Documentário que conta a história do Boi Carion, o Boi de reisado de Mâncio Lima, no interior do Acre, foi lançado na tarde desta sexta-feira (9) por meio de uma live, no canal do Instituo Baquimirim, responsável pela produção.

Tradicional na cidade, o Boi Carion chegou a Mâncio Lima na década de 30 e faz parte das manifestações culturais do município. São pelo menos 90 anos de tradição.

“É uma tradição de reisado, como o bumba meu boi, e veio do nordeste na década de 30, no processo civilizatório. E o povo, a maioria é indígena lá, então, tem muito preservada nessa cultura a música e a dança indígena. Não é igual ao do nordeste, já virou outra coisa e é uma ópera”, contou o coordenador do Baquimirim no Acre, Alexandre Anselmo.

A festa ocorre durante a noite inteira e permanece do Natal até o dia de Reis, com 13 noites, com o grupo fazendo apresentações, colhendo também doações para a festa de Reis e para sustentar o grupo.

Anselmo disse que o objetivo do documentário é de tornar a tradição da cidade conhecida e também de preservar o patrimônio cultural.

“O que é mais impactante é que uma cultura tão forte e desconhecida pelo próprio povo e desvalorizada por todas as esferas de governo. É a salvaguarda do patrimônio cultural, até como direito a herança para as próximas gerações conhecer a própria cultura”, contou.

A cultura popular foi mantida e celebrada por gerações, e, hoje segue viva através dos ensinamentos do mestre Tião Moura. Após anos sem realizar as apresentações típicas do dia de Reis, o Boi Carion retomou o festejo em dezembro de 2019, quando foram feitas as gravações do documentário.

Com 40 minutos de duração, o documentário conta a história de Jaraguá, personagem do Boi Carion, uma espécie “cavalo/jacaré” que é oferecido ao Rei por Mateus, para que ele não seja cobrado pelo Boi que matou.

O enredo conta com participantes como rei, rainha, príncipe, princesa, general, secretário, criada, embaixadores, damas e figuras como: Boi Carion, bode, jaraguá, araúna, barca bela, borboleta, sereia e Joana Baia. Todas essas figuras são comandadas por outro personagem chamado de Mateus, que vem acompanhado por seus caretas, que são os seus filhos com a Joana Baia. São pelo menos 40 pessoas envolvidas no projeto.

“A gente é um grupo formado em 2007 que trabalha com os mestres tradicionais e o primeiro foi Antônio Pedro e, por meio dele, vieram outros. Em 2012, conhecemos o Boi de Mâncio Lima e em 2017 veio a aproximação”, contou Alselmo.

Em 2019, o coordenador contou que o grupo conseguiu o apoio do Instituto Nova Era, em São Paulo, e foi como gravaram o documentário.

Por Alcinete Gadelha, G1 Acre