi esse tempo. A modernidade chegou e acabou com essas coisas boas da convivência. As crianças iam sozinhas à escola, não havia drogas, violência e medo.

Primeiro veio a estrada (o único caminho era o rio), à luz elétrica 24 horas (era das 18h às 22h), depois a televisão, a internet, o Orkut, o facebook e agora o instagran e o Watsapp, além de outras plataformas que estão surgindo a cada dia. Fomos nos afastando uns dos outros. Não temos mais tempo para comer juntos, conversar à noite, caminhar nas ruas da cidade jogando conversa fora.

Alguém pode até dizer que hoje com o progresso as coisas ficaram bem melhores. Educação, saúde, mais alimento, coleta de lixo, ruas e praças bem cuidadas como a gestão municipal tem feito com muito zelo. É verdade!

Porém, cabe uma pergunta bem simples, não sobre a política, mas sobre o ser: os antigos eram mais felizes contando suas histórias do que nós que vivemos enclausurados e com medo. O Watsapp roubou nossos olhares, prendeu nossos sorrisos. Mas, tudo isso é apenas uma reflexão boba e saudosista de quem viveu em uma cidade aconchegante, um povo solidário, amigo e que hoje comemora sua data festiva.

Parabéns Brasiléia!!!

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