Mais de 100 pacientes de Curitiba e região metropolitana com Covid-19 ou suspeita da doença aguardam por uma vaga de enfermaria ou UTI em algum hospital da região, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).

Até quarta-feira (2), 120 pacientes estavam esperando em UPAs da região ou hospitais menores para serem transferidos para 53 leitos de UTI e 67 leitos de enfermaria.

Em Curitiba, há 344 leitos de UTI adultos do SUS para pacientes com Covid-19 ou suspeita da doença. Mas 319 deles estão com pacientes, o que representa uma ocupação de cerca de 93%.

Nas enfermarias, são 433 leitos no total, e 376 estão ocupados.

Segundo o diretor de Gestão em Saúde da Sesa, Vinícius Filipak, o Paraná está tentando aumentar o número de leitos em todo o estado, e principalmente na região de Curitiba, mas a capacidade de ampliação está próxima do limite.

“Há um limite de espaço, área física, equipamentos e principalmente de equipes. As equipes têm trabalhado incessantemente desde março, há um desgaste muito grande e não há profissionais capacitados em quantidade para ampliar indefinidamente esses leitos”, afirmou.

Segundo uma profissional de saúde que trabalha no pronto-atendimento a pacientes com Covid-19 na região de Curitiba e que não quis se identificar, o tempo de espera de pessoas com coronvírus sem leitos é preocupante.

“Hoje nós não temos pneumologista na UPA, não tem especialidades, principalmente fisioterapia, que é tão importante nesse tratamento”, disse.

Central de leitos

A fila de leitos no estado é manejada por uma central da Sesa, que verifica onde estão os pacientes e em que hospitais há vagas. Na região de Curitiba, isso é feito por uma Central de Leitos Metropolitana, administrada pela prefeitura.

Quando não há leitos disponíveis na cidade ou na região, pacientes podem ser transferidos para outras cidades do estado.

Há registros de pacientes que foram encaminhados para hospitais de Guarapuava e Laranjeiras do Sul, na região central do estado.

“Mas é uma transferência tecnicamente muito complexa”, afirmou Filipak.

O filho de um paciente que está há três dias na UPA Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana, contou que a família vive a angústia de não saber o que vai acontecer com o parente.

“Nós estamos preocupados com isso e o pior, vivendo a angústia de haver a possibilidade dele ser mandado para longe daqui, para outra cidade. Meu pai já vai para vários dias esperando essa vaga e não aparece”, disse o homem, que não quis se identificar.

Ele disse que chegou a procurar hospitais particulares, mas que desistiu porque não tinha condições de bancar os custos.

“Uma UTI custa até R$ 10 mil diário. É inviável para um trabalhador”, afirmou. Do G1 Rio