Após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmar que Paulo Guedes (Economia) interditou a reforma tributária, o ministro retrucou que há boatos de que Maia fez um acordo com a esquerda para impedir as privatizações. A escalada de declarações prosseguiu até o ápice, quando Maia classificou Guedes com um “desequilibrado”. 

A beligerância entre Rodrigo Maia e Paulo Guedes atingiu um pico inédito nesta quarta-feira, 30. Não foram apenas troca de farpas, mas provocações diretas em um nível inédito de tensão. 

O ministro da Economia havia dito: “privatizações, estamos esperando também. Não há razão para interditar as privatizações. Há boatos de que haveria um acordo do presidente da Câmara com a esquerda para não pautar as privatizações. Nós precisamos retomar as privatizações, temos que seguir com as reformas”

Rodrigo Maia respondeu em tom hostil: “Paulo Guedes está desequilibrado. Recomendo ao ministro assistir o filme ‘A Queda’.”

O filme “A Queda” retrata as horas derradeiras de Adolf Hitler à frente da Alemanha nazista. A história narra o cerco a Hitler na Segunda Guerra e a derrota do ditador.

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que “nesta semana, líderes partidários afirmaram que não há acordo para a reforma tributária defendida por Guedes, que prevê a criação de um imposto aos moldes da extinta CPMF para compensar um corte de encargos trabalhistas. Na avaliação de parlamentares ligados a Maia, o presidente da Câmara respondeu a crítica feita antes pelo ministro da Economia.”

A matéria ainda acrescenta que “em agosto, após ser alvo de críticas por causa da ideia de apresentar uma nova CPMF, Guedes disse que Maia não poderia impedir a discussão sobre o novo imposto. “Nem o ministro pode querer impor um imposto que a sociedade não queira, nem o relator, o presidente da Câmara, o presidente do Senado, o presidente da República pode impedir um debate sobre qualquer imposto”, afirmou o ministro em agosto.”