Que a pandemia gerada pelo novo coronavírus provocou mudanças no cenário global, desde o simples gesto de cumprimentar amigos e familiares até as relações rotineiras relacionadas ao trabalho e ao lazer, todos já sabemos. O que muitos não imaginam, é a estratégia que academias e profissionais da área de lutas buscaram para se reinventar e não deixar de atender seus atletas. Professores de diversas modalidades adotaram medidas alternativas para dar continuidade em seus treinamentos. 

Nesta nova formatação, os alunos acessam as salas virtuais em tempo real e acompanham as orientações de seus “mestres”, realizando os movimentos sugeridos em seu espaço físico disponível. Praticantes e atletas afirmam não ser a forma mais adequada para a manutenção física e técnica de sua respectiva modalidade, porém, acreditam ser a medida mais segura neste momento.

Estão acontecendo alguns eventos a nível profissional, mais especificamente, o UFC. É importante lembrar que, estes atletas sofrem uma enorme pressão de seus patrocinadores e apoiadores. Os organizadores do evento são obrigados a realizar uma série de exames e aferições antes de qualquer evento, visando garantir a segurança de todos os envolvidos. Caso um atleta, árbitro, técnico ou qualquer staff envolvido apresente sintomas ou recusa nos testes direcionados, o mesmo será afastado e não terá contato com os demais. Outra medida adotada é a ausência de público espectador (cadeiras vazias).

Pensando em uma estrutura como a do UFC, imaginamos uma certa segurança, mas a orientação permanece a mesma, isolamento e adiamento das lutas. Recentemente observamos uma situação similar, em que atletas da seleção brasileira de judô viajaram para Portugal almejando a continuidade nos treinamentos direcionados aos jogos olímpicos. Na Europa, os casos ainda de covid-19 continuam, sendo assim, fica a reflexão, até que ponto devemos nos arriscar? Será que as medidas mais simples, como a utilizada por muitos professores de praticantes amadores, não são as mais indicadas neste momento? É realmente necessário a continuidade de um grande evento sob estas condições?

Autor: Eduardo Emilio Lang Mares da Costa é especialista em Fisiologia do Exercício e professor nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter.