Em Xapuri, sindicato acusa fazendeiro de incendiar casa de seringueiro

O seringueiro Francisco da Silva Oliveira, 32 anos, é casado, pai de cinco filhos. Tinha apenas três anos de idade quando o líder sindical e ambientalista Chico Mendes foi assassinado em 22 de dezembro de 1988.

Francisco nasceu e sempre viveu na colocação Boulevard, no seringal São Pedro, nas matas de Xapuri, numa região denominada posteriormente de Reserva Extrativista Chico Mendes.

Na manhã deste sábado (25), quando o seringueiro se ausentara com a mulher e os filhos para prestar serviços à mãe dele, que mora a três horas de distância em caminhada dentro da floresta, no seringal Fronteira, colocação Boqueirão, sua casa foi incendiada.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Francisco de Assis, conta: 

Ninguém viu o autor deste bárbaro crime em ação, mas o seringueiro Francisco já havia sofrido várias ameaças de expulsão por parte do pecuarista Amândio Celestino Cogo. No mês de abril, o pecuarista ordenou que Raimundo, conhecido como Bacurau, fosse até Francisco dizer para que se retirasse de sua colocação. Ele se negou a sair, três dias depois Bacurau voltou novamente à residência do seringueiro.

Estava acompanhado de três funcionários da fazenda Vista Alegre, no ramal do Tupá, no intuito de destruir a casa. Não  encontrando o seringueiro e sua família em casa, desistiu, mas deixou recado com um vizinho, para que Francisco comparecesse à fazenda. O seringueiro não  compareceu temendo a violência por parte fazendeiro. Diante desses fatos, a comunidade do seringal suspeita que a casa do seringueiro finalmente foi incendiada a mando do fazendeiro Amândio Celestino Cogo, que vem criando conflito com vários posseiros.

O nome do pecuarista Amândio Celestino Cogo era o sexto da "lista suja" do trabalho escravo que o governo foi obrigado a divulgar em março. E chamou a atenção do jornalista Alceu Castilho, do site "De Olho nos Ruralistas", "por sua atividade e pela cidade onde tem empresa: ele é o dono do frigorífico de Xapuri (AC), a terra de Chico Mendes, o sindicalista assassinado em 1988 que se tornou referência mundial dos ambientalistas."

Nesta segunda-feira, vários seringueiros compareceram à cede do sindicato juntamente com Francisco para discutir uma solução para o problema. Eles foram orientados a registrar queixa na delegacia da Polícia Civil de Xapuri. O fazendeiro Amândio Celestino Cogo possui uma fazenda conhecida por Vista Alegre, que tinha aproximadamente dois mil e poucas hectares. Aos poucos, por via judicial, foi anexando áreas de posseiros do seringal São Pedro e Lua Cheia, que ficaram fora da Reserva Extrativista Chico Mendes, mais que nunca lhe pertenceram.

O fazendeiro conseguiu aumentar suas terras para quase 5 mil hectares grilando terras de posseiros com o aval da Justiça. O juiz que conduziu o processo de regulamentação para o fazendeiro depois de se aposentar virou advogado do mesmo em causas contra os posseiros. O conflito de terra havia diminuído após o assassinato de Chico Mendes, ocorrido há 29 anos. Porém, agora, estamos vivendo novamente um período turbulento. Vários fazendeiros tem entrado com ações na Justiça e já conseguiram expulsar alguns — acrescenta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.

O repórter não conseguiu localizar o fazendeiro Amândio Celestino Cogo.

Fonte: altinomachado.com

Esta notícia está na categoria Geral. Marcar o link.