Após quase dois meses da mudança de fase, o Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19 manteve mais uma vez o Acre na faixa amarela, que é a de atenção. A informação foi repassada na tarde desta sexta-feira (2) pelos representantes do Comitê, que informaram que o estado ainda não teve uma evolução significativa para mudar para a próxima faixa.

“Todo o estado se encontra em bandeira amarela. Não tivemos uma evolução significativa para que possamos migrar para a bandeira verde, onde há um maior percentual de flexibilização de atividades e público, previstos na resolução que classifica os mais diversos tipos de atividades empresariais e econômicas. De maneira abrangente, a gente pode dizer que todo o Acre se encontra em bandeira amarela”, disse a coordenadora do Comitê, Karolina Sabino.

O Acre está na faixa amarela desde o dia 5 de agosto, quando passou da fase de alerta, na cor laranja, para a atual fase. Esta é a oitava avaliação do pacto, feita entre os dias 13 a 26 de setembro em um período de duas semanas. A próxima avaliação deve ocorrer no dia 16 de outubro.

Nesta sexta, o estado registrou 28.555 casos de Covid-19, de acordo com o boletim da Secretaria Estadual Saúde do Acre (Sesacre). O número de óbitos pela doença subiu para 664 em todo o estado.

Sem avançar de bandeira, ficam mantidas as mesmas medidas que já vêm sendo adotadas, com os mesmos segmentos de atividades e também com o mesmo percentual de público e de capacidade no ambiente.

“Continuamos insistindo em informar que a pandemia ainda não acabou. Existem outros estados que estão aumentando do número de novos casos, internações e óbitos. No Acre, isso tem sido diferente e é importante, porque tudo isso é resultado do esforço da população. Então, que a população se mantenha nesse sentido de usar máscara, higienização, manter o distanciamento seguro. É importante sempre lembrar dessas medidas básicas”, acrescentou.

Regiões

Alto Acre: Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri;

Baixo Acre e Purus: Acrelândia, Bujari, Capixaba, Jordão, Manoel Urbano, Plácido de Castro, Porto Acre, Rio Branco, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira e Senador Guiomard;

Vale do Juruá: Juruá e Tarauacá/Envira: Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves e Tarauacá.

O que pode continuar aberto

Na fase amarela podem reabrir: restaurantes, bares, pizzarias, sorveterias e outros estabelecimentos similares com 50% da capacidade; teatros, cinemas e apresentações culturais, como também evento religiosos, com 30% da capacidade.

Lojas de móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, comunicação, informática, áudio, vídeo e colchoarias podem continuar funcionando com todos os protocolos sanitários e aumentando a capacidade limitada de 30% para 60%, além de delivery e drive-thru.

O aumento da capacidade também é válido para lojas de materiais de construção, empresas e obras do ramo da construção civil e demais estabelecimentos como olaria, cerâmicas, serraria, marcenarias marmoraria.

Feiras livres, comércios de rua, ambulantes e outros também seguem abertos seguindo as orientações de segurança. Para hotéis, shoppings, salões de beleza e motéis a capacidade de funcionamento também aumentou de 30% para 60%.

Uso de máscara é lei

No dia 14 de setembro, o governador Gladson Cameli sancionou a lei que prevê multa de R$ 74,47 para quem for encontrado sem máscara nas ruas. Nesta sexta, o infectologista Thor Dantas reafirmou que, mesmo avançando para a faixa verde, a população vai precisar seguir as medidas sanitárias como: uso de máscara, distanciamento, higienização das mãos e isolamento social.

“A gente teve uma melhora dos indicadores e nos aproximamos de uma bandeira verde a qualquer momento. No entanto, é importante lembrar que mesmo que a gente chegue na bandeira verde em algum momento, há o risco permanecer até que o vírus seja eliminado com uma vacina. O risco individual tem que ser uma preocupação de cada pessoa que não quer adoecer”, reafirmou.

Fora do pico

Na última semana, após quase 190 dias de confirmar os primeiros casos de Covid-19 no Acre e passar pelo pico da pandemia, o estado a mostrou baixa na realização de exames em análise, conforme os boletins diários divulgados pela Sesacre.

O epidemiologista da Sesacre, Marcos Malveira, informou que a cada dia o número de suscetíveis ao vírus vai diminuindo. Porém, alerta que a pandemia ainda não acabou.

“Em relação à curva, o nosso pico foi na semana epidemiológica 21, que compreende o período de 17 a 23 de maio. Segundo o nosso boletim, o pico no Acre aconteceu aí”, disse.

O período compreende o mesmo analisado nas projeções de um estudo do Centro de Saúde e Desporto do curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac), que apontavam a segunda quinzena de maio a meados de junho como o período de pico da doença no estado.

As projeções do estudo apontavam que o pico da doença seria na segunda quinzena de maio e seguiria até início de setembro, quando seria registrado o fim da primeira onda da doença, o que foi confirmado pelo professor e presidente do Comitê de Gerenciamento de Crise da Covid-19 da Ufac, Odilson Silvestre. Ele disse que, desde à segunda quinzena de junho, o estado começou a sair do pico da doença.

“Não há mais o pico. A gente já saiu do pico faz tempo, que é aquela área mais alta da curva. Então, subiu e depois veio descendo devagarzinho. Subiu rápido e veio descendo devagar. Então, nós temos uma situação de maior conforto agora, mas, sem aliviar os cuidados”, explicou. Por Alcinete Gadelha, G1 Acre