Governo promove oficina de produção de broto de bambu para alimentação

Não é só no artesanato e na construção civil que o bambu pode ser aplicado. Ganhando cada vez mais espaço, a planta tem sido pensada para outros serviços, e um deles é na área alimentícia.

 Por Márcia Moreira / Assessoria  

Por isso, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sect) e da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), com apoio do gabinete da primeira-dama Marlúcia Cândida, realizou nesta quarta e quinta-feira, 24 e 25, na Escola da Floresta, a oficina teórica e prática de produção de broto de bambu para alimentação.

Cerca de 25 produtores rurais da região da Transacreana e 10 técnicos profissionais da área agroflorestal e alimentícia participaram do curso, que aplicou técnicas desde a retirada da taboca do bambu até o cozimento para a retirada do ácido e preparação de pratos com a iguaria. A iniciativa, que faz parte do Centro Tecnológico do Bambu (CVT Bambu), ainda promoverá mais quatro oficinas nesta área até o fim do ano.

“A ideia é mostrarmos a estes produtores que é possível o broto do bambu comestível. Aqui eles aprenderam a cortar no tamanho adequado, descascar, cozinhar e depois colocar isso na alimentação diária deles, além de mostrarmos que a planta é economicamente viável, afinal, é uma matéria-prima de acesso fácil, pois hoje o Acre tem a maior floresta de bambu nativo do mundo”, explica a gestora da Sect, Renata Souza.

Moradora de Porto Acre, a instrutora da oficina Renilda da Cunha conta que é dona de 100 hectares de terra, 50 deles, de bambu. “Eu aprendi a trabalhar com isso, e hoje sou apaixonada. Por isso, quero que mais pessoas tenham conhecimento dessa espécie tão especial e aproveitável. A ideia é de que o broto do bambu se consolide nos pratos acreanos, valorizando o que vem da nossa terra”, afirma.

O produtor rural José Sabino, do Polo Wilson Pinheiro, ressalta a importância de aprender mais sobre o que dá na floresta e como aproveitar isso de diversas formas: “Já tinha ouvido falar do palmito da taboca, mas nunca tinha colocado em prática. Hoje estou vendo e achando bem interessante e já quero colocar em prática, assim como fazemos com a banana, além de passar esses ensinamentos para nossos filhos e netos”.

De acordo com a coordenadora de gastronomia Patrycia Coelho, a experiência de participar de todo o processo, desde a extração até a preparação, é inovadora. “Saímos agora de uma agenda com o fundador do Slow Food, Carlos Petrini, e agora estamos aqui aprendendo mais uma técnica de alimento vindo da nossa terra, que é limpo e livre de agrotóxicos, e isso é muito bom. A primeira-dama Marlúcia Cândida, uma pessoa que acompanha vivamente a gastronomia e que cria projetos e políticas públicas na área, fica muito feliz em ver esse trabalho sendo desenvolvido aqui”, aponta.

Esta notícia está na categoria Cultura. Marcar o link.