“A equipe, como um todo, está esgotada. A equipe, como um todo, não só os médicos, mas os enfermeiros, os técnicos, todos estão esgotados, é geral. Acho que o termo que os define é burnout. A gente tem visto em vários profissionais de saúde à exaustão. E o grande desafio é como, agora, nós vamos cuidar do cuidador.”

O desabafo acima é da médica Teresa Barros, que é coordenadora da UTI do Hospital Eduardo de Menezes, referência no atendimento a pacientes com coronavírus em Minas Gerais.

Desde março, a vida dela virou de ponta-cabeça. Ela já tinha lidado com epidemias, como de H1N1, febre amarela e dengue, mas nunca tinha vivido nada perto do que está lidando agora com a Covid-19. Já são quase 10 meses de trabalho intenso. A exaustão da categoria é geral. Médicos, enfermeiros e diversos outros profissionais já estão no limite.

Isso ocorre porque os pacientes graves do coronavírus são internados em UTI e usam respiradores mecânicos para conseguirem respirar. Mas, apesar da importância da estrutura hospitalar neste momento, não são os aparelhos que salvam as vidas. A médica destaca que tem sido um período árduo para as equipes de saúde.

“É desafiador a demanda que o paciente com Covid-19 na forma grave traz, é uma demanda muito alta, de muito trabalho, de muito cuidado à beira-leito e exige muito, não só do médico, mas de toda a equipe multidisciplinar. A gente já aprendeu que o trabalho em equipe multidisciplinar é o que faz mais diferença para esse tipo de paciente, o cuidado à beira-leito, é isso que define os melhores prognósticos”, diz Teresa Barros.