Rio Branco está entre as 10 capitais brasileiras que mostram sinal de aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). A informação é do boletim de monitoramento semanal da Fiocruz, o InfoGripe, divulgado na quinta-feira (19) com dados até o dia 14 de novembro.

Conforme o boletim, a capital acreana foi a que apresentou o sinal mais claro de que houve crescimento de casos nas últimas 6 semanas.

As tendências sempre se referem ao período anterior à data do boletim. Por exemplo: as tendências de longo prazo apontam para o que tem sido visto nas 6 semanas anteriores a ele em cada capital; já as de curto prazo apontam para as 3 semanas anteriores.

Essa tendência de aumento nos casos nas capitais já tinha sido apontada em boletins anteriores da Fiocruz – mas, desta vez, a quantidade de cidades sob alerta de crescimento de casos aumentou de 9 para 10 capitais.

Internações aumentaram quase 8 vezes

Os dados da Fiocruz são confirmados pelo levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (Semsa), obtidas através da plataforma SIVEP-Gripe.

Conforme os dados, de 1 de janeiro a 21 de novembro deste ano foram registradas 2.007 internações de pacientes com algum tipo de síndrome respiratória aguda grave. O número é quase oito vezes maior que o registrado no mesmo período no ano passado, quando 260 pessoas foram internadas com algum tipo de SRAG.

A diretora de Vigilância Epidemiológica de Rio Branco, Socorro Martins, informou que o número de internações este ano é muito maior do que o registrado no sistema e, apesar de já mostrar a alta expressiva nos casos, não reflete a realidade.

Isso porque, segundo ela, houve uma série de problemas para que os dados fossem inseridos no sistema no início da pandemia, o que acabou interferindo no relatório.

A SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, segundo a diretora, cerca de 95% das internações são referentes a pacientes com Covid-19. Em 2019, as internações foram por conta de pneumonias, vírus da Influenza, H1N1, doenças pulmonares e outras.

“Esses dados de 2020 não estão atualizados, ainda faltam algumas fichas entrarem, porque foi um ‘boom’ muito grande de casos e a gente ficou naquela correria toda e o sistema, muitas vezes, também falhou. Então, foram algumas confusões de sistema mesmo e quem notifica as internações é o pessoal dos hospitais e eles não tiveram tempo e nem perna para isso, já que estavam na linha de frente. Acredito que o Brasil todo perdeu muita coisa, não só Rio Branco, devido a esse momento que ninguém esperava”, afirmou Socorro.

Covid-19 em Rio Branco

Com mais de 413,4 mil habitantes, Rio Branco registra 14.650 casos confirmados de Covid-19, segundo dados do último boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), divulgados nesse domingo (22). Ao todo, 445 pessoas morreram em decorrência da doença na capital.

Em todo estado são 34.626 casos da doença e 713 óbitos. O Acre está em contaminação comunitária desde o dia 9 de abril, com uma taxa de incidência de 3.960 casos para cada 100 mil habitantes e a de mortalidade é de 81,5 para o mesmo grupo. Já a letalidade está em 2,1%.

A incidência da Covid-19 em Rio Branco é de 359,6 para cada 10 mil habitantes. Os municípios de Assis Brasil e Xapuri são os que apresentam as maiores incidências do estado, com 986 e 815 para cada 10 mil habitantes.

Por Iryá Rodrigues, G1 Acre