Hemoacre realiza campanha de incentivo à doação de sangue na Páscoa

Um ato muito simples para expressar esse sentimento, e que pode salvar vidas, é a doação de sangue.

A Páscoa está chegando, e como ocorre em todos os anos, as famílias se reúnem para aproveitar a companhia um dos outros e demonstrar o amor, o carinho e o afeto que sentem pelo próximo. 

Mas esse sentimento de amor pode ser demonstrado de uma forma muito mais verdadeira do que trocando ovos de chocolate.

Para realizar essa boa ação é mais simples ainda. Basta comparecer ao Hemoacre, localizado na Avenida Getúlio Vargas, 2.787, bairro Vila Ivonete, que fica aberto de segunda a sábado, das 7h15 às 17h30. Para mais informações, o número de contato é o (68) 3228-1494.

O Hemoacre conta com aproximadamente 700 doações mensais, mas esse número ainda é pouco para suprir a necessidade da população, por isso há um reforço nas campanhas de incentivo e conscientização, já que quanto mais pessoas doarem, mais vidas estarão sendo salvas.

“A doação de sangue é de extrema importância, já que pode salvar vidas. Doe, hoje você ajuda alguém, mas amanhã pode ser você ou alguém da sua família que pode precisar ser ajudado”, orienta Quésia Nogueira, gerente de captação do Hemoacre.

Uma das estratégias para aumentar o estoque de bolsas de sangue são as parcerias com outras entidades. A próxima já está agendada e será com a Igreja Adventista.

A ação vai ser realizada no dia 31 de março, no Teatro Plácido de Castro, das 8 às 17 horas, e contará com apresentação de conjuntos vocais e ainda homenagens a autoridades, doadores e pessoas que em algum momento precisaram de uma doação de sangue para sobreviver.

“Essas parcerias se constituem em uma ajuda importante, porque representam aumento no nosso estoque de bolsas que, infelizmente, não é suficiente para atender as demandas das unidades de saúde”, explica Quésia.

Vale lembrar que para ser doador é necessário estar saudável, ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 apenas devem ir acompanhados de um responsável), pesar acima de 50 quilos e no ato da doação ter em mãos um documento com foto.

O doador não pode estar jejum, ter ingerido alimentos gordurosos e deve repousar no mínimo seis horas na noite anterior à doação.

Alto Acre já foi contemplado: Saúde atualiza Rede Cegonha no Acre

A meta é que os 22 municípios que constituem o estado, passem por essa atualização de plano até o dia 20 de abril.

Por Maxmone Dias 

O mês de março tem sido agitado para a equipe da Rede Cegonha. O programa, que existe desde 2011 e foi criado pelo o Sistema Único de Saúde (SUS), tem como intuito garantir à mulher o direito e atenção de atendimentos necessários durante o período de gestação.

Por isso, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre), por meio do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (DAPE),  durante todo o mês de março, realiza a atualização do plano do programa nos municípios do interior.

A atualização do plano consiste em traçar atividades e ações que devem ser executadas em 2018, discutindo e programando atendimentos as gestantes e garantindo acompanhamento a crianças de até 02 anos.

Os municípios de Bujari, Porto Acre, Senador Guiomard, Acrelândia, Rio Branco, Capixaba, Plácido de Castro, Xapuri, Epitaciolândia, Brasileia, Santa Rosa, Sena Madureira e Manoel Urbano já foram contemplados com as reuniões de atualização.

A meta é que os 22 municípios que constituem o estado, passem por essa atualização de plano até o dia 20 de abril, para que todas as gestantes sejam atendidas no mesmo nível de qualidade e humanidade como pleiteia a Rede Cegonha.

De acordo com a coordenadora estadual do programa, Elizama Lima, a atualização do programa é importante para que o estado possa dar continuidade as ações de saúde da gestante que ocorrem em 2018. “Estamos pactuando metas para desenvolver com as gestantes do nosso estado, as ações já acontecem nas unidades de saúde, mas queremos aprimorar ainda mais esses serviços”.

Humanizar: Saúde do Acre desenvolve projeto de humanização

O projeto de acolhimento e humanização nas portas do SUS foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde (MS), em parceria com os departamentos de humanização do país.

Por Fhaidy Acosta 

Humanizar cada vez mais a saúde no Acre é o principal objetivo de um projeto piloto que vem sendo realizado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), desde o ano passado no Hospital de Urgências e Emergências de Rio Branco, o Huerb.

A escolha da unidade de saúde não foi à toa. O Huerb atende pacientes de todo o Acre, de outros estados, como Rondônia e Amazonas, e até dos países fronteiriços, e realiza, em média, cerca de nove mil atendimentos e 600 internações ao mês, além de 55 mil exames de apoio e diagnóstico e quatro mil procedimentos cirúrgicos por ano.

Para garantir melhor assistência nesses atendimentos é desenvolvido por meio do Departamento de Humanização da Sesacre, o projeto que é contemplado pela Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde.

Antônia Gadelha, gerente de humanização da Sesacre, explica como isso acontece na prática. “Humanizar significa mudar os processos de trabalho. Isso quer dizer que estamos criando novas rotinas, novas formas de realizarmos o serviço de atendimento na unidade. O objetivo é acolher, ao invés de atender, apenas”.

Para garantir que essa política de humanização traga resultados concretos, na última semana foi realizada uma videoconferência com a coordenadora do projeto de humanização do Ministério da Saúde para o desenvolvimento do projeto no Acre.

“Humanizar é resolver o problema do paciente, não é só atender com zelo, pois isso é obrigação. Humanizar é fazer mais, é tratar o paciente como ele merece e como preconiza a lei e também como preconiza a política nacional de humanização do SUS”, acrescenta Gadelha.

Saúde realiza pesquisa sobre leishmaniose na cidade de Assis Brasil

A doença é transmitida por mosquitos infectados, com sintomas que provocam o aumento do baço e fígado, e, caso não seja tratada de forma correta, pode levar ao óbito.

Por Maxmone Dias 

Uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), em ação conjunta com o Ministério da Saúde (MS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realizou na última semana uma atividade de pesquisa, investigação e capacitação com foco em leishmaniose visceral no município de Assis Brasil, localizado na região do Alto Acre, fronteira com a Bolívia e o Peru.

A ação, organizada pelo departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Controle de Endemias da Sesacre, surgiu devido a suspeita de casos da doença no município, já que o mesmo faz fronteira com a cidade de Inãpari, no Peru, que tem registros desse tipo de leishmaniose.

Marilia Carvalho, gerente do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Controle de Endemias da Sesacre, destaca a ação conjunta com as instituições nacionais. “É uma pesquisa importante, já que demanda o envolvimento de instituições de saúde do Brasil. Tivemos também apoio de técnicos do Peru para ajudar na investigação de casos no município de Assis Brasil e Inãpari, da mesma forma que os apoiamos, pudemos também contar com a ajuda deles, então se tornou uma parceria internacional”.

O estado não tem casos de leishmaniose, mas por fazer fronteira com países que tem incidências da doença, os agentes de saúde de Assis Brasil, participaram de capacitações para identificar e entender a doença.

De acordo com técnica de endemias, Carmelinda Gonçalves, foram realizadas cerca de 200 coletas em cães para análise. É que esses animais são também afetados. “Esse tipo de leishmaniose no Acre não existe. Estamos fazendo uma vigilância ativa, por isso a importância dessa pesquisa para que possamos nos prevenir da doença já que fazemos fronteira com o Peru e a Bolívia”, disse.

Doação de órgãos: quando o amor transcende a dor da perda

A cada “SIM” de uma família, uma vida pode ser salva por meio de um transplante. Apesar do sucesso, números de transplantes podem ser maiores se as famílias optarem pela doação de órgãos.

Por Lane Valle / Assessoria

“Ela era uma pessoa amável e caridosa e autorizar a doação de seus órgãos foi uma forma de eternizar seu amor”. A frase é de Jackson Kenned do Nascimento, que perdeu a irmã de forma brutal em 2016, assassinada pelo ex-marido que não aceitava o término do relacionamento.

Quando o luto se transforma em doação, histórias como a de Jackson transcendem a dor e reacendem a esperança para centenas de pessoas que aguardam na fila de transplante por um órgão compatível para salvar suas vidas. “Minha irmã não teve chances de se defender, mas garantiu uma segunda chance de vida para alguém, o que nos conforta”. Keyla Viviane do Nascimento foi assassinada em frente à loja que trabalhava em Rio Branco.

História semelhante é da técnica de laboratório Izaura Sampaio, que perdeu a filha em abril de 2016, vítima de um acidente de trânsito. A mãe conta que a família autorizou a doação em respeito a vontade da filha que indicou o desejo de ser doadora de órgãos em suas redes sociais.

“Nada do que aconteceu poderia trazer nossa Marina de volta. Quando falaram na doação de órgãos, respeitamos a vontade dela que relatou seu desejo nas redes sociais. Infelizmente, só foi possível a doação das córneas. Marina era intensa, cheia de vida e tinha muita bondade, especialmente em ajudar o próximo. A doação foi só mais um gesto do amor que minha Marina tinha em seu coração”, relata a mãe.

A estudante de jornalismo Marina de Oliveira, que chegou a ser símbolo de campanha educativa de trânsito no Acre, tinha 23 anos de idade. A jovem seguia para o trabalho por volta das 6 horas da manhã, quando foi surpreendida por um outro veículo que invadiu a contramão em alta velocidade e colidiu de frente contra seu carro.

Dizer SIM ainda é um obstáculo a ser vencido

Apesar de histórias emocionantes que superaram a dor da perda para salvar outras vidas, no Acre os índices de rejeição à doação ainda são grandes. Mais de 70% das famílias, quando consultadas, ainda dizem “não” à doação de órgãos. Para muitos especialistas, o grande empecilho gira em torno da falta de conhecimento de saber que a morte encefálica é uma situação de irreversibilidade absoluta.

“A morte na medicina é a morte do cérebro. Quando uma pessoa chegou a essa situação, existem dois caminhos: ou os órgãos desse corpo salvam várias vidas ou se enterra esse corpo e se deixa degradar dentro do caixão. São esses caminhos que existem. Portanto, a informação é importante para que as pessoas aceitem a morte encefálica como morte, e tomem essa decisão”. A declaração é do médico hepático Tércio Genzini, uma das maiores referências em transplantes de fígado do país.

O sim das famílias já beneficiou centenas de pacientes não só do Acre, mas de outras regiões do país que recorreram ao estado em busca do transplante de órgãos. Desde a criação da Central de Transplantes no Acre, há 11 anos, mais de 320 pessoas tiveram uma segunda chance de vida, além de outros 300 transplantes realizados fora do estado, via Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

“O transplante é capaz de gerar um gesto de amor tão bonito em um momento de tanta dor como a morte. Por isso é algo tão incrível. A aposta do governador Tião Viana, anos atrás, transformou o Acre em referência no pais”, afirma  Gemil de Abreu Júnior, Secretário Estadual de Saúde.

Saúde realizará atendimento médico especializado na regional Tarauacá

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde (Sesacre), busca melhorar a qualidade de vida de pacientes que precisam de atendimento especializado e moram no interior acreano.

Por Maxmone Dias

Exemplo desse tipo de iniciativa serão realizados atendimentos cirúrgicos e oftalmológicos com o objetivo de sanar demandas reprimidas do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) na regional Tarauacá/Envira.  Nos dias 8, 9 e 10 (quinta, sexta e sábado), o atendimento será oferecido no hospital de Tarauacá.

Já em Feijó, as consultas e cirurgias vão ser realizadas no Hospital Geral nos dias 11 e 12 (domingo e segunda-feira). A expectativa é de que sejam realizadas nos dois municípios mais de 30 cirurgias e cerca de 200 consultas oftalmológicas.

No último fim de semana, cerca de 300 pessoas tiveram atendimento médico especializado em oncologia, neurologia, pediatria, neurocirurgia e outras especialidades, no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul.

O coordenador de saúde da regional do Tarauacá/Envira, Neto Gontran, destaca o compromisso do governo com a saúde da população.

“Fizemos um planejamento conforme orientação do governo e estamos executando os atendimentos de serviços especializados nessas regiões. Essa ação tem se mostrado bem eficaz, já que só no último atendimento tivemos mais de 300 pessoas atendidas.”

Acre é o 5º estado do país que mais realizou transplante de fígado em 2017

Segundo os números divulgados pela Associação Brasileira de Transplantes (ABTO), o Acre foi o 5º estado que mais fez transplantes de fígado no Brasil e o único da Região Norte a realizar esse tipo de procedimento.

Por Fhaidy Acosta / Assessoria 

Em 2017, conforme os dados da Central de Transplantes no Acre, o Hospital das Clínicas realizou 14 transplantes de fígado. Esse quantitativo corresponde a 17,1 procedimentos por milhão de população (pmp), atrás apenas do Distrito Federal, Paraná, Ceará e Santa Catarina, respectivamente, e ficando à frente de estados como São Paulo e Rio Grande do Sul.

“Com orgulho, nosso Acre está no topo dos estados que mais fazem transplantes no Brasil. É um trabalho importante que nossas equipes fazem com muita precisão e carinho, que já faz parte da história recente da saúde pública no estado. Cada transplante é uma vida salva”, destaca o governador Tião Viana.

Somente nos três primeiros meses de 2018, foram feitos cinco transplantes de córneas, dois de rins e quatro de fígado. A coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Regiane Ferrari, destaca que os números resultam da integração do sistema instalado para atender esses pacientes.

“Sendo um polo referência em nível nacional e uma das políticas públicas do nosso estado, todo o serviço de transplante funciona em rede de forma a integrar os pacientes do SUS [Sistema Único de Saúde] e beneficiar de maneira eficaz os que necessitam de atendimento.”

Além das fronteiras

Sendo o único estado da Região Norte a realizar transplante de fígado, o Acre beneficia muitos pacientes vindos de outras regiões do país, como foi o caso de Airton Silva de Araújo, natural de Rolim de Moura (RO). Ele iniciou o tratamento contra cirrose, mas os médicos informaram que, como o procedimento não é realizado em Rondônia, ele deveria tentar fazer no Acre.

Após aguardar um ano e meio na lista de espera, Araújo conseguiu, em janeiro deste ano, finalmente um doador compatível e realizou o transplante. “Eu tinha certeza de que na hora certa iria acontecer, sempre tive esperança. Com o apoio da minha mulher, estou me recuperando muito bem, graças a Deus. Agora é vida nova.”

Qualidade de vida

Francisca Santos, 32 anos, conta que viu sua vida mudar após o transplante de fígado. Diagnosticada com hepatite, ela precisava da cirurgia para restabelecer a saúde.

“Minha vida mudou depois do transplante. Agora eu tenho mais segurança. Eu viva com medo, tive bebê e fiquei muito ruim, tinha medo de ter hemorragia e evitava fazer coisas simples, como brincar com meu filho, vivia temendo que cada dia fosse o último”, explica Francisca.

Durante o tempo que passou internada, ela destaca que o tratamento dos funcionários do hospital foi muito importante para sua recuperação.

“Para mim são da minha família, eu era tratada com todo o carinho e atenção por todos, fui muito bem acolhida antes, durante e depois da cirurgia. Graças a eles hoje eu levo uma vida normal, posso brincar com meu filho sem me preocupar”, enfatiza a dona de casa.

Governo garante UTI aérea para transferência de recém-nascido

UTI aérea conta com modernos equipamentos que garantem o transporte de pacientes com segurança.

Maxmone Dias / Assessoria

Já era madrugada do último sábado, 24, quando mais uma delicada operação logística para salvar a vida de um recém-nascido era organizada pelo governo do Acre, por meio da Secretaria de Saúde (Sesacre).

No aeroporto internacional de Rio Branco pousava uma UTI aérea capaz de transferir, com segurança, uma criança da capital acreana até Recife, capital de Pernambuco.

Internado no Hospital Santa Juliana desde o nascimento, o pequeno João Gabriel, com apenas 29 dias de nascido, é portador de uma cardiopatia congênita. A doença provoca alteração no coração e ocorre quando o bebê ainda está se desenvolvendo no útero da mãe.

Apenas uma cirurgia extremamente delicada é capaz de dar esperanças ao pequeno paciente. E somente uma UTI aérea garantiria a vida de João Gabriel, que foi encaminhado ao Hospital Real Português de Beneficência em Pernambuco.

O custo da contratação da aeronave, equipada com a UTI e os profissionais que acompanharam a criança, foi de R$ 140 mil.

Para Kennedy Moreira, gerente administrativo do Complexo Regulador da Sesacre, casos como o do pequeno João Gabriel mostram o compromisso do governo do Estado com a população em continuar salvando vidas.

“Pelo fato de o procedimento não ser realizado em nosso estado, não medimos esforços para tentar salvar a vida dessa criança, que tem um caso tão delicado. Nós, como governo, buscamos sempre garantir o tratamento necessário aos pacientes.”

João Gabriel passou pela cirurgia na tarde de domingo, 25, e seu estado de saúde, segundo os médicos, é estável.

Transplante: um dos maiores avanços da medicina moderna no Acre

A morte na medicina é a morte do cérebro. Quando uma pessoa chegou a essa situação, existem dois caminhos: ou os órgãos desse corpo salvam várias vidas ou se enterra esse corpo e se deixa degradar dentro do caixão. São esses caminhos que existem.

Equipes inteiras dispostas a tudo para salvar uma vida. A realização de transplantes no Acre faz parte da história recente da saúde pública no estado. Uma grande conquista e legado do governador Tião Viana, que vem trazendo recomeço de vida para muitas pessoas e colocando o Acre como destaque no cenário nacional.

Parte dessa trajetória é fruto da parceria com o médico Tércio Genzini, que é diretor do Grupo Hepático em São Paulo e um dos responsáveis pelo sucesso e eficácia dos transplantes de fígado realizados no Acre desde 2014. “Hoje no Acre nós temos 34 transplantes de fígado realizados e apenas uma morte. É talvez o maior sucesso no país, ou seja, 97% dos pacientes operados têm uma boa aceitação do órgão. No Brasil, essa média gira em torno de 70 a 80%”, destaca.

Mesmo antes da implantação da Central de Transplantes no estado, em 2006, Genzini já vinha ao Acre para atender pacientes com doenças no fígado que necessitavam de acompanhamento especializado, ou mesmo transplante, que na época só era realizado nos grandes centros do país, via Tratamento Fora do Domicílio (TFD) da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).

“No Acre eu me deparei com problemas endêmicos na região que são as hepatites virais, e encontrei muitos pacientes cirróticos que tinham de se deslocar para os grandes centros e encontravam uma série de dificuldades. Apesar da ajuda do estado com o TFD, as condições eram difíceis até pelo deslocamento dessas pessoas que estavam debilitadas. Então, essas dificuldades fizeram deslumbrar a possibilidade de começar aqui os procedimentos de alta complexidade. Importante dizer que ninguém faz transplante sozinho. É necessário que haja um envolvimento dos gestores. E no Acre sempre tivemos muito apoio do governo, da Secretaria de Saúde e da instituição”, ressalta o médico.

Ao longo dessa trajetória, o especialista lembra que a maioria das autoridades médicas em transplantes no país não acreditava ser possível fazer transplantes de fígado no Acre. “Quando falamos em cadastrar um serviço no Acre, as autoridades foram contrárias e não recebemos nenhum apoio de Brasília, que falava que o Acre era um estado muito pequeno e não tinha que ter nenhum serviço de transplantes aqui. Estavam errados. O Acre é um exemplo, que mostra o que é possível com gestão, unidade e compromisso. Hoje já transplantamos pacientes de Roraima, Amazonas, Rondônia e até de outros países, como Guatemala”, revela.

Ganhar para perder

“A política de transplante é uma realidade sólida no estado, uma política que não é barulhenta, mas é cheia de emoção”. A frase dita pelo governador Tião Viana durante entrevista sobre o serviço de transplantes no Acre, retrata bem o sentimento do paciente Roberto Carlos Tavares, de 43 anos. Agradecido pelo novo rim que recebeu há quase dois anos em procedimento realizado no Hospital das Clínicas, ele se tornou militante da causa em prol da doação de órgãos.

“Dizem que a gente só dá valor quando perde. Eu precisei ganhar para valorizar o que significa a doação de órgãos e a grandiosidade que representa esse procedimento que é feito aqui no nosso Acre. Desde que precisei de um transplante, e graças a Deus consegui um rim compatível, abracei a causa e hoje tento ajudar meus irmãos que estão na fila de transplante e necessitam de um novo órgão para sobreviver. Então, estou sempre mobilizando as pessoas, fazendo companhas sobre a importância que é o sim dos familiares em autorizar a doação de órgãos”, conta.

Esperar nem sempre é uma opção. A fila de transplantes, apesar de alguns avanços nos últimos anos, ainda caminha a passos lentos. Isso porque a rejeição das famílias pela doação de órgãos ainda é um dos grandes obstáculos a ser vencido pela conquista da medicina moderna chamada “transplante”. Não diferente do que acontece em outros estados, no Acre ainda é difícil convencer os familiares de que não existe milagre possível depois de constatada a morte cerebral.

“A morte na medicina é a morte do cérebro. Quando uma pessoa chegou a essa situação, existem dois caminhos: ou os órgãos desse corpo salvam várias vidas ou se enterra esse corpo e se deixa degradar dentro do caixão. São esses caminhos que existem. Portanto, a informação é importante para que as pessoas aceitem a morte encefálica como morte, e tomem essa decisão. Eu acredito que as pessoas já tenham essa decisão dentro do seu coração. Todos dizem sim, quando superam o luto, a revolta se foi uma tragédia, a tristeza e a saudade. Porque o ‘sim ou o não’ não vão mudar o que já aconteceu, o fato esta consumado e as leis são rígidas no diagnóstico da morte encefálica, uma vez feito é irreversível e a morte está declarada”, observa Tércio Genizini.

“Em 2014 quando fui informado que iria receber um novo fígado e que o transplante seria feito aqui no Acre a felicidade foi em dobro. Claro que tem a questão financeira, mas o fato de estar em casa, com a família por perto fez toda a diferença na minha recuperação. Sou grato pelo doutor Tércio e sua equipe, pelo empenho do governo que tornou possível a realização de transplantes no estado”, relata um dos primeiros pacientes a passar por um transplante de fígado no Acre, Lúcio César Leite, de 43 anos.

Compromisso com a vida

Nessa jornada em favor da vida, superando as dificuldades, a logística e a descrença das autoridades médicas do país citadas pelo maior especialista em transplantes, quando aqui se pensou em realizar cirurgias desse porte, hoje o Acre é o único estado da Região Norte com programa de fígado ativo, e por milhão de habitante, um dos que mais realiza transplantes desse tipo no país, sendo procurado por pacientes de outros estados que encontraram aqui, uma nova oportunidade para recomeçar suas vidas por meio do transplante.

Desde 2014, ano que marcou o início da realização de transplantes de fígado no estado, já são 34 procedimentos realizados no Acre no Hospital das Clinicas, além de outros 89 transplantes de rim e 200 de córneas, a partir da criação da Central Estadual de Transplantes, há 11 anos.

“A decisão do governador Tião Viana em apostar na realização de transplantes no Acre foi primordial para que o estado alcançasse esse sucesso ao longo dos últimos anos”, finaliza Tércio Genzini.

Mais de 1,8 mil agentes de saúde devem ser formados com curso gratuito

Medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde nesta terça (20) para melhorar atendimento à Atenção Básica. Em todo o Brasil, 250 mil vagas devem ser disponibilizadas.

Mais de 1,8 mil agentes de saúde e de combate à endemias no Acre devem se formar gratuitamente em técnicos em enfermagem. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (20).

A expectativa é que, até março deste ano, os trabalhadores comecem o curso com duração de dois anos sem o pagamento de taxas, mensalidades ou qualquer outra cobrança de prestação de serviço.

O Ministério da Saúde vai investir R$ 1,25 bilhão e garantir 250 mil vagas para o curso em todo o Brasil. A medida faz parte da nova Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) que tem o objetivo de ampliar a qualificar os profissionais e melhorar o atendimento à população.

A Saúde destaca que a formação dos agentes vai ampliar o acompanhamento da população durante o atendimento que é feito em domicílios e nas comunidades.

Com a formação de técnico em enfermagem, o agente, segundo o Ministério, vai poder passar a fazer curativos, medir pressão e glicemia, entre outras atribuições de atendimento primário em domicílio.

O curso será ofertado por instituições de ensino públicas e privadas do estado, habilitadas pelo Ministério da Educação e habilitadas no Programa de Formação Técnica para Agentes de Saúde (PROFAGS). O edital foi publicado no site do Ministério da Saúde.

O edital de credenciamento e o Termo de Execução Descentralizada (TED), convênio ou contrato com as instituições têm vigência de 1 ano e 8 meses, podendo ser prorrogado por igual período até o limite de 60 meses.

O pagamento para as instituições públicas e privadas deve ser feitos em três parcelas. A primeira com 20% do valor após o primeiro mês do curso, a segunda de 40% após 12 meses e o restante após a conclusão do curso.

Do G1 Acre