Bombeiras militares enfrentam desafios e contam histórias que vivem durante a rotina – Foto: CBMAC

Assessoria – A luta por igualdade de oportunidades fez com que milhares de mulheres ao redor do mundo, durante o início do século XX, cansadas de serem discriminadas, se unissem em protestos para terem suas vozes ouvidas e, principalmente, terem direito ao voto e a melhores condições de trabalho.

No meio militar, a presença de mais de 70 mulheres compondo a corporação do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBMAC) faz com que esta nova realidade seja moldada a cada momento e que o protagonismo delas seja destaque em meio a um ambiente que, antes, era predominantemente masculino.

Neste Dia Internacional da Mulher, onde o mundo celebra e reflete as conquistas e histórico de luta constante das mulheres pela igualdade, conheça o dia a dia de bombeiras militares que superam desafios diários e que impõem força e bravura para salvar vidas.

Cabos de Cruzeiro do Sul integram o 4º BEPCIF, onde desenvolvem suas funções Foto: CBMAC

Não existe hora para ser bombeira

A 2ª tenente do CBMAC, Francisca Fragoso, já está há mais de 4 anos no oficialato, mas já tem quase 14 anos na corporação. Ela fez parte da primeira turma de mulheres do CBMAC, em 2007, e também da primeira turma de oficiais femininas, conquistando o 1º lugar da turma composta por 28 militares, sendo 23 homens e 5 mulheres.

Ela, que é de Plácido de Castro, veio morar em Rio Branco para poder fazer faculdade. Por ser de uma família muito humilde, os esforços para custear os gastos básicos de uma acadêmica eram enormes. Vendo como uma grande oportunidade de mudar sua realidade e a da família, resolveu prestar o concurso de soldado combatente em 2005, onde foi aprovada.

Durante toda esta jornada, onde atualmente desempenha funções de chefia na parte administrativa-jurídica da corporação e de gerenciamento de ocorrências na parte operacional, ela destacou um acontecimento, durante seu dia de folga, que marcou sua trajetória.

“Eu estava de folga e visitando meus Pais em Plácido de Castro. Então, fomos ao rio Abunã e lá eu fiz um salvamento aquático de um garotinho que se afogava. Na hora, a mãe dele estava sem reação, foi quando percebi a situação e já me lancei para salvá-lo”.

2ª tenente do CBMAC, Francisca Fragoso, sonhou em ingressar no oficialato desde que entrou na corporação – Foto: Arquivo pessoal

“Fui me realizando”

Empatia. Esta foi a palavra usada pela 2ª tenente bombeira militar, Marcela Sopchaki, para descrever a profissão. Ela entrou na corporação por meio de um concurso de voluntários e, apesar de não ter sido um sonho de infância, o processo de identificação com a corporação ocorreu logo durante as primeiras operações. “Fui me realizando”, disse.

A tenente que é a primeira oficial feminina a comandar um batalhão do CBMAC, sendo este o de Xapuri, também contou que a rotina no interior é muito diferente da capital, principalmente porque os Atendimentos Pré-Hospitalares (APH) se tornaram muito frequentes no município. Como o risco de contágio com a Covid-19 ainda é alto, ela disse que recebe apoio do Governo do Estado e das instituições e empresas locais para adquirirem Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) para a realização destes atendimentos.

“E antes da pandemia, ainda tínhamos o bombeiro mirim e precisávamos conciliar escalas para os militares trabalharem com eles, dar instruções para a própria tropa; se preparar para ocorrências extraordinárias, ver questão de viaturas, de material e de toda a logística do quartel e, também, o contato com as autoridades do município para não perdermos a dinâmica”, relatou.

2ª tenente, Marcela Sopchaki, comanda o 8º BEPCIF, em Xapuri Foto: Arquivo pessoal

“Não perdi a esperança”

A história da cadete Akauany Ferraz no CBMAC é um tanto quanto curiosa. Na época em que foi anunciado o concurso para soldados do Corpo de Bombeiros, em 2012, ela se inscreveu e estudou muito para passar. No entanto, não alcançou êxito e acabou conseguindo aprovação apenas para o da Polícia Militar, onde ingressou nas fileiras da corporação em 2013.

Mesmo dentro do militarismo, meio o qual se identificou desde cedo, ela ainda almejava o sonho de ser bombeira. Em 2015, quando saíram os editais para oficiais do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, ela resolveu se inscrever nos dois. Para sua felicidade, ficou no cadastro de reserva em ambas as provas e, por ter sido chamada primeiramente para o curso da PM, ela foi fazer a especialização em São Paulo.

Porém, o sonho de ser bombeira ainda continuava latente. “Ainda assim, não perdi a esperança e sempre torcia pela convocação do Corpo de Bombeiros. Um ano se passou e um belo dia saiu a tão sonhada convocação, não pensei duas vezes e iniciei o curso de formação de oficiais bombeiros militares na cidade de Goiânia (GO)”, falou.

Cadete Akauany Ferraz saiu da PMAC para realizar o sonho de ser bombeira – Foto: Arquivo pessoal

Realização profissional

A aluna cabo Edinara Silva, que possui pouco mais de 2 anos como bombeira e que se considera bastante curiosa, disse que se pudesse descrever a profissão com poucas palavras, seria a de ‘realização’, já que ama o que faz.

Na rotina de atuação dentro do CBMAC, ela contou que a união e parceria entre os militares faz com que todos sejam tratados da mesma forma, sem distinção de sexo. Além disso, disse também que as ocorrências que mais a marcam são as que envolvem incêndios em residências, pois eles veem o sofrimento das pessoas ao lutar contra o fogo que destrói os seus pertences.

“Geralmente, as famílias são humildes e por descuido ou brincadeira de crianças, acidentes ou incidentes, as pessoas perdem tudo. Recentemente, atendemos uma ocorrência onde a mulher quase perde o filho também. Esse tipo de ocorrência são as que me tocam mais, mas que acabamos arrecadando doações e ajudando”, reiterou.

Neste dia 8 de março, fundem-se as falas das bombeiras militares em prol de um conselho de luta e determinação: “Nenhum obstáculo é maior do que a força de vontade de uma mulher”. Mesmo sabendo que “o caminho não será fácil”, “as mulheres podem voar alto”. O que não pode acontecer é elas deixarem “alguém dizer que a mulher não tem capacidade de fazer algo”.

Aluna cabo do 3º BEPCIF, Edinara Silva, se sente realizada em ser bombeira e em poder ajudar o próximo – Foto: Arquivo pessoal

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