Após prender um homem de 23 anos suspeito de envolvimento em diversos roubos nas cidades da fronteira, a Polícia Civil do Acre descobriu o suposto envolvimento de policiais bolivianos em esquema criminoso. A informação foi confirmada pela delegada Carla Ívane, responsável pelas investigações.

Tudo começou quando a polícia investigava sete casos de roubos nas cidades de Epitaciolândia e Brasileia. Em todos os casos, as vítimas relatavam que tinham sido abordadas por duplas armadas em motocicletas.

Geralmente, segundo a delegada, as vítimas dos roubos eram mulheres e estavam sozinhas em motocicletas. Os veículos das vítimas eram levados pelos criminosos para a Bolívia, onde eram vendidos.

A polícia acredita que ao menos cinco pessoas fazem parte do bando criminoso que atua com esse tipo de roubo na região. Entre eles homens, menores de idade e uma mulher.

Foi então que chegaram até esse homem de 23 anos, que foi preso na última quinta-feira (3). Ao chegar na delegacia, ele apresentou documentos falsos da Bolívia e acabou sendo reconhecido por uma das vítimas de roubo.

“Ele prestou esclarecimentos na delegacia, inicialmente negou que tenha executado roubos, mas confessou que fazia parte de uma rede que receptava as motocicletas que eram encaminhadas para um local na Bolívia, onde eram vendidas. E também delatou o envolvimento de policiais bolivianos”, afirmou a delegada.

Envolvimento dos policiais bolivianos

Ao todo, seriam quatro policiais envolvidos no esquema. Segundo a delegada, o rapaz informou que dois dos policiais alugavam armas de fogo no valor de R$ 500 a R$ 1 mil para o bando criminoso fazer os roubos de motos. Outros dois policiais repassavam informações privilegiadas sobre as operações na Bolívia para que o grupo não fosse pego.

“Sobre as armas que eram utilizadas pelo grupo, ele [preso] disse que eram adquiridas por meio de aluguel de policiais bolivianos. São quatro policiais bolivianos que ele identificou como pessoas que ele fazia diretamente o negócio. Após concluir a receptação da motocicleta, ele fazia a divisão e já retirava esse valor para os policiais”, contou a delegada.

Ao receber a informação, a situação foi repassada pela Polícia Civil do interior do Acre para as autoridades da Bolívia, e um comandante foi até a delegacia para se inteirar do caso.

Durante o interrogatório do preso, com a presença da autoridade da Bolívia, de acordo com a delegada, dois dos policiais bolivianos supostamente envolvidos no esquema chegaram na delegacia de Epitaciolândia buscando informações sobre o tal preso. Foi então que o homem identificou os policiais e informou à delegada.

“Enquanto estávamos realizando oitiva do rapaz, dois desses policiais bolivianos compareceram à delegacia buscando informações sobre esse preso, dizendo que eram do setor de inteligência e precisavam falar com esse preso, porque ele era objeto de investigação deles lá [Bolívia]. Os policiais, então, foram ouvidos e negaram tudo”, disse Carla.

Expulsos da corporação

Após serem ouvidos na delegacia de Epitaciolândia, os policiais foram levados pelo comandante boliviano até o país vizinho. “A informação que tivemos é que eles foram presos no quartel da Bolívia, e que iniciaram no mesmo dia o procedimento de expulsão deles da corporação”, complementou a delegada Carla.

A delegada afirmou que a investigação sobre o caso continua para tentar localizar os demais integrantes do bando criminoso e ressaltou o trabalho feito em parceria com a polícia boliviana.

“Queria manifestar que há boas relações com a polícia boliviana, de cooperação com relação às investigações e que o comportamento desses policiais não reflete a conduta daquela instituição”, concluiu a delegada.

Por Iryá Rodrigues, G1 Acre