Emendas de R$ 1 milhão vão para os hospitais de Feijó, Juruá e Brasileia

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) recebeu, a  notícia de que emendas parlamentares de autoria do deputado federal Léo de Brito foram empenhadas pelo Ministério da Saúde.

 Por Álefe Souza 

As emendas somam mais de R$ 1 milhão e vão ser destinadas à aquisição de equipamentos e material permanente para o Hospital do Juruá (R$ 213 mil), Hospital Geral de Feijó (R$ 329 mil), Hospital Raimundo Chaar, em Brasileia (R$ 223 mil), Unidade Mista de Saúde em Rodrigues Alves (R$ 95 mil) e Hospital do Câncer do Acre (R$ 276 mil). O empenho é a garantia da liberação do recurso pelo governo federal.

“O governo assume o compromisso da liberação do recurso para essa área tão importante, ainda mais se tratando do Hospital do Câncer, para o qual serão destinados mais de R$ 276 mil. Isso vai fortalecer grandemente o apoio aos pacientes que lutam contra o câncer aqui no Acre”, disse Léo de Brito.

Já o secretário de Estado de Saúde, Gemil de Abreu Júnior, fez questão de ressaltar a importância dos recursos que são liberados por meio das emendas parlamentares. “Nossa bancada federal tem sido uma grande parceira na obtenção de recursos para a saúde. Só temos que agradecer ao deputado Léo de Brito por esses importantes recursos que vão beneficiar a população.”

Acre realiza transplante de fígado durante feriado do Dia das Crianças

Regiane Ferrari, coordenadora da Central de Transplante, afirma que a recusa familiar ainda é o maior empecilho para os transplantes. Governo já possibilitou a realização de mais de 600 transplantes.

O feriado de 12 de outubro foi de muito trabalho para a equipe da Central de Transplantes de Rio Branco, quando mais um transplante de fígado foi realizado no Hospital das Clínicas do Acre (HC).

Uma demonstração dos avanços do Acre no setor é que o paciente Francisco Assis Marinheiro, 64 anos, que recebeu o órgão, é morador de Porto Velho e veio da capital rondoniense para fazer o procedimento no Estado, já que o Acre é o único na Amazônia a realizar esse tipo de transplante.

Marinheiro estava acometido havia algum tempo de cirrose criptogênica, resultado de hepatite crônica ou alcoolismo.

O órgão veio por meio de um gesto de amor da família de um adolescente de 17 anos, natural do Mato Grosso do Sul, que morrera vítima de acidente de trânsito.

O fígado foi transportado por uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). A operação foi conduzida pelo cirurgião hepático Tércio Genzini, uma das maiores autoridades em transplantes de fígado no Brasil, responsável pelas equipes de transplantes do Acre e do grupo Hepato de São Paulo.

Além de mais de 300 procedimentos viabilizados por meio do Tratamento Fora de Domicilio, no Hospital das Clinicas já foram realizados outros mais de 300 transplantes. Esse é o 27º transplante de fígado realizado no Acre desde 2014, ano que marcou o início da realização dos procedimentos no estado.  Somente este ano, 11 procedimentos desse tipo já foram feitos.

“Temos mais um motivo para comemorar. Nos últimos meses, temos feito a média de um transplante por mês de fígado. Embora a recusa familiar ainda seja nosso grande obstáculo, continuamos na luta pela conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos para salvar vidas”, disse a coordenadora da Central de Transplantes, Regiane Ferrari.

Governo apoia ação de Saúde do Homem em parceria com a Aphac

Deputador Heitor Júnior agradeceu o apoio do governador nas ações de saúde.

No mês de setembro, a Associação de Portadores de Hepatite do Acre (Aphac) realizou uma ação integrada de saúde. Foram disponibilizados exames de teste rápido, exames de toque e vacinas.

Nesta segunda-feira, 9, o governador Tião Viana recebeu o deputado estadual Heitor Júnior para conversar sobre o assunto.

Júnior apresentou os resultados dessa ação, que teve apoio do Estado e do município. “Quero parabenizar o governador Tião Viana pela ação que está sendo executada conosco e que ajuda a população acreana”, declarou o parlamentar.

Mais de 300 pessoas foram atendidas, sendo realizados mais de 60 exames de toque, teste de glicemia e testes rápidos de hepatites.

Doze diagnósticos foram positivos no local, demonstrando a importância da prevenção e dos testes antes que a doença se agrave. Os pacientes com diagnóstico positivo foram encaminhados para o sistema de saúde do Estado.

Em Rio Branco foi registrado 73 casos de câncer do colo de útero no ano passado

Números da Semsa mostram que 73 novos casos de câncer do colo de útero foram diagnosticados na capital. Câncer de mama representou segunda maior incidência da doença em 2016.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Rio Branco revelam que, dos novos casos de câncer em mulheres registrados 2016, a maioria foi de colo de útero, com 73 diagnósticos. Em seguida, vem o câncer de mama, 58 novos registros ocorreram no ano passado.

Ao todo, 25 mulheres atingidas pela doença nas glândulas mamárias morreram na capital acreana.

Pesquisas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que o câncer de mama é o segundo maior tipo no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele.

E para chamar a atenção para a importância de realizar exames preventivos contra o câncer de mama durante todo este mês, é executada a campanha Outubro Rosa. A ação surgiu na década de 1990 e é voltada a mulheres entre 50 e 65 anos.

Ao longo deste mês, Estado e Município intensificam ações de conscientização e mobilizam toda a estrutura para garantir a ofertas dos exames. A recomendação é de que todas as mulheres que ainda não passaram pelo procedimento procurem uma unidade de saúde para garantir a prevenção ou tratamento adequado.

Com a descoberta precoce, as chances de cura da doença aumentam.

“O tratamento se baseia no estagiamento. O câncer de mama vai do estágio um ao quatro. Quanto mais precoce, menor é o tumor e menos tratamento é oferecido a paciente porque a chance de cura é maior e a possibilidade de retorno da doença é menor. Pacientes em estágio um recebem tratamento que dura de um a três meses”, afirma o oncologista Antônio Vedeti.

O médico lembra que mulheres com câncer de mama no terceiro estágio passam de oito a 10 meses em tratamento, nesta fase a quimio e radioterapia já são utilizadas. Ele fala ainda que o tratamento para pacientes em estágio quatro é por tempo indeterminado.

Câncer de mama em homens

Mas o câncer de mama não afeta somente as mulheres. Homens também podem ter a doença. Em fevereiro deste ano o mecânico Robélio Pessoa foi diagnosticado com câncer de mama e passou por tratamento.

A descoberta veio após uma inflamação na mama que trouxe dor ao mecânico. Os avisos o fizeram procurar uma unidade de saúde para saber os motivos da alteração.

“Foram feitos alguns exames e veio a comprovação de que havia um nódulo. Logo depois veio a confirmação de que era câncer de mama. [A notícia] foi desagradável. Não me assustei, apesar de ter ficado surpreso. Tenho algumas amigas que tiveram essa doença e passaram pelo tratamento correto há três anos. Hoje, graças a Deus, elas estão bem”, conta Robélio Pessoa.

Vedeti lembra que por não ter a glândula mamária tão evidente quanto as mulheres, a possibilidade de o tumor se disseminar pelo corpo é muito mais rápida nos homens. “É preciso fazer um tratamento mais robusto nesses casos para evitar o retorno da doença e que o paciente seja vitimado por ela”, enfatiza o oncologista.

Outros casos

Dos novos registros de câncer em homens feitos em 2016, 52 foram de próstata. Depois vieram o de estômago, 23 casos. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que as previsões de casos de câncer de mama feitas no Brasil em 2016 também são válidas para este ano, 57 mil novos casos podem ser registrados.

Por Jornal do Acre 1ª Edição, G1 AC

Técnica em enfermagem tem garantido direito de receber medicamento

Medicamento não se encontre na lista do SUS e o Estado do Acre tem a obrigação de fornecer.

O Juizado Especial da Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco acolheu o pedido formulado no Processo, confirmando a liminar concedida anteriormente e condenando o Estado do Acre na obrigação de fornecer o medicamento Clexane 40 mg para a técnica em enfermagem, D.P. da S., poder tratar trombofilia.

Na sentença, publicada na edição n°5.975 do Diário da Justiça Eletrônico (fls. 94), desta segunda-feira (2), o juiz de Direito Marcelo Badaró discorreu sobre a necessidade de fornecer o tratamento indicado pelo médico, mesmo que o medicamento não se encontre na lista do Sistema Único de Saúde (SUS), não cabe à Justiça analisar a eficácia do remédio prescrito.

“Em que pese o medicamento requerido encontrar-se fora da lista de medicamentos disponibilizados pelo SUS, não cabe ao Poder Judiciário analisar se o tratamento prescrito é ou não eficaz, ou se existe outro que o substitua, pois tal responsabilidade é atribuição exclusiva do médico que assiste a parte. Portanto, se prescreveu tal tratamento é porque considerou que é o mais apropriado às peculiaridades clínicas do autor. Além disso, cada paciente é único, podendo responder de modo peculiar a um ou outro tratamento”, escreveu o magistrado.

Sentença

O juiz de direito Marcelo Badaró, titular da unidade judiciária, reconheceu que “a questão da obrigatoriedade da ampla prestação da saúde e da insuficiência de recursos estatais para tal mister é alvo de discussões entre os operadores do direito. No entanto, a jurisprudência predominante é no sentido de que o direito à saúde, constitucionalmente tutelado, deve ser respeitado não obstante os custos que gere para o Estado”.

Na sentença, o magistrado ainda negou o argumento do Ente Público da reserva do possível. “Com efeito, a cláusula da reserva do possível não pode ser adotada de forma tal a acarretar a própria negação de direitos individuais e sociais, sob pena de retrocesso dos ideais que levaram o Constituinte a moldar a Constituição Federal de 1988 como uma constituição dirigente”, finalizou o magistrado.

Por GECOM – TJAC

Justiça autoriza jovem a frequentar curso de medicina até julgamento

Deferimento da tutela antecipada garante que o estudante não prejudique seu aprendizado caso o processo seja julgado procedente.

O Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco deferiu o direito do aluno Alison Matheus da Silva Alencar a frequentar aulas do curso de medicina na Uninorte, bem como realizar provas e trabalhos pertinentes até o julgamento da demanda contida no Processo.

Desta forma, a concessão de isenção do pagamento das mensalidades em virtude de bolsa adquirida via ProUni será avaliada quando houver o julgamento do mérito. A audiência de conciliação foi designada para o dia 6 de novembro.

Entenda o caso

O estudante iniciou o curso de enfermagem em 2017 na referida universidade, sendo beneficiado pelo programa ProUni com uma bolsa que cobria 100% do valor da mensalidade. Em sua inicial, alegou ter sido orientado pela instituição que poderia transferir o benefício caso fosse aprovado no vestibular para o curso de medicina.

No segundo semestre do ano corrente foi aprovado em segundo lugar na classificação geral para medicina. Segundo os autos, quando foi realizar sua transferência teve que cancelar matrícula em enfermagem e realizou nesse ato matrícula no novo curso sem nenhum ônus.  O aluno passou a ter seu nome na lista de frequência dos professores, participou das aulas, realizou provas, inclusive atendimentos extraclasses.

Segundo o autor, posteriormente, foi informado administrativamente que não seria contemplado pelo benefício do ProUni. Logo, vieram boletos para o pagamento de mensalidades no valor mensal aproximado de R$ 9 mil.

O requerente informou não está matriculado em nenhum dos dois cursos e está até desempregado, porque pediu dispensa do trabalho para poder acompanhar a carga horária do curso de medicina. Por isso, pede a continuidade deste curso superior.

Decisão

A juíza de Direito Zenice Cardozo, titular da unidade judiciária, acolheu o pedido liminar, assinalando que os requisitos foram cumpridos. O demandante comprovou suas atividades acadêmicas no curso de medicina, bem como sua aprovação no processo seletivo.

O Juízo compreendeu que a ausência do aluno em sala de aula lhe acarretará prejuízos, já que perderá conteúdos, trabalhos e provas, o que atrasaria sua vida acadêmica, comprometendo um direito provável.

Por fim, a magistrada registrou ainda existir evidência de que o universitário tenha sido de fato orientado para transferência de curso como narrado na inicial.

As alegações e provas do contraditório serão examinadas prudentemente durante o julgamento da demanda.

Por GECOM – TJAC

Doação de órgãos: A dor do luto e a decisão que pode salvar vidas

A vida é sem sombra de dúvidas, o bem mais precioso que o ser humano tem. Independente de queixas e das dificuldades do dia a dia, a grande verdade é que todos são apaixonados por ela, e ninguém tem pressa de “partir dessa para a melhor”.

Entretanto, a vida não é eterna. E para algumas pessoas, em dado momento dessa jornada, recebem uma sinalização de que o tempo na Terra pode ser encurtado, em consequência do agravamento de uma doença. Essa é a realidade dos pacientes que necessitam de um transplante de órgãos, e aguardam na fila por um doador.

Seja pela velhice, um acidente ou uma doença repentina, a verdade é que o falecimento pode ser o início de uma nova vida para quem aguarda na fila de transplante. Mas, infelizmente, a recusa familiar no Acre, ainda é o grande obstáculo quando o assunto é doação de órgãos.

No Brasil, segundo dados divulgados na última quarta-feira, 28, pelo Ministério da Saúde, a recusa familiar em autorizar os transplantes é de 43%. No Acre, essa porcentagem é ainda maior, de até 75%. Apesar da estatística, o país registrou o maior número de doadores de órgãos da história. No primeiro semestre deste ano, 1.662 famílias que perderam parentes próximos autorizaram a doação de órgãos, 16% mais que no mesmo período do ano passado, de acordo com a pesquisa.

Avanços e desafios

Ao todo, o governo já possibilitou a realização de mais de 600 transplantes, seja via TFD – Tratamento Fora de Domicilio –, ou na Central de Transplantes do Hospital das Clínicas.

De 2006 para cá, desde a criação da central, o Acre fez a captação de 45 órgãos sólidos (rim e fígado), e cerca de 100 córneas de doadores acreanos.

“Os avanços são grandes em termos de transplantes no Acre, um orgulho sermos o único estado da região Norte com programa de fígado ativo. Porém, temos ainda um grande desafio a ser vencido, que é o número de doação no Acre. Aumentando o número de doadores, consequentemente, aumentamos o número de transplantes, uma vez que só é possível acontecer quando as famílias autorizam a doação”, ressalta a coordenadora da Central de Transplantes no Acre, Regiane Ferrari.

Durante palestra sobre doação de órgãos e tecidos, realizada em setembro no Acre, um dos maiores especialistas em transplantes do país, o médico Tercio Genzini, destacou que por ano são registradas 1,3 milhão de mortes no Brasil, destas, 13 mil são por morte encefálica, ou seja, muitas vidas deixam de ser salvas em decorrência do “não” das famílias.

“Os números estão aí para comprovar, doadores tem para todos, como sempre falo em minhas palestras, o que não tem são doações”, pontua o especialista.

Autorização familiar

Por lei, a doação de órgãos no Brasil somente é concedida com autorização expressa dos familiares após confirmação da morte encefálica. A doação é regida pela Lei nº 9.434/97. É ela quem define, por exemplo, que a retirada de órgãos e tecidos de pessoas mortas só pode ser realizada se precedida de diagnóstico de morte cerebral constatada por dois médicos e sob autorização de cônjuge ou parente.

Para ser doador de órgãos, não é necessário nenhum documento escrito: tudo que é preciso é a manifestação do desejo aos familiares. São os parentes do possível doador que teve morte encefálica que irão consentir ou não a doação de órgão. Por isso é tão importante falar com os parentes sobre o assunto e os informar corretamente sobre o tema.

Decisões que salvam vidas

Silvania Rossetto, sabe bem a importância deste gesto de amor. Foi graças a doação de um rim – transplante realizado há seis anos no Hospital das Clínicas -, em Rio Branco, que ela pôde recomeçar e fazer o que antes era impossível devido à doença renal crônica avançada. Sem depender mais de uma máquina para continuar vivendo, ela agradece à família doadora.

“Foram 11 anos de espera, e duas oportunidades de transplante fracassadas, devido à falta de compatibilidade. Entendo o momento de dor da família quando se perde alguém que ama, mas, sabendo que aquele fôlego de vida que se foi pode ser um renascimento para outra pessoa. A morte não pode jamais ser o fim”, diz Rossetto.

Ela completa que só está viva por causa da decisão de uma família que resolveu doar os órgãos do ente querido. “Posso fazer coisas que antes eram impossíveis, como beber um simples copo de água, graças à grandeza de alguém que disse sim à doação. Esse sim foi a minha salvação, e pode ser de muitas outras pessoas que aguardam na fila por um transplante”, completa.

Do outro lado da história, está Telma Chaves, diretora de programas e projetos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). Ela era mãe da jovem Talissa Chaves, de 17 anos, que faleceu há seis anos após complicações durante uma cirurgia de tireoide. Ela revela que no momento em que soube da morte encefálica, lembrou de uma conversa que teve com a filha dois meses antes, quando ela revelou o desejo em ser doadora de órgãos.

“Esse foi um dos piores momentos da minha vida, na hora de tomar uma decisão, sobre a doação de órgãos. […] Quando o médico chegou, e disse que minha filha teve morte cerebral, e que não tinha mais nada a ser feito, e que eu poderia salvar outras vidas, não soube o que dizer na hora. Mas ficando um pouco sozinha, ainda sofrendo muito, lembrei da conversa que tive com minha filha dois meses antes, quando ela revelou seu desejo em ser doadora”, desabafa.

Telma conta que foi possível doar os dois rins e as córneas de Talissa, salvando e dando novas chances de vida para outras quatro pessoas.

“Através da minha filha, conseguimos salvar outras duas pessoas que já estavam em situação gravíssima, na fila de transplantes, além de fazer duas outras pessoas voltarem a enxergar. Fiz questão de conhecer a história e ir visitar quem recebeu os órgãos. A tristeza existiu, mas também a alegria ao mesmo tempo por ter tido essa coragem de doar, sabendo que eu perdi, mas também ganhei”, finaliza.

 Veja o Vídeo 

Texto: Lane Valle| Fotos: Júnior Aguiar | Diagramação e Vídeo: Secom

Cidade de Capixaba é proibido pela Justiça de contratar médicos sem CRM

Decisão orienta que a contratação de profissionais sem o registro deve ser proibida, já que viola o artigo 5º da Constituição Federal.

O Juízo da Vara Única da Comarca de Capixaba acolheu parcialmente o pedido contido no Processo nº 0001101-73.2011.8.01.0005 (apensado ao processo nº 0000531- 58.2009.8.01.0005), condenando o Município de Capixaba a não contratar médicos em situação irregular junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM).

Ao manter a liminar, concedida anteriormente, o juiz de Direito Luís Pinto explicou na sentença, publicada na edição n°5.968 do Diário da Justiça Eletrônico (fl.339), dessa quinta-feira (21), que contratar profissional sem registro viola o artigo 5º, inciso XIII, da Constituição Federal.

Entenda o Caso

Em 2011, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) emitiu uma recomendação para que o Município de Capixaba exonerasse imediatamente todos os médicos irregulares, que não possuíssem autorização para exercer a profissão junto ao CRM e realizasse concurso público para prover esses cargos. Contudo, o prefeito na época dos fatos não atendeu a determinação ministerial.

Por isso, o MPAC entrou com ação contra o Município e o então prefeito J.da S. dos S., visando resolver a situação na cidade. Então, o Juízo emitiu decisão interlocutória determinando a exoneração dos médicos sem registro no CRM, e a contratação de profissionais habilitados por meio de concurso público. Já o Ente Público anexou documentos comprovando ter cumprido a liminar.

Sentença

Ao julgar os pedidos do Ministério Público, o juiz de Direito Luís Pinto, que estava respondendo pela unidade judiciária, explicou que a contratação de profissionais sem o registro viola a constituição, portanto, manteve a proibição dessa prática. “Em relação à proibição do Município de contratar médicos sem CRM entendo que deve ser mantida, haja vista, que viola dispositivo constitucional, previsto no artigo 5°, inciso XIII: ‘é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer'”, ressaltou.

Já no que diz respeito ao ex-prefeito, visto que não é mais gestor do município, não responderá na Lei de Improbidade Administrativa. Nesse caso, o magistrado seguiu a jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Nesse sentido, não se pode deixar de levar em consideração a emissão da Medida Provisória do Governo Federal, implementando em todo Brasil o Programa “Mais médicos”, que dispensava permitia a contratação de profissionais estrangeiros e brasileiros formados no exterior. Por conta disso, a conduta do acusado foi legitimada, tendo vista a necessidade em atender a população, dada a escassez de médicos no lugar.

“A conduta da contratação tanto era necessária naquela época, como o é nos dias atuais, dada a escassez de médicos em determinadas regiões, que foi implementada em nível nacional, não se podendo atribuir conduta ímproba ao gestor municipal que se antecede ao federal, adotando as práticas necessárias ao atendimento da população”, escreveu o juiz.

Por GECOM – TJAC

MPAC instaura inquérito para garantir tratamento do SUS a adolescente

Inquérito é instaurado para garantir tratamento de saúde pelo SUS para adolescente em Brasileia.

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por intermédio do promotor de Justiça Substituto Aurê Ribeiro Neto, converteu uma notícia de fato em inquérito civil para garantir tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a um adolescente com problemas alérgicos, morador do município de Brasileia.

Segundo o promotor, o menino precisa tomar a vacina Anti Estroficos, e em razão da falta da medicação adequada, ele tem apresentado hematomas e caroços pelo corpo, tendo inclusive, um dos rins afetado.

Aurê Ribeiro destacou que, como estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), adolescentes devem receber absoluta prioridade na execução dos atendimentos e serviços de saúde, bem como ter assegurados o direito e proteção à saúde mediante a efetivação de políticas públicas.

Em ofício enviado ao MPAC, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) alegou que o fármaco não faz parte da lista de medicamentos do SUS, e por isso, não compõe a relação dos remédios do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.

Foi expedida notificação para que o representante da Secretaria Municipal de Saúde compareça à Promotoria no dia 18 deste mês. A intenção é resolver o problema utilizando, inicialmente, mecanismos extrajudiciais e, dessa forma, garantir o medicamento ao solicitante.

Kelly Souza – Agência de Notícias do MPAC

“Tem doador para todo mundo, o que não tem é doação”, diz especialista

“Não existe uma indústria que produza os órgãos. Eles são um produto natural, da indústria divina. Esses órgãos vêm de pessoas que já encerraram sua passagem com esse mundo, por morte encefálica, que é a verdadeira definição de morte.

“O gesto de amor de uma família, que mesmo em seu momento de dor, autorizou a doação, salvou a minha vida”, diz Silvania Rossetto (Foto: Júnior Aguiar)

Entendemos a dor das famílias, que muitas vezes ficam à espera de um milagre, mas quando não há mais nenhum tipo de atividade cerebral, a situação é irreversível, ressalta o cirurgião hepático, Tércio Genzini.

A frase dita por uma das maiores autoridades em transplantes de fígado no país, é um choque de realidade que acende a necessidade de uma maior conscientização sobre a importância da doação de órgãos para salvar e garantir uma melhor qualidade de vida em pacientes, que em muitos casos, acabam não resistindo a espera, e morrem na fila de transplantes.

Genzini é responsável pelas equipes de transplantes do Acre e do Hospital Bandeirantes, em São Paulo,  realizou palestras essa semana durante a Campanha Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, “Setembro Verde”.

“Então, é através da informação, da conscientização, que vamos reverter a recusa familiar. É exclusivamente através desse gesto de amor, que outras pessoas que aguardam na fila de transplantes vão poder ter uma nova chance de vida”, completa Genzini.

A doação de órgãos salvou a vida de Silvania Rossetto. Durante o evento, realizado pela Secretaria de Gestão Administrativa (SGA), Fundação Escola do Servidor Público do Acre (Fespac) e a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), ocorrido no auditório do Sebrae, ela falou sobre o que passou fazendo hemodiálise.

“Foram 11 anos ligada à máquina, passando mal, vivendo mal. Imagina neste calor e não poder se quer beber água. É um sofrimento imenso, que se atenua ainda mais pela incerteza de não saber até quando seus órgãos vão suportar aquela condição. Há seis anos ganhei um rim, uma nova oportunidade de vida, que veio através da doação de uma criança de sete anos. Hoje sou militante da causa, levo a conscientização da doação de órgãos por todos os cantos que passo, pois foi um gesto de amor de uma família, que mesmo em seu momento de dor, autorizou a doação e salvou a minha vida”, diz emocionada.

Recusa familiar é a maior barreira

Palestra da programação do “Setembro Verde” foi realizada no auditório do Sebrae (Foto: Júnior Aguiar)

No Acre, a recusa para doar um órgão chega a 70%. As famílias não autorizam a retirada de órgãos que poderiam salvar até três vidas e melhorar a qualidade de vida de outras cinco pessoas. Em 2016, mais de duas mil pessoas que estavam na fila de transplantes em todo país, morreram. Dessas, 82 eram crianças.

Os dados são da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), que divulgou que no mesmo ano, as centrais estaduais de transplantes identificaram mais de 10 mil pessoas que tiveram morte encefálica e poderiam ser doadoras.

“O profissional que faz a entrevista familiar tenta dar conforto, acolhimento e informação. Vale lembrar que ele vai estar diante de pessoas que estão sofrendo porquê perderam alguém que amam. Mas é preciso que as decisões também sejam tomadas na hora certa, porque aquele corpo que teve morte encefálica vai durar poucas horas ou poucos dias. Mas a decisão final cabe da consciência e do coração de cada um, por isso é tão importante o esclarecimento sobre o assunto”, esclarece o médico.

Galgando ano a ano avanços até na medicina especializada, o Acre cresceu e apareceu. Hoje é o estado que mais realiza transplantes de fígado na Amazônia, sendo procurado por pacientes de outras regiões para a realização de transplante. Além dos 305 procedimentos realizados pelo Hospital das Clínicas, em Rio Branco, outros 300 pacientes receberam órgãos via Tratamento Fora de Domicílio (TFD) da Sesacre.

“Quando surgiu a ideia de transplante de fígado no Acre, não só os acreanos, mas o Brasil inteiro questionou isso. Até mesmo grandes especialistas no assunto diziam que não seria possível fazer transplante de fígado no Acre, que era um estado muito pequeno, que não tinha condições estruturais. Mas posso confessar, que dos pouco mais de mil transplantes que minha equipe fez desde 1996 até agora, os que eu tenho mais orgulho de ter feito são os daqui do Acre. […] E hoje o Acre é a referência em transplantes de fígado na Região Norte”, lembra Genzini.

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