Segurança do paciente deve ser prioridade na gestão hospitalar

A ocorrência de condições adquiridas em razão de falhas na assistência hospitalar foi estudada em 2017.

Lorena Oliva Ramos 

Os eventos adversos em hospitais podem configurar a segunda causa de morte mais comum no Brasil, segundo o primeiro Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Ou seja, se erros ligados à assistência hospitalar fossem uma causa de óbito, teríamos de 120.514 a 302.610 mortes, todas pelo mesmo motivo.

A ocorrência de condições adquiridas em razão de falhas na assistência hospitalar foi estudada em 2017 e divulgada no relatório “Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil”. A pesquisa aponta que 19.128.382 cidadãos foram internados em 2016 e, desses, 1.377.243 foram vítimas de ao menos uma condição adquirida durante sua internação – em 71,7% dos casos com algum dano ao paciente, aumentando o tempo de internamento. Os dados mostram que as principais vítimas dessas ocorrências são pacientes clínicos, idosos, recém-nascidos e homens.  

Ao analisar o relatório, o Conselho Federal de Medicina corrobora que a assistência hospitalar no Brasil apresenta deficiências na infraestrutura física, falhas administrativas e falta de controle interno nos estabelecimentos. Isso compromete os processos de atendimento e dificulta a atuação de todas as categorias da saúde envolvidas nos cuidados aos pacientes, inclusive dos médicos. O CFM aponta ainda a necessidade da “adoção de um conjunto de ações, da capacitação das equipes de assistência, da qualificação da rede assistencial pública e privada, do aumento dos investimentos, da valorização dos profissionais, do aperfeiçoamento da gestão e da criação de mecanismos eficazes de avaliação, monitoramento e controle”.

Essas condições adquiridas, erros e eventos adversos que afetam diretamente a saúde do paciente e sua experiência no cuidado hospitalar, podem causar mortes, sequelas definitivas e transitórias, sofrimento psíquico, além de elevar o custo assistencial, com repercussões nos sistemas de saúde de todo o mundo.

De acordo com o Relatório da Autoavaliação das Práticas de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde 2016, realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e publicado em 2017, é necessário priorizar as ações de segurança do paciente pelos serviços de saúde brasileiros e aumentar a participação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

A Gestão Hospitalar tem alguns critérios de qualidade importantes como a integração de processos e informações, a segurança como prioridade do sistema, a transparência e a coordenação do cuidado, que deve ser alcançada pela cooperação ativa (integração de processos e informações) entre médicos e instituições. O gestor hospitalar é ponto chave para o desenvolvimento da segurança do paciente e, por isso, precisa ser um profissional especializado que faça a gerência dos processos de trabalho, a coordenação do planejamento estratégico das instituições de saúde, a gerência da qualidade dos serviços e os indicadores de desempenho.

As instituições hospitalares devem avançar na profissionalização dos gestores, buscando o fortalecimento da cultura de segurança do paciente, com planejamento, organização, direção e avaliação da estrutura e dos processos focados na prevenção das falhas na assistência hospitalar.

Autores: Profª Drª Ivana Maria Saes Busato, Coordenadora do Curso Superior Tecnológico de Gestão Hospitalar do Centro Universitário Internacional Uninter; e Prof. Dr. Rodrigo Berté, diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades da Uninter.

Telejornal 3 de Julho 8ª Edição

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