Luedji Luna – A primeira coisa que o racismo nos fez foi destituir essa humanidade: não se ama coisa  – Foto: Danilo Sorrino / Brasil de Fato

Brasil de Fato – No Brasil de Fato Entrevista desta semana tem a presença da cantora e compositora baiana Luedji Luna, que, para além de fazer ecoar a voz das mulheres negras na música, traz mais uma marca como escritora, desta vez, na literatura. Luedji é uma das colaboradoras na obra Quilombellas Amefricanas, Coletânea Poética, em dois volumes, organizada por Ana Rita Santiago, Cláudia Santos e Mel Adún — lançados pela Editora Ogum’s Toques, no final de junho.

Luedji começou a escrever ainda na adolescência, para se expressar no mundo e fazer escoar, em catarse, as dores que sentia com o racismo sofrido em silêncio num colégio particular. Aos 17 anos, a escrita se tornou canção e ela se transformou na artista que canta as próprias letras. Da referência dessa criação, veio o convite para ser parte da coletânea, que reúne mais 22 narrativas de mulheres “amefricanas”.

“Conceição Evaristo (escritora e linguista) tem uma expressão que eu acho que diz muito sobre a escrita que eu faço, a música que eu faço e eu acho que diz muito sobre a narrativa das mulheres negras de um modo geral, que é a palavra escrevivência. É impossível ter a nossa arte, a nossa escrita, a nossa produção intelectual, não atravessada pela experiência individual e coletiva ao mesmo tempo. Se eu não tivesse vivendo ali naquele período, da adolescência, um contexto de opressão, de silenciamento, talvez eu não tivesse a necessidade de escrever”, relembra a cantora.

Seja em bases sonoras ou impressas, Luedji traz reflexões sobre a afetividade das mulheres negras, marca que também se faz presente no disco gravado entre o Brasil e o Quênia, Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água.

O trabalho mais recente de Luedji fala com maturidade sobre amor, desejo e prazer como possibilidades de superação do racismo, da dor e da solidão. Entre as referências da obra estão nomes como a própria Conceição Evaristo, Marisol Moabá, Dejanira Rainha Santos Melo, Tatiana Nascimento, Nina Simone.

O álbum veio em um momento de aceitação do amor como base fundamental para reconstrução da humanidade das mulheres negras.

“Falar de amor é essencial para as mulheres negras, construir um outro imaginário e narrativa, onde a gente possa superar o racismo, a dor, a solidão. Quando se pensa em afetividade das mulheres negras, diretamente se associa à solidão das mulheres negras, que é um tema super importante, mas não é só isso. Esta experiência é diversa, plural, está ligada à dor, mas está ligada ao prazer, ao desejo diverso. Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água veio num momento muito importante, onde eu já aceitei que o amor é uma demanda.”

Não à toa, o álbum faz referência à água, elemento ligado a Oxum, orixá da matriz africana ligado ao amor, à feminilidade e à maternidade, vivida recentemente pela artista.

“Tem muito esta lógica, quando você não se sente digna de ser amada e incorpora esta lógica de que mulheres negras não são amadas, você acaba estabelecendo uma relação de negação deste amor. Eu vou negar o amor, vou negar experienciar o amor, cantar, escrever de amor. Eu ressignifiquei isso e esse disco é um retrato deste momento onde eu nego a negação do amor e aceito o amor como parte fundamental para reconstrução da nossa humanidade. A primeira coisa que o racismo nos fez foi destituir essa humanidade: não se ama coisa. Então, falar de amor, escrever sobre amor, e cantar o amor é o modo também de dizer que nós somos humanas.”

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