Usariam a contabilidade para esquentar dinheiro desviado. Para a maioria dos brasileiros, Flávio é culpado pelo esquema de corrupção da “rachadinha” – Foto: Reuters

A investigação sobre o esquema fraudulento de Flávio Bolsonaro, que desviava salários de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para sustentar sua família, conhecido como “rachadinha”, irá se desdobrar este ano para o tema lavagem de dinheiro por meio da loja de chocolates mantida pelo senador em um shopping. Seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro também  entrará no foco do Ministério Público do Rio, informa o jornalista Caio Sartori de O Estado de S. Paulo. 

As investigações, até agora, tiveram como centro o esquema operado pelo ex-PM Fabrício Queiroz, homem de confiança do clã Bolsonaro, que chegou a ser preso em junho e acabou libertado em julho, por decisão do bolsonarista ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça),  ministro João Otávio Noronha.

Ficaram de fora da peça ajuizada pelos promotores de novembro pontos-chave da investigação. Um deles é o uso da loja de chocolates de Flávio na Barra da Tijuca, no Rio, para lavar dinheiro. O ex-deputado e um sócio, suspeitam os investigadores, praticavam fraudes em uma franquia da Kopenhagen, a Bolsotini Chocolates e Café Ltda. Usariam a contabilidade do negócio para esquentar dinheiro desviado dos salários de funcionários nomeados por Flávio. 

Carlos Bolsonaro

Como os parlamentares do clã Bolsonaro sempre mantiveram o hábito de trocar assessores entre si, a investigação que envolve Flávio Bolsonaro irá se encontrar com as apurações sobre a prática recorrente de outro Bolsonaro, o vereador Carlos.

Na apuração contra o vereador do Rio, segundo filho do presidente Jair Bolsonaro, que ainda não avançou tanto quanto a do senador, há vários ex-funcionários investigados no processo que apura as “rachadinhas” na Assembleia. É o caso dos parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente da República. Ela própria também está sob investigação, já que trabalhou para o então enteado, no gabinete da Câmara Municipal da capital fluminense.