A Polícia Federal investiga ao menos 15 funcionários de uma empresa de grande porte que teriam recebido dinheiro e ‘santinhos’ em troca de votos para o candidato a vereador reeleito pelo MDB, Célio Gadelha, na véspera do primeiro turno das eleições municipais.

O vereador, reeleito com 1.293 votos, é um dos alvos da Operação Intruder Brother, deflagrada nesta sexta-feira (4) pela PF, que investiga possível crime de corrupção eleitoral (compra de votos).

Ao todo, estão sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Rio Branco, sendo um deles na casa do candidato reeleito. Estão sendo feitas também oitivas de testemunhas dos investigados.

À equipe da CBN Rio Branco, o presidente do MBD, deputado Roberto Duarte (MDB), disse que não poderia se posicionar sobre o caso, pois ficou sabendo da notícia pela imprensa, mas que vai aguardar o andamento das investigações e que deve se posicionar novamente ainda nesta sexta. 

Em entrevista ao vivo no Bom Dia Amazônia Acre, o delegado da PF Pedro Ivo informou que a houve uma reunião dentro da empresa, que não teve o nome divulgado, com quase todos os funcionários. O encontro teria sido agendado pelos gerentes previamente.

“Na véspera do primeiro turno nós recebemos uma denúncia de que estava havendo compra de votos em uma empresa de grande porta da cidade. Diante disso, fizemos as primeiras diligências, fomos até essa empresa, conseguimos imagens do circuito fechado de televisão, e constatamos que lá havia duas pessoas ligadas a um candidato distribuindo santinhos e, em certo momento, distribuindo dinheiro. Todos receberam dinheiro, e nós estamos intimando eles para poder esclarecer o que aconteceu. Por isso, estão todos sendo ouvidos nesse exato momento”, afirmou Ivo.

Ainda segundo o delegado, neste primeiro momento, não foram pedidos mandados de prisão e que esta fase da operação é para coletar materiais para aprofundar as investigações.

“Tanto os corruptores, que são aqueles que compram os votos, como os corruptos, aqueles que vendem, cometeram crime e podem pegar uma pena de até quatro anos de reclusão. Nós vamos aprofundar na análise do material apreendido hoje, encaminhando para perícia os celulares apreendidos, e vamos constatar, então, definitivamente, a compra de votos.”

Nome da Operação

O nome da operação faz referência ao modus operandi da prática criminosa, onde o irmão do candidato invadiu uma empresa de grande porte, reuniu-se com seus funcionários, pediu voto e distribuiu santinhos e dinheiro.

Por Iryá Rodrigues, G1 Acre