O deputado estadual Jenilson Leite (PSB), vice-presidente da Assembleia Legislativa do Acre, pediu na sua fala, durante a sessão desta terça-feira (15), por meio da plataforma on-line, que a Comissão de Saúde busque intermediar junto ao Ministério Público Federal e os profissionais de saúde que atuam no Hospital do Juruá, um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), para que seja garantido o atendimento à população da região. Que inclui o município de Cruzeiro do Sul, sede do hospital, além de Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e o município de Guajará, no Amazonas. “Temos um problema sério acontecendo no Hospital do Juruá e tem chamado a nossa atenção. Porque está havendo prejuízo na assistência aos pacientes ”, afirma o deputado.

Jenilson afirma que se trata de uma questão complexa e como ele não tem as informações detalhadas não pode emitir juízo de valor. “ É uma operação da polícia federal que encontrou indícios de irregularidades, segundo vimos nos jornais. Por isso, estou procurando informações em relação a médicos que estavam prestando serviços dentro do hospital. E os médicos estão envolvidos nesse problema. Inclusive, deixaram de prestar serviços no hospital do Juruá, após ser deflagrada a operação ”.

Com a saída dos médicos, muitos deles afastados por ordem da justiça, a assistência aos usuários do Sistema Único de Saúde está sendo prejudicada. O deputado cita como exemplo o caso do bebê que ia morrendo engasgado por falta de um otorrino. “Ontem, um bebê quase morreu asfixiado. Porque o médico otorrino foi afastado de suas funções e a criança teve que vir para Rio Branco”.

Na operação “Choro de Hipócrates”, que investiga a lotação irregular de servidores da saúde em várias unidades de saúde no interior do Acre, dentre elas, o Hospital do Juruá, o diretor clínico da unidade saúde e único otorrino foi afastado do cargo e da função de médio, além de ficar proibido de manter contato com outros investigados.

O deputado cobrou a Comissão de Saúde e os colegas deputados para buscar uma saída para o problema. “ Deputado José Bestene, presidente da Comissão de Saúde, nós não podemos assistir isso de camarote e não buscar uma intermediação. E a medição desse problema é no sentido de não fazer juízo de valor, de quem está certo ou errado, mas buscarmos garantir que o serviço de saúde seja ofertado à população do Vale do Juruá. E a saída é um termo de ajuste de conduta. Também proponho que possamos fazer uma visita ao hospital do Juruá”, cobrou o deputado.

Sobre a operação

A PF identificou as irregularidades, entre elas acúmulo de funções com carga horária incompatível e sem prestar serviço. Investigações ocorrem nas cidades de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, e também em Rondônia (RO), Minas Gerais (MG) e Bahia (BA).

Após as investigações, a Justiça Federal de Cruzeiro do Sul, no Acre, expediu 14 mandados de sequestro de bens, um mandado de busca e apreensão e um mandado que impôs três medidas cautelares devido à prisão de um dos investigados. Além disso, foram bloqueados R$ 3,2 milhões.