Devido à falta de oxigênio, o estado também entrou com uma ação na Justiça para que a empresa fornecedora garanta o abastecimento – Sergio Lima / AFP

Igor da Silva Spindola, procurador da República do Amazonas que o Ministério da Saúde foi alertado há pelo menos quatro dias que faltaria oxigênio nos hospitais de Manaus. Informa a coluna do Guilherme Amado.

“O estado não se preparou. E como se não bastasse, a direção de Logística do Ministério da Saúde só se reuniu nesta (quinta-feira) para tratar disso após ser avisada há quatro dias antes”, disse à coluna o procurador que atua na área de saúde no estado.

Spindola criticou o que avalia como “falta de coordenação” do governo federal e de militares no ministério, que desconhecem o funcionamento do SUS. Ele ainda tenta contabilizar as mortes por asfixia.

“Acordei hoje com uma ligação por volta de 7h do diretor do Hospital Universitário dizendo que só tinha duas horas de oxigênio. Por volta de 12h, a gente já tinha notícia dos óbitos por asfixia. Foi emocionalmente impactante”.

De acordo com Spindola, no pico da pandemia em 2020 a demanda por oxigênio em Manaus era de 20 mil metros cúbicos. Agora, saltou para 70 mil.

A empresa White Martins, que fornece oxigênio para os hospitais da capital, consegue produzir 28 mil metros cúbicos de oxigênio.

O excedente era transformado em oxigênio líquido, o que o torna mais perigoso e inflamável, e o transporte só pode ser feito por avião cargueiro, como o da Força Aérea Brasileira (FAB).

“O que o Exército nos passou oficialmente é que o avião da FAB teria quebrado. Mas eles têm outros aviões. Ninguém se movimentou para resolver”, disse o procurador.

O procurador é um dos membros do MP que assinam uma ação civil pública ajuizada nesta quinta-feira na Justiça Federal do Amazonas.

A ação cobra da União uma solução para o colapso de fornecimento de oxigênio na saúde da capital.

Mais de 5,8 mil pessoas já morreram de Covid no Amazonas. Em Manaus, a média móvel de mortes pela doença saltou 183% nos últimos sete dias.

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Veja o Vídeo Abaixo: Nas últimas 12 horas, o estado do Amazonas tem enfrentado momentos de grande terror, considerado por muitos como “dia semelhante ao fim do mundo”, isso porque o desespero foi tão grande que tomou conta tanto dos profissionais da saúde como também dos familiares de pacientes acometidos pela covid-19. Diante do grande número de casos considerados graves da doença ao mesmo tempo, o sistema de saúde do estado colapsou, resultando na falta de oxigênio nos hospitais de Manaus e consequentemente no óbito de muitos pacientes por asfixia. 

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