Dos 22 municípios acreanos, 15 estão em risco de apresentar surto ou epidemias de dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Os dados são do boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) nesta segunda-feira (23).

Outros quatro municípios estão em incidência média, dois em baixa incidência e um município permanece em situação silenciosa.

Incidência baixa: menos de 100 casos prováveis por 100.000 habitantes;

Incidência média: 100 a 299 casos prováveis por 100.000 habitantes;

Incidência alta: de 300 a 499 casos prováveis por 100.000 habitantes;

Incidência muito alta: mais de 500 casos prováveis por 100.000 habitantes.

Entre as cidades com alta incidência estão Acrelândia, Assis Brasil, Brasileia, Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Plácido de Castro, Porto Acre, Porto Walter, Rio Branco, Rodrigues Alves, Sena Madureira, Tarauacá e Xapuri.

Já as cidades de Bujari, Feijó, Manoel Urbano e Senador Guiomard estão em alerta para a doença no estado, ou seja, com incidência média. Os municípios de Capixaba e Santa Rosa do Purus têm situação considerada satisfatória. Apenas o Jordão não informou dados sobre infestação.

Dados de dengue no estado

Conforme o levantamento da Sesacre, de 1 a 14 de novembro deste ano foram notificados 11.410 casos suspeitos de dengue no Acre. Desses, 5.110 foram confirmados para a doença. Quatro pessoas morreram em decorrência da dengue este ano. O número de óbitos do ano passado não foi divulgado.

No mesmo período em 2019, o número de notificações para a doença era de 11.846, o que representa uma queda de 3,7% nas notificações. Com relação aos casos confirmados, eram 6.517 no ano passado, uma redução de 21,6%.

O município de Marechal Thaumaturgo foi o que teve o maior aumento de casos notificados e confirmados no período de um ano. Segundo os dados, até o dia 14 de novembro a cidade tinha registrado 170 notificações da doença, sendo que no mesmo período em 2019 eram 17, um aumento de 900%. Já os casos confirmados saltaram de 1 para 6.

A segunda maior cidade do Acre, Cruzeiro do Sul, também teve um aumento expressivo no número de casos de dengue este ano. Conforme o levantamento, em 2020 já foram registrados 5.907 casos suspeitos da doença, sendo que no mesmo período em 2019 eram 3.392 notificações. Com relação aos casos confirmados também houve um aumento de 124,1%, saindo de 1.192 casos em 2019 para 2.671 em 2020.

Em um cenário contrário, a capital acreana, Rio Branco, teve uma queda nos números tanto de notificações como de casos confirmados de dengue. Segundo os dados, são 1.757 notificações este ano contra 4.198 no ano passado, o que representa uma queda de 58,1%. Os casos confirmados reduziram em 69,8%, saindo de 2.571 em 2019 para 777 em 2020.

Apesar da redução na capital, a diretora de Vigilância Epidemiológica de Rio Branco, Socorro Martins afirma que não é momento de relaxar, já que é no final do ano que os casos começam a subir, devido ao período chuvoso.

“Tivemos um período muito seco esse ano, com escassez de água mesmo para o mosquito se reproduzir e, por isso, houve essa baixa nos casos. Mas, os casos costumam aumentar mesmo no final do ano, então os cuidados devem ser mantidos e até redobrados para seguirmos com essa redução”, disse Socorro.

Covid-19 no Acre

O número de infectados pelo coronavírus no Acre chegou a 34.626, segundo o boletim da Sesacre divulgado nesse domingo (22). Ao todo, 713 pessoas morreram em decorrência da doença em todo estado.

O estado está em contaminação comunitária desde o dia 9 de abril, com uma taxa de incidência de 3.960 casos para cada 100 mil habitantes e a de mortalidade é de 81,5 para o mesmo grupo. Já a letalidade está em 2,1%.

Rio Branco registra o maior número de casos, com 14.650 e também o maior número de óbitos pela Covid-19, chegando a 445.

Diferença dos sintomas de Covid-19 e dengue

A infectologista Rita de Cássia Lima explicou sobre as principais diferenças entre os sintomas de dengue e de Covid-19, já que muitas pessoas acabam confundindo as doenças por terem alguns sintomas parecidos.

No caso da dengue, a principal diferença, segundo a médica, é com relação às dores nas articulações, moleza e vermelhidão que aparece pelo corpo. Já na Covid-19, os sintomas mais característicos são a dor de garganta, perda de paladar e olfato e tosse.

Nas duas doenças, alguns pacientes costumam apresentar febre, dor de cabeça, falta de apetite e dores pelo corpo.

“Estamos iniciando o inverno amazônico e temos que atentar também para outras doenças, principalmente a dengue que surge em maior intensidade nesse período. Como os sintomas são parecidos, a pessoa não tem que ficar em casa esperando. Quando tiver sintomas de febre, dor de cabeça, dor no corpo, a pessoa deve procurar a unidade sentinela de síndrome gripal, que lá, além do médico investigar a questão da Covid, se for necessário, já faz sorologia e verifica a dengue e também malária”, explicou a médica.

Por Iryá Rodrigues, G1 Acre