O corpo achado boiano próximo à ponte sobre o Igarapé Iña, no Ramal do Porto Rico, em Epitaciolândia, foi identificado pela Polícia Civil como Pedro Vandersson de Lima Costa, de 23 anos.

Policiais civis receberam um chamado e foram até o local e encontraram o homem que vestia bermuda e uma camisa de time. O corpo estava de bruços e em estado avançado de decomposição.

Pedro Costa tinha sido preso no dia 26 de novembro pela Polícia Militar de Brasileia, junto com um comparsa, após fugir de um cerco policial na Bolívia, país vizinho. A polícia boliviana pediu apoio da PM do Acre para encontrar a dupla por envolvimento com organizações criminosas.

Costa e o comparsa foram levados para a delegacia de Brasileia. Na unidade, a equipe fez o procedimento e descobriu que não havia nenhum mandado judicial contra Costa e ele foi liberado. Porém, a polícia achou um mandado de prisão contra o colega dele e o manteve preso.

A dupla chegou a ser fotografada por um jornalista da cidade no dia da prisão. Costa vestia uma blusa de time de futebol, e estava com uma blusa semelhante quando foi achado morto, dias depois.

“Eles tinham fugido de uma casa na Bolívia, onde estavam com outros membros de uma organização criminosa. Vieram para Brasileia em um táxi e alguém denunciou informando que eles eram do grupo procurado na Bolívia. Não tinha nenhum mandado contra ele e foi liberado. Ele falou que ia conseguir um dinheiro para voltar para casa, que não queria mais ficar na região”, explicou a delegada Carla Ivane.

Dias depois, a polícia recebeu a informação de um corpo achado no igarapé. Os exames cadavéricos mostraram que Costa tinha sido morto cerca de 48 horas antes de ser encontrado. “Ele não foi morto no mesmo dia que foi liberado daqui, foi dias depois. O corpo tinha sinais de tortura”, complementou a delegada.

Investigações

A Polícia Civil acredita que a morte de Pedro Costa tenha sido um acerto de contas. O corpo foi apenas desovado na cidade acreana, mas a morte deve ter sido na Bolívia. O delegado Luiz Tonini, que investiga o homicídio, explicou que os próprios comparsas podem ser os responsáveis por matar o rapaz.

“Ele voltou para a Bolívia e, temos quase certeza, como havíamos dito, que a execução dele foi em virtude da briga entre facções ou pela própria facção dele por ter feito besteira”, confirmou.

O delegado frisou que Costa foi identificado após conhecidos reconhecerem as tatuagens que ele tinha no corpo.

Por Aline Nascimento, G1 Acre