De acordo com um interlocutor do MDB na Câmara, o partido tem chances de conquistar o comando da Câmara e do Senado porque possui bancadas com dinâmicas e posturas próprias em cada Casa. Na visão dele, “são dois MDBs”, que devem ser tratados de formas distintas.

O candidato do MDB na Câmara é o presidente do partido, Baleia Rossi (SP), que busca o apoio do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (RJ), para formar um bloco e se cacifar ao posto. Apesar de ser considerado um dos favoritos de Maia, interlocutores do presidente da Câmara fazem a ressalva de que Baleia pode não ter o perfil conciliador necessário para negociar com os líderes partidários diariamente, que é a habilidade mais importante para ocupar o cargo.

Já no Senado, o cenário é mais incerto e há disputa interna entre pelo menos quatro candidatos, que ainda não se colocaram formalmente no páreo. Por possuir maioria na Casa, com 13 senadores, a legenda tem vantagem no pleito e já se preparava há semanas nos bastidores para uma eventual derrota de Alcolumbre no Supremo.

De um lado, estão os governistas Eduardo Braga (AM), Fernando Bezerra (PE) e Eduardo Gomes (TO), os dois últimos líderes do governo, que podem conquistar o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Do outro, a senadora Simone Tebet (MS), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que tem o aval de parlamentares considerados independentes.

Para um integrante do partido no Senado, a sigla deve buscar consenso e evitar cometer o mesmo erro de 2019, quando rachou ao ter que decidir entre Renan Calheiros (AL) e Simone Tebet. Na época, Renan teve sete votos dos emedebistas, enquanto Simone reuniu apenas cinco. Ela acabou desistindo da disputa dois dias antes, mas a avaliação é de que a divisão interna no MDB pesou para a derrota de Renan em plenário.

Na visão de integrantes da sigla e de outros partidos, como o PSDB, se o MDB insistir em um candidato do Planalto pode perder votos dos parlamentares considerados independentes, como os do grupo Muda Senado, que podem chegar a um quarto da Casa. Simone, neste cenário, surgiria como solução, embora ainda não seja unanimidade nem mesmo na bancada do seu partido e terá de batalhar por isso.

Parlamentares que defendem o nome de Simone também reforçam que ela seria a primeira mulher a assumir o comando da Casa. Recentemente, a senadora foi lançada como possível candidata à Presidência da República em 2022 por Baleia Rossi, após o resultado das eleições municipais. O discurso faz parte da estratégia da legenda de tentar mudar a imagem em busca de renovação.

“Como se diz, o jogo está zerado. O MDB naturalmente tem a vantagem da maior bancada, mas é preciso avaliar se ela vai ter unanimidade na escolha. É uma bancada bastante heterogênea”, disse Alessandro Vieira (Cidadania-SE), integrante do Muda Senado.

A decisão do STF no domingo abriu espaço para que novos nomes surjam no pleito para o comando do Senado, que aguardava a deliberação para saber se Alcolumbre poderia participar. Um deles é o do senador Tasso Jereissati (CE), apontado por correligionários hoje como candidato e que também conta com a simpatia dos independentes. Tasso é aliado de Simone e poderia eventualmente apoiá-la.

“Não está cedo nem tarde para trabalharmos o nome de Tasso Jereissati para a presidência do Senado. Nós do PSDB temos 30 dias para mostrar que é o melhor nome nesse momento para aglutinar os apoios necessários nesse processo de sucessão no Senado”, escreveu o senador Plínio Valério (AM) no Twitter.

Câmara

Mais cedo, em entrevista à Globo News, Rodrigo Maia (DEM-RJ) citou Baleia Rossi como possível sucessor. Ele também mencionou os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Elmar Nascimento (DEM-BA), Luciano Bivar (PSL-PE) e Marcos Pereira (Republicanos-SP). Um dos principais adversários do grupo é Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão, que tem o apoio do governo.

“A nossa candidatura não é contra ninguém, ela não é contra o governo, ela não contra o Arthur Lira, o nosso candidato é a favor da democracia, é a favor da Câmara dos Deputados, e representa esse movimento que é muito mais amplo que os partidos de centro e centro-direita, é um movimento que certamente vai atingir a maioria da Câmara dos Deputados, porque todos viram que na independência da Câmara, a Câmara saiu valorizada”, afirmou Maia na entrevista.

G1